Roteiro da Olaria de Vila Franca do Campo vai recuperar três olarias e atrair turistas

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo lançou um concurso público para a recuperação de três olarias da freguesia de São Pedro. O objectivo “é recuperar as velhas olharias de Vila Franca do Campo bem como o forno de lenha onde se cozia todos os artefactos que eram feitos”. O que está previsto é a recuperação de três olarias, a do senhor João Rita, a do Mestre Batata e a olaria museu junto ao mar, ela própria também com um forno e ainda um outro forno autónomo onde se cozia muito barro. Estas três olarias terão destinos diferentes. A olaria que se situa mesmo junto ao mar, no calhau das Guias, é a mais antiga de pedra. E, portanto, o objectivo da Câmara é recuperar a estrutura nos exactos termos em que ela existia dando mais segurança à estrutura para os dias de hoje. Será uma olaria com três rodas de oleiro onde estarão pessoas a fazer utensílios em barro e onde é possível aprender a fazer peças de olaria. Segundo o Presidente da Câmara de Vila Franca, Ricardo Rodrigues, “esta será a olaria por excelência, em acção juntamente com a de João da Rita que mantém alguma da sua actividade juntamente com o filho”. A olaria de João da Rita será actualizada e conservada nos termos em ela existe. A olaria do Mestre José Batata servirá mais para museu embora tenha uma roda antiga. É neste museu que se vai apresentar trabalhos dos antigos oleiros, designadamente, filmagens dos trabalhos de Mestre José Batata que “era um artífice fantástico.” E, no museu, estarão muitas peças da sua autoria em exposição. O roteiro dará assim oportunidade ao residente e ao turista para ver como se fazia peças em barro em roda movida com o pé, podendo meter mesmo a mão no barro. No antigo forno, a Câmara de Vila Franca pretende ter vídeos em exibição sobre como se preparava o barro a partir do momento que chegava de Santa Maria. “Os vídeos mostram como era feita a sua preparação e, inclusivamente, o funcionamento daquilo que se tem como registo histórico. Vamos procurar recuperar estes filmes que vão passar quer no forno quer na olaria museu. E, depois também, vamos ter uma pequena tenda de venda de produtos dos nossos oleiros para que, quem quiser comprar, o possa fazer, sobretudo os nossos visitantes”, palavras de Ricardo Rodrigues. Portanto, afirma o autarca, “vamos recuperar as olarias não só como motivo de conhecerem o nosso passado e esta arte mas também como motivo de desenvolver uma actividade económica que pode constituir a feitura de muitos artefactos de barro que podem ter uma utilidade concreta no dia-a-dia dos nossos cidadãos”. Com este roteiro de olaria, um dos objectivos da Câmara de Vila Franca “é atrair turistas” até porque “hoje em dia as olarias têm um nicho de mercado, com muitas pessoas interessadas em ver como é que se fazia o barro, para além de se mostrarem interessadas em toda a história desta actividade”. “É natural, portanto, - afirma Ricardo Rodrigues - que estes roteiros são motivo de interesse para quem nos visita, quer sejam naturais da ilha, quer sejam pessoas de Portugal continental e do estrangeiro”. “Estamos a criar motivos de interesse e de atracção para que as pessoas se possam aqui fixar e não estarem aqui só de passagem. E estamos a criar infra-estruturas que, com qualidade, designadamente ao nível da restauração, de museu que tem grande qualidade, agora com o roteiro das olarias, e isto para já não falar, durante o Verão, das magníficas praias que todo o concelho tem. Todos estes são motivos para fixar os visitantes no concelho e para que as pessoas possam ter motivos de interesse para passar aqui alguns dias”, palavras de Ricardo Rodrigues. O autarca tem apostado na restauração em Vila Franca que, como afirma, “está a reanimar-se com o esforço” da Câmara Municipal de Vila Franca. “Hoje em dia”, afirma Ricardo Rodrigues, “a restauração é a forma mais simples e mais apelativa de chamar turistas. Todas as pessoas têm que almoçar e jantar. Ponta Delgada está com uma oferta muito vasta em termos de restauração, mas tem já uma ocupação bastante significativa. É importante que haja outros destinos com motivos de atracção em termos gastronómicos porque isso fará circular as pessoas que nos visitem por toda a ilha e, designadamente, por Vila Franca do Campo”. Neste momento estão a ser analisadas as propostas para a recuperação do património na Baixa da Silveira, o antigo Mercado de Peixe, que “será um restaurante com características muito peculiares para chamar mais locais e turistas ao concelho”.
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Autor: J.P.

Categorias: Regional

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