20 de dezembro de 2018

A minha vez...

O Natal dos trabalhadores por conta de outrem

 Os funcionários públicos açorianos viram a remuneração complementar actualizada. Os professores tiveram, nos Açores, as suas carreiras na dimensão que pretendiam. A actualização dos salários dos funcionários públicos tem sido uma realidade. A maioria dos patrões começa a sentir os efeitos da recuperação económica através do aumento do consumo, embora haja actividades que foram as primeiras a sofrer com a crise e serão as últimas a sentir os efeitos positivos da recuperação económica, como é o caso das publicações periódicas e dos jornais em particular. Quando a crise aperta, uma das primeiras coisas que se faz é deixar de comprar o jornal. E quando o ciclo se inverte e se entra na recuperação económica, só depois de quase tudo virá a tendência para voltar a comprar o jornal.
 Mas há empresas nos Açores que, na crise, cortaram no ordenado, subsídio de Férias e subsídio de Natal dos seus funcionários e que, presentemente, apesar de já sentirem os efeitos da recuperação económica, ainda não começaram a repor os ordenados dos seus funcionários para os níveis que estavam antes da crise, isto além de terem de fazer repercutir nos salários de todos os trabalhadores o aumento do salário mínimo nacional que, na Região, é acrescentado em 5% por decisão do executivo açoriano.
Já escrevi uma vez e volto a escrever que os trabalhadores por conta de outrem são como se de “escravos da Autonomia” se tratassem.
Na verdade, muitas empresas privadas crescem com apoios financeiros regionais, nacionais e da União Europeia, que em raros casos chegam aos salários dos funcionários. Depois, estas empresas conseguem suportar a crise com o apoio dos funcionários e agora, em que há claros indícios de recuperação económica, não fazem repercutir esta nova tendência na subida dos ordenados dos funcionários.
Infelizmente, têm muito pouca força e são facilmente manobradas as estruturas sindicais que deviam defender os trabalhadores por conta de outrem na Região.
Não temos dúvida nenhuma que é nas famílias destes trabalhadores por conta de outrem que se encontra muita da pobreza envergonhada que está escondida nos Açores. Há padres que, em entrevistas e nas declarações ocasionais, dão sinais de que há muita pobreza e até fome disfarçada na Região e ficam-se apenas por isso. Parece até que receberam orientações da hierarquia para que a Igreja não seja tão interventiva em termos sociais como era antes.
E, pasme-se, começa a ouvir-se falar em fechar a Casa dos Manaias em Ponta Delgada porque, segundo alguns círculos políticos, já não se justifica dar sopas aos mais carenciados na cidade.
O que se quererá, verdadeiramente, é tapar com uma peneira a situação de famílias que necessitam de soluções como a Casa dos Manaias, o projecto São Lucas, a Obra de Madre Maria Clara e tantas outras instituições que alimentam centenas de pessoas pela ilha de São Miguel.
E muitos dos cabeças de casal destas famílias até são trabalhadores por conta de outrem, mas o ordenado está longe de chegar ao fim do mês. E o acrescento do subsídio de inserção social é outra migalha que não é suficiente para que a família viva com o mínimo suficiente... Isto porque viver com dignidade seria viver do ordenado que devia ser suficiente para que a família tivesse um rendimento mensal satisfatório.

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Autor: João Paz

Categorias: Opinião

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