30 de dezembro de 2018

Lembrar o passado e olhar o futuro

1- No termo de mais um ano, é importante avivar a memória do passado recente e não esquecer que há quatro anos atrás o país começava a emergir da asfixia financeira imposta pela Troika, para superar a falência de Portugal deixada pelos governos de José Sócrates entre 2005 e 2011.
2- Na sequência da intervenção externa, as políticas decretadas pelo Governo do PSD/CDS, exigiram enormes sacrifícios a todos os cidadãos empobrecendo as famílias e as empresas e levando à debandada de jovens valores para outros países, na mira de fugirem ao desemprego que atingiu 14,6% em Dezembro de 2011 e 17,3% no final de 2012.
3- Os Açores, no mesmo período, isto é em 2011, apresentavam uma taxa de desemprego de  11,5%, e, no final de 2012, atingiram 15,3%, ou seja tiveram um acréscimo de 3,8%, taxa que foi crescendo até 2014.
4- Já no final de 2015, e os Açores tinham uma taxa de desemprego médio de 12,8%, comparativamente com a taxa média do país que era de 11,1%, o que apesar da austeridade vivida, significa que a economia nacional estava em franca recuperação, impulsionada pelas exportações e pelo crescimento do turismo.
5- As eleições de 2015 ditaram, como se sabe, uma mudança de Governo na República que apostou no aumento do consumo e no uso dos fundos comunitários para impulsionar o crescimento económico e baixar o desemprego.
6- As políticas económicas e financeiras tiveram efeitos positivos no rendimento das famílias e no crescimento da economia, no aumento das receitas fiscais e na baixa do desemprego. 
7- Igual tendência se verificou nos Açores pelo impulso do turismo mercê da liberalização do espaço aéreo para São Miguel e Terceira. 
8- O Governo da República, suportado pela” geringonça”, teve dois anos de graça plenos pelas boas obras que fez, restituindo direitos que haviam sido retirados pela Troika. 
9- Mas isso não significou melhor Estado. As falhas são públicas e são de impossível enumeração neste espaço. 
10- O que o Governo central semeou está agora a colher, mas essa colheita, a avaliar pela agitação social que houve no ano que termina, e por aquilo que está programado para 2019, prefigura um ano de enorme contestação, tudo isto porque o bodo acabou.
11- O Governo da “geringonça” contou e conta ainda com um grande aliado para 2019, Marcelo Rebelo de Sousa.
12- O Presidente da Republica é quem marca a agenda política e quem governa, não pelo poder constitucional que tem, mas pela palavra que usa com mestria. 
13- O país está-lhe grato e o Governo não tem outra alternativa senão fazer de conta.
14- Tudo isto serve para lembrar que houve um antes, que foi criado até 2011. Um durante a crise que durou até 2015, e um depois iniciado com o governo do PS no final de 2015 e que entra no último ano de mandato. 
15- A Região termina o ano com uma boa colheita resultante do turismo, com projectos privados em carteira que apontam para um incremento do sector, mas com reformas estruturais na gaveta.
16- Os alertas vão para o endividamento da Região, para a falta de eficiência nos serviços de saúde, para o flagelo da pobreza e para o deficiente aproveitamento escolar. 
17- Os empresários privados precisam de ser instados para uma organização forte, capaz de juntar capacidade, saber e vontades, habilitando-os a serem parceiros num modelo económico que privilegie o investimento na indústria como motor de estabilidade económica e criação de empregos duradouros.
18- Apesar dos sinais positivos que existem, a Região tem fragilidades que é preciso resolver para evitar males maiores e fazer face à instabilidade global a que estamos expostos, particularmente ao que se vai passar na União Europeia em 2019. 
19- Bom Ano Novo e que não falte a saúde e a paz para vencer os obstáculos que, naturalmente, iremos encontrar. 
                 
            
 

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Categorias: Editorial

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