16 de dezembro de 2018

“Um fraco Rei faz fraca a forte gente”

1 - Está aberto o processo de revisão da lei de bases do Serviço Nacional de Saúde, depois do Governo ter aprovado a proposta de diploma a remeter agora à Assembleia da República para discussão e aprovação.
2 - Trata-se de uma lei que respeita à vida de todos os cidadãos, e como tal não pode ser propriedade de nenhum partido político. Assim sendo, torna-se importante que se forme o maior consenso possível entre os vários partidos, sobretudo aqueles que têm maior representatividade parlamentar.
3 - Isso mesmo foi o recado deixado pelo Presidente da República quando instado sobre a matéria disse:
4 - “Penso que uma Lei dessas tem que ser transversal, ter o máximo acordo possível para não mudar de governo para governo. A última vigora há 28 anos e, portanto, isto significa que não é para ser votado por uma maioria durante quatro anos e depois mudada daí a quatro anos, e daí a quatro anos”
5 - Acrescentou ainda que promulgará a Lei se cumprir “os objectivos que acha fundamentais” não hesitando em vetá-la caso ” não cumpra”.
6 - Sabemos que o sector da Saúde é um mundo complexo, onde se movem muitos interesses, alguns deles inconfessáveis, mas, nenhuma pessoa prescinde dos serviços que ele presta e que são garantidos aos cidadãos pela Constituição. 
7 - Assim sendo o Serviço Nacional de Saúde não pode ficar refém da vontade de qualquer partido que seja Governo na ocasião, e, nesse ponto o carimbo de “esquerda”, que foi aposto na proposta de Lei pela Ministra da Saúde, numa declaração pública que proferiu a este propósito, mostra inabilidade política. 
8 - Parece ser a marca dos ministros que entraram na última remodelação do Governo de António Costa. 
9 - Não bastava já a postura da Ministra da Cultura quando teimou em descriminar a taxa do IVA das touradas por ser, no seu douto entender, “uma questão de civilização”. 
10 - O Governo perdeu a face, e a Ministra saiu derrotada.
11 - A Região tem lei própria que enquadra e regula o Serviço Regional de Saúde, mas é preciso precavermo-nos do plágio tão em voga que é fácil e custa pouco.
12 - A Saúde debate-se com inúmeros problemas e para os resolver exige-se sempre mais meios humanos e mais dinheiro. A melhor gestão dos recursos fica sempre na gaveta.
13 - Os custos anuais dos Serviços de Saúde nos Açores, ultrapassam os trezentos milhões de euros anuais. Há bloqueios administrativos e burocráticos que têm de ser ultrapassados de modo a rentabilizar os meios técnicos e humanos existentes.
14 - Aqui também é preciso saber ouvir e saber decidir.
15 - Passando à saúde política, temos a Europa a braços com uma complexa crise, provocada pelo BREXIT da Grã-Bretanha, e pela perda de autoridade do Presidente Francês, depois de ter sido humilhado e vergado pelos chamados “coletes amarelos”.
16 - Os franceses ultrapassaram Camões quando diz “um fraco Rei faz fraca a forte gente”.
17 - O que aconteceu foi que um teimoso, fraco e inexperiente Presidente, tornou forte a forte gente, que reclamou nas ruas por mudanças, exausto que está dos impostos que paga, do custo de vida que cresce desmesuradamente e da desigualdade na distribuição da riqueza.   
18 - Não se adivinha como vai acabar o processo de saída da Inglaterra da União, nem como acaba a crise francesa e o impacto que vai ter na economia da União. Certo é que tais efeitos vão sobrar para os outros Estados-membros. 
19 - Quando não se presta atenção ao que o povo vai dizendo, ele faz-se notar e ouvir pela força e presença nas ruas, que são os meios que tem à mão. 
20 - É livrar da ira dos mansos!

 

 

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Categorias: Editorial

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