Açores promovidos no coração da Europa através da fotografia

Dez fotógrafos açorianos promovem em Bruxelas que decorre ao longo desta Semana Europeia das Regiões uma exposição no musée des Beaux Arts, le BOZAR, que é muito visitado. A mostra, que tem curadoria do professor, pintor e escritor Tomaz Borba Vieira, conta com a participação António Araújo, Carlos Mendes, Eduardo Costa, Fernando Resendes, Luis Godinho, Nuno Sá, Pedro Silva, Pepe Brix, Rui Vieira e Sérgio Ávila, cada um com dois registos fotográficos de uma das nove ilhas do arquipélago, sobre ambas as componentes do património cultural e também sobre o Mar. Algumas das fotos reproduzimos aqui. Na abertura do catálogo, o Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas escreve: “2018 foi consagrado o Ano Europeu do Património Cultural, o que é bastante revelador, sobretudo na época que a Europa atravessa, da pertinência do património cultural para o incremento de um sentimento de pertença a uma identidade europeia, para o fomento da diversidade e do diálogo intercultural. Wim Wenders refere que a alma da Europa encontra-se nas suas regiões, nos “lugares onde a fala tem um sotaque particular. Lugares onde existe um clima próprio. Onde a cozinha tem aromas especiais. Onde os mercados vendem frutos e legumes locais. Onde a luz é particular”. Adianta que a Europa precisa das suas regiões, do seu núcleo, defendendo que o caminho se encontra na “cultura. Na soma das suas culturas regionais”. É na senda deste ser o Ano Europeu do Património Cultural e reconhecendo que importa divulgar os Açores também através da sua cultura, que o Governo dos Açores promove, na Semana Europeia das Regiões e Cidades, a exposição fotográfica Terras no Meio do Mar. Por outro lado, ao recorrer à fotografia almeja-se reconhecer e contribuir para a difusão de fotógrafos açorianos e/ou residentes nos Açores, alguns premiados a nível nacional e internacional. Trata-se, pois, de uma exposição com a participação de dez notáveis fotógrafos, um para cada uma das ilhas e outro para registos alusivos ao mar, e com curadoria de Tomaz Borba Vieira - a quem deixo o meu profundo agradecimento – e que, desde logo, definiu que a exposição estaria centrada no património cultural material ou natural e na componente humana. Raúl Brandão quando visita as ilhas dos Açores, em 1924, escreve que “aqui acabam as palavras, aqui acaba o mundo que conheço”. Os Açores já não são as ilhas desconhecidas de Raúl Brandão. Ainda assim, acreditamos que continua a importar dar a conhecer, valorizar e promover esta que é, fazendo uso do dizer de Machado Pires (1989), a fronteira cultural mais ocidental da Europa. Neste caso, através da fotografia. E se, como nos refere Susan Sontang (2017, p. 12), “fotografar é apropriamo-nos da coisa fotografada”, o espectador ao contemplar estes instantes de “congelamento do tempo” pelo olhar de cada um dos fotógrafos, é convidado a testemunhar e a contemplar estes instantes: seja uma paisagem, seja um momento em que alguém participa nela, seja um gesto cristalizado, seja um retrato das nossas gentes”.
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Autor: CA

Categorias: Regional

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