Eduardo Ferreira lança no mercado nova imagem da aguardente “Velhíssima” e pensa lançar vodka feita com batata

Deve ser já no Natal que a Fábrica de Licores Eduardo Ferreira e Filhos, Lda, vai lançar no mercado a nova imagem da mais emblemática aguardente: a Velhíssima. A nova imagem consiste numa nova garrafa que será comercializada numa caixa em madeira de criptoméria “numa apresentação digna que represente a nossa Região”. Eduardo Ferreira explica que a aguardente Velhíssima actualmente está a ser rotulada “numa embalagem de menor qualidade e merece uma garrafa de qualidade superior” já que é um dos ex-libris da fábrica que tem os licores como principal produto mas que já diversificou a oferta, apostando quer nos gins quer no rum. “Na nossa Região temos tudo para produzir produtos de alta qualidade. É preciso querer produzir coisas boas e só produzimos com produtos da Região”, explica o empresário Eduardo Ferreira que é também proprietário da marca Mulher de Capote e Licores do Ezequiel. A qualidade é elevada, confirma o proprietário que garante que este ano a Fábrica de Licores vai concorrer a nível internacional com a aguardente Velhíssima, mas também com o Licor de Maracujá, por várias vezes premiado, e com o creme de whisky que é fabricado com leite da Região. “E não tenho dúvidas nenhumas de que vamos ganhar porque temos matéria-prima de alta qualidade e porque tudo tem de ter qualidade, caso contrário não serve”, explicou o empresário. Outro dos projectos que a Fábrica de Licores pretende lançar em breve é uma vodka feita a partir de batata. “Penso que será uma boa alternativa para a nossa Região, porque por vezes temos excedentes de batata e não sabemos o que fazer com ela. Temos uma solução, produzir na Região uma vodka com a nossa matéria-prima”, explica Eduardo Ferreira que acredita que o novo produto terá sucesso tal como as restantes bebidas que tem lançado no mercado. Mas o sucesso maior que o empresário pretende é exactamente conseguir aquilo por que já se tem debatido há cerca de 10 anos e conseguir apoios para a produção de cana-de-açúcar e para a diminuição do imposto sobre o álcool, tal como as restantes Regiões Ultraperiféricas da União Europeia têm vindo a beneficiar. Eduardo Ferreira, que tem uma pequena produção de cana-de-açúcar na Região, pretende aumentar a produção para conseguir matéria-prima suficiente para dar resposta à produção de rum que também já tem. “O que acho é que estamos a perder tempo. Ou seja, actualmente tenho mercados que não consigo satisfazer porque não tenho produção própria. Não estou a pedir nada de mais, só queria ter os mesmos apoios que Martinica, Guadalupe, Madeira e Canárias têm porque mercado eu tenho”, explica o empresário. Eduardo Ferreira acrescenta que tem vindo a perder negócios relativamente ao rum “porque não estou a exportar porque não tenho a matéria-prima” e o mercado cabo-verdiano no continente “estou a tentar satisfazê-lo com matéria-prima importada da Madeira que podia ser produzida aqui”. O empresário ressalva que a cana-de-açúcar traz grandes vantagens para os Açores “porque vamos cultivar terrenos que ninguém utiliza e que estão praticamente abandonados e, além disso, não há perca nenhuma. É tudo uma mais-valia” já que o excedente, por assim dizer, da cana-de-açúcar pode ser usado como alimento para o gado bovino. “O que acontece é que 30% da cana, que serve para alimentar vacas, é 10% mais barato do que aquilo que se importa. Quero ajudar os agricultores e o apoio que estou a pedir não é para mim, é para os agricultores e produtores de cana”, referindo também que o Governo Regional também ficaria a ganhar pois não teria de despender tantos milhões aquando de secas para que se adquirisse alimento para o gado. “Mas temos que investir a sério, não pode ser com a maquineta pequena que tenho, e temos que ter pelo menos os mesmos apoios que os outros têm, senão estamos em pé de desigualdade, mas mesmo assim vamos para a frente”, garante o empresário que fala também no imposto sobre o álcool que nos Açores é pago a 100% quando a Madeira e Martinica “pagam 25% e isto não é correcto”. Confiante que “vou marcar os Açores como potencial produtor de rum e produtor de rum de alta qualidade”, Eduardo Ferreira espera que a visita do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, e do Director Regional do Desenvolvimento Rural, Valter Braga, possa acelerar o processo para daqui a alguns anos “estarmos aqui a celebrar”. Apoios só para 2020 Por seu lado o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, lembrou que em 2017 o Governo introduziu uma alteração do POSEI onde tornou possível uma ajuda à cultura da cana-de-açúcar. E embora não haja nos Açores uma tradição recente deste tipo de cultura na Região o executivo regional mostrou-se disponível para rever a situação dos apoios no âmbito do POSEI a esta cultura. No entanto, tal só será possível em 2020 referindo João Ponte que irá dar orientações ao Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel no sentido de acompanharem a cultura da cana-de-açúcar, “de modo a perceber melhor o que são os rendimentos e os ciclos produtivos, informação que será importante para se encontrar, no âmbito da revisão do POSEI, um valor que seja justo e compatível” com esta cultura. Para o Secretário Regional, importa também estudar as vantagens que possam existir do ponto de vista da produção de cana de açúcar nos Açores e as mais-valias enquanto complemento à criação de gado bovino. O Secretário Regional da Agricultura e Florestas destacou o percurso de crescimento, a inovação e a aposta na qualidade que a Fábrica de Licores Eduardo Ferreira e Filhos, Lda. tem vindo a fazer ao longo dos anos, considerando-a um exemplo no contexto empresarial regional.
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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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