27 açorianos na lista de espera nacional de transplantes no final do 1º semestre

No final do 1º semestre, nos Açores, existiam 27 pessoas colocadas nas listas de espera nacionais com o intuito de receber um transplante, conforme indicam os dados disponibilizados pela Secretaria Regional da Saúde através dos três hospitais da Região, sem que, no entanto, neste número estejam incluídos os utentes que aguardam por um transplante de fígado ou por um transplante de medula óssea, já que nesta última se considera que “não há lista de espera” mas sim um tempo de espera até que se encontre um dador compatível. De acordo com as informações da Secretaria, estes dados não são aqui incluídos porque o controlo da lista de espera é realizado pelo Centro de Transplantação Nacional, sendo esta a entidade que faz a avaliação e o acompanhamento do doente através de consultas pré-transplante, consultas de seguimento e consultas pós-transplante. Entre os 27 açorianos que aguardavam por um transplante, 22 são naturais ou residentes na ilha de São Miguel, fazendo por isso que esta seja a ilha onde existem mais pessoas nesta condição. Os restantes cinco utentes que aguardavam por uma resposta positiva eram da ilha do Faial e Pico, com um e com quatro utentes em lista de espera, respectivamente. Ainda no que diz respeito às listas de espera, bem como aos critérios de distribuição dos órgãos, o Sistema Nacional de Saúde (SNS) esclarece que “de modo a garantir os princípios de igualdade e equidade, estes critérios são definidos tendo em conta dois aspectos fundamentais: aspectos regionais e aspectos clínicos”. Neste sentido, é estabelecido pelo SNS que os “critérios regionais permitem que os órgãos de dadores de uma determinada região sejam transplantados na mesma região”, para diminuir o mais possível o tempo máximo de espera que pode decorrer entre a colheita do órgão e o seu transplante no receptor. Ainda assim, o serviço nacional encarregue destas questões, considera que existe um critério clínico que está acima dos critérios regionais, nomeadamente a “urgência ou emergência da necessidade do doente relativamente ao transplante”, sendo por isso considerado que “um pedido super-urgente ou emergente tem prioridade absoluta em todo o território nacional”. Por esse motivo, é estabelecido pelo SNS que “para pedidos de outras naturezas, os órgãos são atribuídos de acordo com os critérios territoriais e é a equipa de transplante que decide, consultando a lista de espera, qual o doente mais indicado para receber o órgão, seguindo os critérios clínicos: compatibilidade do grupo sanguíneo, características antropométricas, gravidade do doente, etc.”, diz informação oficial. Entretanto, e tendo em conta estas informações, nos primeiros seis meses do ano de 2018, nos Açores, a Secretaria Regional da Saúde aponta que foram realizados, entre os doentes açorianos em lista de espera, um total de 19 transplantes, sendo um deles correspondente a um transplante hepático (de fígado) para um doente em lista de espera na Região, e outros nove referentes ao transplante de rim, aquele que é considerado também o órgão mais transplantado a nível mundial, sendo por isso o órgão por que mais pessoas esperam durante três ou quatro anos, de acordo com a média nacional, após iniciarem a diálise. Destes transplantes, outros nove são referentes ao transplante de medula óssea, tanto alogénico, ou seja, quando as células precursoras da medula óssea têm origem de um dador, como de auto-transplante, sendo que este último ocorre quando as células precursoras de medula óssea provêm do próprio paciente que precisa quando este precisa de fazer tratamentos para tratar um cancro através quimioterapia ou radioterapia, por exemplo. Nestes casos, o transplante de medula óssea tem um procedimento clínico diferente do transplante hepático ou renal, uma vez que os doentes não ficam numa lista de espera. Nestes casos, a secretaria da saúde explica que os doentes candidatos ao auto-transplante seguem o procedimento clínico habitual para o tipo de patologia que apresentam. Por outro lado, quando os doentes são candidatos ao transplante alogénico relacionado (que ocorre quando o dador de medula óssea é um familiar), estes são referenciados ao Centro de Transplantação Nacional, onde serão então cumpridos os prazos estipulados para a realização do transplante de medula. Ao haver um transplante alogénico não relacionado (quando o dador não é familiar do doente), é feita, através do Centro de Transplantação Nacional, uma pesquisa internacional por um dador compatível, realizada periodicamente até que seja encontrada uma compatibilidade entre dador e receptor, no entanto, este período de tempo não é visto pelas entidades competentes como uma “lista de espera”. Entre aquelas que são as medidas promovidas pelo Governo Regional dos Açores estão, principalmente, acções de sensibilização e campanhas centradas no aumento de dadores de sangue, direccionadas principalmente para as camadas mais jovens da população açoriana, no entanto, a Secretaria Regional da Saúde equaciona que seja “uma possibilidade a ser equacionada estender este formato de campanhas também à temática da doação de órgãos”.
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Revista Pub açorianissima