"Somos obrigados a vencer os dois ralis"

Luís Miguel Rego reconhece que, em condições normais com o rival Bernardo Sousa, tem, na ilha do Pico, uma das duas últimas hipóteses de continuar na peugada do seu primeiro título regional de ralis.  O atraso de 12 pontos para Bernardo Sousa não é significativo, mas se terminar em 2.º lugar fica mais distante, deixando adiado para dentro de um mês, em São Miguel, a questão do primeiro lugar final, mas sem depender da sua prestação. Poucas horas antes de o rali ir para a estrada, Luís Miguel Rego falou das aspirações e reafirmou que o piloto madeirense pode não ter conhecimento dos troços cronometrados, mas tem mais experiência. Tem a noção de que ao não ganhar o rali do Pico a hipótese de se sagrar campeão dos Açores este ano fica muito mais difícil? Sim, é verdade. Nós já sabíamos que depois da desistência que tivemos no rali Ilha Azul, no Faial, as coisas ficaram mais complicadas para nós. Ao não vencermos o rali Ilha Lilás, na Terceira, faz com que sejamos obrigados a vencer estas últimas duas provas.  Mesmo se o nosso principal adversário ficar em segundo neste rali e se nada lhe acontecer de anormal, será ainda muito complicado para nós na última prova do campeonato.  Ao ter um melhor e um maior conhecimento do traçado habitualmente utilizado no rali do Pico, em comparação com o Bernardo Sousa, poderá ser-lhe favorável? Por aquilo que temos visto, não tem sido assim uma clara vantagem. Praticamente  todos os ralis do campeonato têm sido novos para o Bernardo e ele tem sido tão competitivo em todos eles. Portanto, acho que no Pico não vai ser diferente. É verdade que eu tenho um pouco mais de conhecimento do terreno, mas, como já disse anteriormente, ele tem uma experiência que eu não tenho. Tem muitos quilómetros, quer como piloto quer em vários tipos de carros, inclusivamente no Campeonato do Mundo, enquanto a minha carreira tem-se resumido aos Açores. Apesar disso acredito que vai ser um rali bastante disputado e bastante competitivo, como têm sido os anteriores, e o Team Além-Mar está a preparar-se da melhor forma para entrar na luta pela vitória. Com a ausência de Ricardo Moura, o campeonato ganhou mais emoção ou a entrada do Bernardo Sousa veio repor os níveis anteriores de expectativa sobre o campeão? Acho que ficou tudo mais ou menos igual. A diferença deste ano para o ano passado não é muito grande. Nós, o ano passado, chegamos ao Pico na liderança do campeonato e a discutir o campeonato até ao fim. Saiu um grande piloto e entrou outro grande piloto, e, por isso, nunca tive a vida facilitada.  Tem sido uma época dentro das suas expectativas ou não? Tem sido. Nós já sabíamos que ia ser um ano bastante complicado para nós. Sabíamos que a concorrência iria ser cada vez mais forte, independente daquilo que já falamos de o Bernardo não ter um conhecimento muito aprofundado das classificativas. Além de ser um piloto com um nível bastante alto, está inserido numa equipa com recursos financeiros muito grandes, ao contrário da nossa. Mas, por aquilo que temos vindo a fazer e face aos recursos que temos disponíveis, acho que todos temos feito um grande campeonato. Estamos a chegar ao fim e mantemos a possibilidade de ainda sermos campeões regionais. Temos superado as nossas expectativas.  João Patrício "Se a FTE deixar de apoiar? Terei de parar..." Fala-se que a Fábrica de Tabaco Estrela (FTE) irá terminar ou diminuir os apoios que tem vindo a conceder aos ralis e aos pilotos que tem patrocinado. Sendo o Luís Miguel um piloto apoiado pela marca Além-Mar, aliada àquela fábrica, já recebeu alguma comunicação sobre o que vai acontecer em 2019? De facto estas informações vieram a público, mas não vieram por parte da Fábrica de Tabaco Estrela (FTE), mas, essencialmente, nas redes sociais. O que é um facto é que  enquanto piloto do Team Além-mar não tive qualquer informação neste sentido, antes pelo contrário.  As conversações/negociações para a nova(s) época(s) só acontecem no fim do campeonato. Este ainda não acabou e até agora não temos qualquer informação que confirme os rumores que por aí andam. Espero que sejam apenas rumores porque o Team Além-Mar é um parceiro muito importante, não só do Luís Miguel Rego e do Ricardo Moura, mas também do Campeonato dos Açores de Ralis, porque apoia várias provas do nosso campeonato. É um parceiro que contribuiu, ao longo destes anos, para a evolução da modalidade nos Açores. Espero que o Team Além-Mar continue em força a lutar pelas vitórias e pelo Campeonato dos Açores, tal como neste ano.  E se se concretizar a retirada dos apoios da tabaqueira regional, o que pensa fazer em 2019? Sinceramente não tenho qualquer plano “B”. O meu plano “B” é parar, porque o Team Além-Mar é um dos meus principais patrocinadores. Ainda assim, mesmo não tendo as condições que os meus adversários têm, as que eu tenho é que me permitem continuar. Será muito difícil correr para o ano a este nível. Tenho de ouvir é aquilo que os responsáveis pela FTE me dirão. Até agora não me foi comunicado nada, e, por isso, não devo estar preocupado com especulações. Tenho de me focar nestas duas provas que faltam para cumprir o campeonato e depois preparar o ano de 2019. "Faltam pilotos jovens" Há quem advogue um campeonato onde apenas pontuariam os concorrentes com viaturas de duas rodas motrizes. É o futuro para haver uma renovação do parque automóvel de competição, criar mais entusiasmo, ou é um cenário fora de questão? Sou um bocadinho suspeito a falar nisso. A minha formação inicial foi feita em carro de duas rodas motrizes (2RM), mas quando comecei a correr nos ralis passei logo com um carro 4 por 4, ou seja de tração total. Não faz muito sentido só haver carros de duas rodas motrizes (2RM) a pontuarem para o campeonato. Além disso, os carros de duas rodas motrizes hoje em dia também já têm custos bastante elevados. Se o intuito é reduzir custos, não será com as viaturas de tração às duas rodas. Esses carros mais evoluídos e mais competitivos que surgem ultimamente no mercado já são bastante dispendiosos. Só para ter uma ideia, um carro de topo de 2RM custa entre os sessenta e os oitenta mil euros. É mais caro até que um Mitsubishi 4x4 usado e que ainda anda no mercado. Além do mais, é preciso também ter a ideia de que o espectáculo também conta. Ora, uma viatura com tração às duas rodas não consegue proporcionar o mesmo espectáculo do que um 4x4. Mas o parque automóvel é muito antigo e não há jovens pilotos... É uma realidade que o nosso parque desportivo está um bocadinho envelhecido. Se os pilotos que neste momento têm um carro de duas rodas motrizes pudessem trocar por carros da nova geração já o tinham feito. Não trocam porque os carros são caros. Se aparecessem mais alguns pilotos o campeonato tornar-se-ia mais competitivo. Mas, a verdade, é que não tem havido renovação nos pilotos. Os mais jovens a correr sou eu (28 anos de idade) e o Rafael Botelho (24) e não temos mais ninguém. Isso é uma preocupação de quem vai garantir a modalidade no futuro. Temos de nos preocupar em criar condições para entrarem novos pilotos, inseridos em troféus que possibilitariam terem carros com preços significativamente mais baixios, apoiados com alguns prémios monetários para incentivarem a sua entrada, a exemplo do que se passa no "nacional", em Espanha e por aí fora. Limitar as nossas provas aos carros de duas rodas motrizes não vai chamar mais gente para a estrada.
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Categorias: Desporto

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