Vânia Dilac é considerada o furação dos Açores que pode ganhar The Voice

Como foi a experiência da prova cega? Que sensação teve ao ver quatro cadeiras voltadas na sua direcção? A prova cega em si é um momento de muita tensão, até porque ocorre no final de um dia muito longo e cansativo. O mundo da televisão é bastante exaustivo e quando subimos ao palco há sempre a sensação de, eventualmente, nenhuma cadeira se virar; então os nervos começam a acumular-se. Claro que me ajudou muito o facto de a Aurea ter tocado de imediato no botão, mas quando chegou ao final e vi que tinha os quatro mentores a olhar para mim senti algo que não sei explicar. Naturalmente que tenho alguma experiência a cantar, mas nunca me tinha testado fora dos palcos dos Açores e dos Estados Unidos da América num registo como este que é completamente diferente do meu, em que estou a ser avaliada por pessoas do mais alto gabarito como é o caso os mentores. Fiquei surpreendida com a reacção, mas – acima de tudo – este momento acabou por validar muito o esforço de muitos anos de trabalho na música. Aquele momento compensou-me de muitas maneiras e foi sem dúvida uma ocasião que vou gravar para o resto da minha vida. Qual será o passo seguinte no programa? Nós vamos, agora, gravar as ‘batalhas’, a seguir o ‘tira-teimas’ e depois passamos às galas em directo, às quais eu gostava de chegar, naturalmente! Que expectativas tem para trabalhar com o Anselmo Ralph? Eu escolhi o Anselmo pela visão do espectáculo que considero que ele tem. Naturalmente que em termos musicais não é o cantor com quem mais me identifico. Toda a gente esperava que eu escolhesse a Aurea, mas o coração disse-me para ir por outro caminho por forma a estar fora da minha zona de conforto. A Aurea canta o meu registo e eu quis testar-me noutros níveis. Por outro lado, trabalhar com o Anselmo é bastante fácil! Ele é muito exigente e muito perspicaz e tem muito a noção do espectáculo como um todo e não só de uma actuação, mas é ao mesmo tempo uma pessoa que nos dá muita liberdade para não perdemos a nossa característica enquanto artistas. Ele respeita as características da pessoa e trabalhar com ele tem sido simples, porque ele é uma pessoa extremamente simples, humilde, diz o que sente e está muito disposto a ouvir-nos! Que grau de competição se vive na sua equipa? A equipa é muito forte. Eu vejo muitos cantores experientes este ano no The Voice Portugal, pessoas que já têm carreiras com uma dinâmica diferente daqueles que estão agora a começar. A equipa tem alguns elementos mais fortes e outros nem tanto, mas eu vou ser honesta: eu não sou a melhor cantora! Na equipa do Anselmo há uma pessoa que considero que seja melhor cantora do que eu em termos técnicos. Porém, não é só isso que conta mas também a forma como se faz o espectáculo e como se transmite isso mesmo às pessoas. Estou muito focada em ter os pés assentes na terra, em fazer o meu melhor e em não falhar. Porém, vejo a vitória como algo muito distante! Para mim, de momento a vitória a alcançar é passar as ‘batalhas’ e o ‘tira-teimas’ e ir gerindo a minha presença neste programa dia-a-dia. A competição está ao mais alto nível, há muito boas vozes em todas as equipas! Que evolução poderá advir para a sua carreira da participação neste programa? Eu já evoluí muito! Só o facto de cantar fora da minha zona de conforto para um público que nunca me tinha ouvido e ver aquela reacção foi muito positivo. Percebi que, efectivamente, as pessoas consideram alguma coisa de especial em mim. Além disso, no programa tenho aulas de canto, de coreografia, entre outras. Portanto, espero cantar melhor, apresentar um espectáculo com mais qualidade, perceber um pouco o que é a televisão, o que é o público e o que ele espera de mim enquanto artista. Naturalmente que o The Voice Portugal é uma montra e agora grande parte de Portugal já ouviu falar da Vânia e vai ouvir mais, porque felizmente passei esta fase e nunca se sabe que oportunidades surgem destas situações! Portanto, o The Voice Portugal é a montra que eu precisava para alavancar a minha carreira, porque sempre tive este ideal. Gosto muito de cantar nos Açores e ainda há ilhas onde tenho que ir cantar, mas quero cantar em Portugal continental. Por exemplo, eu fui cantar um mês aos EUA, vou para Espanha, Toronto, entre outros países, e em Portugal continental ainda não cantei! Espero que de facto esta seja a oportunidade de mostrar o meu trabalho para que possa mostrar um pouco daquilo que consigo fazer! São Miguel é um obstáculo para desenvolver a sua carreira da forma que pretende? Os Açores não são um obstáculo, mas naturalmente que a insularidade não favorece e há pormenores como o transporte que ficam prejudicados, por exemplo. É mais difícil chegar lá, pois viver nos Açores implica um desgaste maior que eu sinto; é muito mais cansativo. É neste sentido que o digo, mas as minhas ilhas são as minhas ilhas e ninguém mas tire! Vivo nos Açores e vou ser sempre dos Açores. Não há dúvidas quanto a isso. Mas eu precisava de ir para fora dos Açores, a verdade é esta! Eu não sou natural dos Açores, nasci em Moçambique, mas sou filha de um açoriano e vim para cá com três anos. Por isso, sou, sim, açoriana! Antes de dizer que sou portuguesa digo que sou açoriana! É um orgulho levar o nome dos Açores mais longe? Sem sombra de dúvida! Estou sempre a falar dos Açores no programa e sou a concorrente dos Açores, isso eu garanto! No programa dizem que eu sou o furacão dos Açores! Tem já uma carreira de 23 anos na música. Como começou a mesma? Eu comecei a cantar na Igreja Evangélica aos cinco anos e rapidamente comecei a cantar num coro infantil. Era muito tímida e não tinha projecção nenhuma. Entretanto, aos 14 anos comecei a tocar guitarra e a criar algumas músicas. Então o responsável pelo coro apercebeu-se disso e convidou-me para cantar num coro clássico. Mais tarde, criamos um pequeno grupo de gospel dentro da igreja e aí já tinha mais oportunidade de me expandir. Produzi também uma série de musicais de gospel, fiz pequenas actuações com o grupo da igreja e tudo isso fez crescer em mim um bichinho muito grande! À medida que este foi crescendo foram aparecendo outras oportunidades. A certa altura resolvi participar num concurso de karaoke, que na altura se realizou na Ribeira Grande, e o Luís Alberto Bettencourt ouviu-me neste programa. Então ele convidou-me a participar no “Perfume das Ilhas” e levou-me ao Coliseu Micaelense para abrir o espectáculo com dois temas. A partir daí começaram a chover convites e conheci o Zeca Medeiros, o Aníbal Raposo, entre tantos outros. Em simultâneo a tudo isso, fui sempre actuando em bares, restaurantes, casamentos e discotecas, mas à medida que a carreira se foi afirmando a outros níveis fui deixando tudo isso e tive mesmo que escolher o que queria a nível musical, até por uma questão familiar e por ter que conciliar a música e a família com o trabalho! Então escolhi apenas aquilo que me poderia valorizar enquanto artista. Mais tarde criei os Magma Gospel e entrei num projecto com a Banda Fundação Brasileira, por exemplo. Daí começaram a surgir outros convites e oportunidades, como com o Paulo de Carvalho e o Jorge Palma. Acho que foi um processo natural e neste momento considerei que estava com a maturidade suficiente e que o meu filho estava crescido o suficiente para aguentar este embate. Assim sendo, entrei numa aventura diferente para me testar a outros níveis! A sua vida não é feita a 100% da música, pois não? Nem totalmente, nem a 5%. É impossível! E eu nem canto por esperar receber o que quer que seja, faço-o por amor à camisola, para me valorizar como artista e chegar a outros palcos, o que finalmente consegui agora! Sou governanta geral do Hotel Azor, e tenho uma equipa de 32 pessoas. Formei-me em Produção Industrial; estou neste momento numa área um pouco diferente da minha, mas sem bases não se chega lá, pois tenho um filho, uma casa e uma vida. Desta forma, a música é um privilégio para mim, não digo que seja um hóbi, mas sim um privilégio!
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