“Embora tenha casa em Lisboa, São Miguel é, sem, dúvida um local onde me sinto feliz.”

Pedro Guedes, o nosso entrevistado de hoje, teve a oportunidade de chegar a Comissário de Bordo, uma profissão que lhe proporcionou a oportunidade de visitar cerca de 40 países, mormente os EUA, Dinamarca, Suécia, Canadá, Cuba, Arábia Saudita, vários países em África, França, Espanha, Brasil, Argentina ou Paquistão, conhecendo, assim, várias culturas e lidar com diferentes tipos de pessoas, o que lhe permitiu crescimento pessoal e de dar a conhecer os Açores ao mundo e de trazer os açorianos de volta a casa. Como repórter televisivo teve a oportunidade de entrevistar várias personalidades, não só nacionais, como internacionais em várias áreas desde a música, dança, teatro, cinema, desporto. À pergunta como vê os Açores hoje, Pedro Guedes diz que sente que existem algumas diferenças desde que cá chegou, pois é notável o desenvolvimento turístico sentido na Região, bem como a abertura de novos espaços comerciais, não sendo só direccionados para o turismo, mas também para os residentes. Vive-se um rejuvenescimento da cidade de Ponta Delgada onde ainda tem mais gosto em passear e residir. A beleza das ilhas continua presente, apenas com mais qualidade. Correio dos Açores - Porque passaste das áreas de engenharia da Qualidade para a profissão de Comissário de Bordo? Pedro Guedes - A área da engenharia da Qualidade é a formação superior que escolhi e na qual tive oportunidade de trabalhar e de ser formador. É uma área directamente relacionada com o cliente de forma a satisfazer os seus requisitos e exceder as suas expectativas. Irá ser sempre uma área presente na minha vida. No entanto, surgiu a oportunidade de exercer a profissão de comissário de bordo com a qual logo me identifiquei. São áreas que se complementam uma à outra e estou a adorar estar presente no conforto e segurança dos passageiros. A carreira de comissário de bordo chama a atenção de quem sonha em viajar pelo mundo e conhecer novos lugares. Concordas com esta afirmação? Sim, concordo com a afirmação. Até ao presente já tive oportunidade de visitar cerca de 40 países, conhecer várias culturas e lidar com diferentes tipos de pessoas, o que me permitiu crescimento pessoal. No entanto, a profissão de comissário de bordo ultrapassa só o conceito de viajar. É uma profissão que exige grande capacidade de adaptação e comunicação. Também exige disponibilidade para longos períodos de ausência no exterior e, obviamente, boa apresentação e postura, simpatia e educação. É necessário ter facilidade em lidar com o público sempre com um atitude positiva e pró-activa,de forma a alcançar os mais altos níveis de satisfação do passageiro. Para além disso, tenho a oportunidade de dar a conhecer os Açores ao mundo e de trazer os açorianos de volta a casa. É uma carreira exigente e com grandes responsabilidades? Porquê? Sim, é uma profissão que exige muita responsabilidade pois zelamos pela segurança e conforto de todos os passageiros. É necessário ter algumas competências, nomeadamente ser simpático, responsável, paciente, ter boa comunicação e saber trabalhar em equipa. Temos também que estar preparados para lidar com situações menos agradáveis e para tal, somos constantemente instruídos para actuar em eventuais casos de emergência em primeiros socorros, combate a incêndios e técnicas de sobrevivência. Como lidas com o jetlag? Não vejo o jetlag como um problema, lido de forma tranquila porque valorizo bastante o meu descanso e adapto-me facilmente ao fuso horário do país que estou a visitar. Como foi a sua experiência a trabalhar em outros países? Ao longo da minha carreira de comissário de bordo, já tive oportunidade de visitar alguns países nomeadamente EUA, Dinamarca, Suécia, Canadá, Cuba, Arábia Saudita, vários países em África, França, Espanha, Brasil, Argentina, Paquistão... Nestas curtas estadias consegui absorver algumas vivências e tradições integrando-me na realidade dos residentes. Considero-me um privilegiado por ter a oportunidade de conciliar a minha profissão com o prazer de viajar. Como repórter televisivo, que trabalho mais satisfação lhe deu? Foi sem dúvida uma das grandes experiências profissionais já vivida, onde tive a oportunidade de preparar entrevistas e representar os Açores na nossa televisão. A maior concentração dos eventos cobertos era na ilha de S. Miguel, onde pude interagir com diferentes freguesias e cidades, permitindo-me conhecer bastante bem a realidade micaelense. No entanto, um dos trabalhos que tive mais gosto em realizar, foi conhecer as 9 ilhas magníficas do arquipélago experenciando as tradições quer sociais, culturais ou gastronómicas de cada uma. O programa Açores VIP, embora mais presente na ilha de S. Miguel, era bastante rico em informação sobre as várias ilhas. Na minha opinião faz falta a nossa televisão açoriana. Ainda hoje algumas pessoas me reconhecem desse trabalho e deixa-me sempre com muita saudade. Tive também a oportunidade de entrevistar várias personalidades não só nacionais como internacionais em várias áreas desde a música, dança, teatro, cinema, desporto... O teu trabalho como formador foi uma mais valia para a tua experiência profissional? Foi mais uma experiência profissional que ainda continuo por vezes a realizar e sempre tive bastante curiosidade. Ser formador não é só passar o conhecimento prático e teórico mas também coleccionar experiências de vida. Tive a oportunidade de leccionar unidades de formação na área da Gestão da Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança no Trabalho e Organização Empresarial não só em instituições regionais como nacionais. Os Açores foram uma opção ou um acaso? Os Açores surgiram numa nova oportunidade profissional, ao qual surgiu uma grande paixão. Desde logo me identifiquei com o estilo de vida açoriano sendo impossível não nos rendermos a esta qualidade de vida. Como vês os Açores hoje? Sinto que existem algumas diferenças desde que cheguei. É notável o desenvolvimento turístico sentido na região, bem como a abertura de novos espaços comerciais não sendo só direccionados para o turismo mas também para os residentes. Vive-se um rejuvenescimento da cidade de Ponta Delgada onde ainda tenho mais gosto em passear e residir. A beleza continua presente apenas com mais qualidade. Da tua experiência a lidar com turistas, porque razão eles pretendem visitar o arquipélago? Chegam sempre com bastante curiosidade sobre a região e partem com muita vontade de voltar. É sempre com grande sorriso e satisfação que os turistas falam dos Açores. Adoram o nosso verde, as nossas lagoas e a nossa comida. Apreciam a nossa variedade em termos turísticos desde praia, águas quentes, natureza, actividades radicais e turismo rural. Muitos deles, exprimem grande vontade em conhecer as outras ilhas do arquipélago já que Santa Maria encanta pelas suas praias de areia clara, São Miguel pelas suas lagoas e o seu cozido das furnas, Terceira pelas suas festas e a histórica cidade de Angra, Pico pela sua montanha e os seus vinhos, São Jorge pelas suas fajãs e o seu queijo, Graciosa pelas suas queijadas e pelos seus moinhos de vento, Faial pelo seu vulcão dos Capelinhos e pela sua colorida marina, Flores pelas suas cascatas e natureza virgem e a mais pequena Corvo pela sua simplicidade e a sua caldeira. É um privilegio para mim conhecer todas estas ilhas, vivenciar esta beleza inconfundível que faz com os turistas se apaixonem pela região. Qual a avaliação que os turistas fazem da sua estadia nos Açores? No geral, a avaliação dos turistas é sempre bastante positiva. Dão muito valor à nossa natureza, ao facto de estar sempre tudo limpinho e organizado. Referem também que as pessoas são bastante afáveis e sabem receber. Mostram sempre vontade de regressar. Tens percorrido o mundo. Qual o local ideal que escolherias para viver? Já vivi em Espanha, Inglaterra e actualmente nos Açores. Sou um apaixonado pela vida. Adapto-me facilmente aos lugares, embora seja bastante citadino e goste de movimento. Conto sempre com o apoio da minha família e amigos que estão sempre presentes. Valorizo bastante estes pilares e embora tenha casa em Lisboa, São Miguel é, sem dúvida, um local onde me sinto feliz e em casa.
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