9 de dezembro de 2018

O perigo dos bairrismos

1- Os fundadores da Autonomia Democrática sempre entenderam que o êxito de tal projecto político dependeria da unidade entre todos os Açoreanos e de todas as Ilhas, porque tendo em conta o passado histórico do Arquipélago, fácil é reconhecer que, juntos valemos muito, mas divididos, valemos quase nada.
2- A unidade conseguida nas últimas quatro décadas teve por base o denominado desenvolvimento harmónico social, económico e cultural de todas as Ilhas, sem esquecer as características próprias de cada uma delas. 
3- Em termos gerais, todas as Ilhas são iguais no que toca à educação, à saúde e às acessibilidades, através dos portos e aeroportos, além do acesso e do usufruto das infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento social, cultural e económico.
4- Apesar disso, cada Ilha está condicionada pela população que tem, pelos recursos que dispõe e pela iniciativa de cada comunidade. 
5- O seu crescimento depende da forma como consegue ultrapassar os constrangimentos que a natureza arquipelágica impõe, e pela solidariedade que foi crescendo e existe desde a implantação do regime autonómico garantido pela Constituição de 1976.
6- Assiste-se agora ao ressuscitar do bairrismo doentio de outrora, responsável pelo divisionismo que deixou as Ilhas no limbo do esquecimento, e que foi precioso para o poder central usar e abusar dos que cá estavam.
7- Há juízos injustos que se fazem contra São Miguel, por ser a ilha maior e por se pensar que ela vive e cresce, por concentrar poder e recursos que deixam de ser aplicados noutras Ilhas. 
8- Nada mais falacioso. São Miguel paga para que todas as ilhas tenham preços de serviços, matérias-primas e outros produtos essenciais ao mesmo preço, numa política de justa distribuição, iniciada nos finais da década de setenta. Aqui cabe, para exemplificar, o preço da energia eléctrica, dos transportes marítimos e dos combustíveis.
9- Os bairrismos são parentes do populismo, e bastou umas notas publicadas em livro pelo ex-embaixador dos Estados Unidos da América, e que é agora Presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco, indicado pelo Fundo Americano Lone Star, e que certamente contou com os seus bons serviços para que se realizasse a compra do banco nos termos em que se conhece, para que da Terceira se lançassem suspeitas sobre São Miguel.
10- O ex- Embaixador refere no seu livro que: além da situação pessoal dos funcionários, da Base das Lajes havia preocupação com os efeitos negativos sobre a economia da ilha. Também aí foram tomadas medidas, que parecem ter produzido algum resultado. “O turismo, certamente, aumentou”, diz Sherman, acrescentando depois, entre outras coisas que, 
11- “Criou-se um voo direto da Delta Air Lines para Ponta Delgada. A nível da tecnologia, há oportunidades para fazer mais no lançamento de micro satélites.”. 
12- Como se recordam, a vinda da Delta Air Lines para Ponta Delgada gerou muita discussão na Terceira, que pretendia e pretende ser incluída no pacote, situação que agora é retomada com legitimidade porque o ex- Embaixador dos EUA apresentou-se como obreiro da operação, em contrapartida do acordo para uso das Lajes pelos americanos.
13- Julgávamos que a opção da Delta Air Lines era meramente comercial, mas pelo que escreveu o ex -Embaixador, ele afinal, foi o milagreiro do crescimento do Turismo na Terceira e pela operação da Delta para Ponta Delgada.
14- Perante o que veio a público, impõe-se que o Governo da Região confirme o que escreveu o ex-Embaixador, ou desminta o senhor Sherman, que se vestiu com louros que porventura não lhe pertencem.
15- Se assim não for, a Terceira terá razão, mas São Miguel não pode ser o “bode expiatório”.
                                                        
 

Print

Categorias: Editorial

Tags:

x
Revista Pub açorianissima