Aposta na Agricultura deve continuar a ser prioritária para o Governo, diz Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses

Foram perto de 700 os produtores de leite de São Miguel que ontem se juntaram no Centro de Bovinicultura, nos Arrifes, para receberem o Prémio Produtor Excelente de 2017 da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses. Um evento que junta todos os intervenientes da fileira do leite e que, no entender do Presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), César Pacheco, quando em 2005 começou a ser organizado “estimulou os produtores a produzir com melhores condições higio-sanitárias”. A resposta “está à vista” mas a partir do próximo ano as regras vão mudar. “Porque sabemos que os produtores gostam de desafios, vamos alterar os parâmetros actuais. Vamos incluir os parâmetros de matéria gorda e matéria proteica com os valores base de 3.7 e 3.2 de média anual. Objectivo é fazer com que o prémio fique mais competitivo”, explicou César Pacheco. Inevitavelmente, o preço do leite pago à produção foi um dos temas abordados perante a plateia de lavradores e César Pacheco fez referência ao formato dos troféus entregues este ano, um pequeno queijo, que o responsável considerou “o produto mais nobre dos lacticínios e talvez seja a imagem de marca da nossa Região”. Associada a uma paisagem única, “era importante que se conseguisse tirar melhor partido dessa associação para melhorar o preço do leite pago à produção”. O representante dos jovens agricultores micaelenses referiu que o modelo de pastoreio da agro-pecuária nos Açores além de contribuir “para um melhor ordenamento do território, sendo responsável pela beleza paisagística que tanto tem atraído os visitantes”, também potencia o turismo que está “a emergir lado a lado com a agro-pecuária”. Foi com o objectivo de ligar os dois sectores que foi criada a rota do leite, pela Confraria do Leite dos Açores, a que a Associação de Jovens Agricultores Micaelenses se associou, com a sua exploração a ficar associada como um dos pontos de interesse desta rota. César Pacheco lembrou que nos últimos 20 anos a produção de leite na Região duplicou estando a lavoura “a produzir mais e melhor”, mas falta agora o esforço “de todos” para que se consiga colocar este produto de excelência nos mercados. É por isso que César Pacheco destacou que no futuro “se deve continuar a investir na agricultura, é cada vez mais colocar todos os produtores em condições de igualdade, reduzindo assimetrias e equilibrando os custos de produção”. O Presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses lembrou também que no futuro há que ter em conta a situação de seca que se viveu na Região nesta Primavera e Verão. E por isso alertou “a todos para a rentabilidade das reservas de água, porque muitos produtores estiveram sem água nas suas explorações. É preciso encontrar soluções para que no futuro não aconteçam situações semelhantes, a água deve ser um dos principais investimentos da Região” e as autarquias também devem contribuir nesta procura de soluções. Da parte do Governo Regional, César Pacheco disse esperar com alguma expectativa a apresentação do programa de jovens agricultores “que está a ser ultimado”, e que pode trazer uma série de medidas que podem ajudar ao rejuvenescimento do sector. “Numa altura em que tanto se fala do futuro Orçamento, será preciso uma proposta para a Região para continuar o investimento nas explorações, para continuar a modernização e a eficiência agrícola”, referiu César Pacheco. Governo vai antecipar ajudas comunitárias do Prorural + Na cerimónia de entrega do prémio Produtor Excelente de 2017, o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, deixou a garantia que no final deste mês vai ser paga a antecipação das ajudas comunitárias ao Prorural + e também do POSEI. Este ano com a novidade que inclui “a antecipação de 70% do prémio ao abate referente aos primeiros seis meses do ano e do designado 1$25. Será um valor muito significativo”, destacou o governante. João Ponte voltou a lembrar que na Anteproposta do Plano para 2019, o sector agrícola teve um reforço de cinco milhões de euros, sendo mais 9% de verbas próprias da Região. Valor que considerou relevante porque é “uma garantia que o sector continua a ser prioritário e demonstra a determinação do Governo em manter forte o investimento num dos principais sectores da economia regional”. Um sector que tem registado evoluções a vários níveis, nomeadamente em termos de crescimento da produção de leite e da produtividade média das explorações, sendo “resultado da aposta feita pelos agricultores na melhoria das suas explorações, na aposta na genética e no recurso ao contraste leiteiro”. João Ponte deu conta que nessa evolução há que registar também “alguma recuperação no sector do leite nos últimos 12 meses. “A produção cresceu e registou-se um aumento no preço médio pago à produção nos Açores de 1 cêntimo, enquanto na Europa o preço baixou 8 cêntimos e o continente manteve tendência de 1,5 cêntimos”, lembrou. No entanto, o governante alertou que “isso não significa que está tudo bem” e ainda há desafios a vencer. “Desde logo repercutir todo o crescimento na melhoria da qualidade do leite, no preço pago aos produtores. É de inteira justiça que isso aconteça”, realçou. Perante os desafios que a fileira do leite enfrenta na Região, João Ponte entende que é imperativo continuar a investir na modernização das infra-estruturas agrícolas. Neste sentido, para 2019 “o investimento nos caminhos agrícolas, água e energia eléctrica cresce 9%. Vamos renovar 58 quilómetros de caminhos agrícolas, electrificar 42 salas de ordenha e construir 27 quilómetros de rede de abastecimento de água”. Além disso, o IROA está actualmente a desenvolver a avaliação sobre as necessidades de água para um plano de acção com investimentos para a próxima década, que contará com a colaboração das autarquias, associações e até da Universidade dos Açores. Em breve irá também ser aberto um concurso no âmbito do Prorural com dotação de 1,5 milhões de euros, “para que os agricultores possam apresentar candidaturas para construir reservatórios e lagoas artificiais para armazenar água nas suas explorações”. Uma prova que o Prorural tem servido os propósitos dos agricultores da Região é o facto de este ano terem sido aprovadas 143 candidaturas para instalação de jovens, com despesa pública superior a 5 milhões de euros. E foram aprovados 640 projectos de investimentos de modernização de exploração agrícolas com valor superior a 73 milhões de euros. Neste sentido, o Governo Regional pretende solicitar à União Europeia, “no âmbito da transição de Quadros Comunitários de Apoio, a abertura de um aviso para permitir que até 2020 possa assegurar o financiamento do novo quadro comunitário de investimentos que pretendam realizar”, disse. Mas para se poder vencer todos os desafios que se apresentam pela frente “precisamos de um adequado e justo orçamento europeu através da PAC 2021-2027, seja através do POSEI, seja do programa de desenvolvimento rural. O Governo e os agentes do sector têm defendido sempre um envelope financeiro com dotação necessária para uma agricultura competitiva e combater a desertificação do meio rural e sua sustentabilidade”, reforçou João Ponte. O governante lembrou ainda as condições atmosféricas que assolaram o arquipélago nos últimos meses foram também “um desafio”, no entanto o Governo Regional “esteve ao lado dos agricultores. Foram identificadas e avaliadas necessidades, apresentámos soluções concretas, demos respostas rápidas e trabalhámos em conjunto com as associações do sector”, concluiu João Ponte perante os agricultores presentes.
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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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