3 de janeiro de 2019

2019 não vai ser um ano igual a outros

 Andam quase todos a dizer e escrever que 2019 “é mais do mesmo” nos Açores no sentido de que será um ano igual aos outros. Nós não temos esta opinião. 2019 vai ser um ano diferente. Criam-se novas esperanças e novas expectativas e há uma vontade tremenda de fazer melhor e obter melhores resultados.
Está na génese do ser humano querer fazer melhor, tomar as melhores opções, adoptar a decisão mais correcta.
É verdade que os Açores precisam de políticas mais justas e políticos mais justos e menos politiqueiros na acção governativa. Estes políticos não duram sempre, as suas acções injustas ficam registadas na história da Autonomia e nós vamos continuar no jornalismo a vê-los passar.
O ano começa com alguns aumentos de preços e a decisão muito discutível do Governo dos Açores de reter impostos do IVA e do ISP para aumentar as receitas do Orçamento da Região em vez de baixar ainda mais o preço das gasolinas, do gasóleo e do gás. O governo açoriano retira, assim, dinheiro ao orçamento familiar, para reforçar o seu Orçamento para 2019 com objectivos que não explica. E este governo tem grande dificuldade em explicar muito do que faz.
O Ambiente vai ganhar com 2019. Está decidido que vai haver, no próximo Verão, um controlo no acesso à Ferraria. Afasta-se o turismo de qualidade da piscina natural de água quente da Ferraria quando ela está pilhada de pessoas. Não é uma questão de impedir o acesso das pessoas ao mar. É uma questão de manter o mínimo de condições higiénicas naquele espaço.
Vai haver também um controlo no acesso das pessoas à Lagoa do Fogo. É uma medida necessária que deve ser acompanhada de trabalhos, antes de Junho, do arranjo de um dos trilhos mais ‘queridos’ de São Miguel.
Vai aumentar o número de turistas que vão visitar os Açores e é fundamental ter reguladas as zonas mais sensíveis da paisagem açoriana. E é importante começar a pensar já nas Flores e em São Jorge.
A propósito, o economista Gualter Furtado deixou-nos uma sugestão, na entrevista de final de ano que concedeu ao ‘Correio dos Açores’ que consideramos determinante. Deve ser limitado, por uma questão de Estado, o espaço das ilhas a vender a estrangeiros, sobretudo, e se possível, as zonas turísticas mais vulneráveis que são mais fáceis de defender nas mãos de açorianos impedindo o que Américo Natalino de Viveiros já escreveu: “a gula do lucro” que tudo destrói e corrompe.
A frota de aviões ‘neo’ da Azores Airlines vai ser reforçada e a privatização da empresa vai ganhar contornos mais sérios e credíveis. Pilotos, pessoal de bordo, salvo um ou outro que deve ser erradicado, estão mais sensíveis para a necessidade de encontrar a melhor solução para a companhia aérea. E escrevemos erradicados porque é o que, habitualmente, se faz às pedras que nos aparecem no caminho. Não vale a pena querer mudá-las. Temos de as afastar, a todo o custo e contra todos os protestos.
A geotermia vai conhecer novos horizontes nos Açores e a ilha Graciosa é a primeira ilha do mundo a  poder ser abastecida apenas com energia renovável. Esta é uma mensagem que deve ser difundida “aos quatro ventos” para utiliza uma terminologia popular.
Vamos ter melhor Agricultura, com mais leite com padrões de qualidade do topo e precisamos de uma indústria mais moderna preocupada em diversificar os seus produtos em simultâneo com pequenas indústrias familiares que ganham espaço no consumo pela diferença e peculiaridades dos seus produtos.
Na Agricultura, não pode haver medos. E não é admissível que continuem a existir espaços nos Açores por cultivar. Se os seus proprietários não os quiserem cultivar que se adoptem medidas para os obrigar a arrendar ou mesmo a perder estas terras em favor de quem as queira trabalhar.
Na pesca, o peixe, infelizmente, vai ser cada vez mais caro. O aumento do espaço para a exportação de pescado para Portugal continental vai levar a que o peixe fique mais caro nas ilhas. Vai diminuir a oferta de peixe na Região a não ser que se regule a exportação, mantendo determinadas quantidades nas ilhas.
É nosso desejo que 2019 seja também o ano em que se vão dar passos determinantes no combate à pobreza que ainda prolifera na Região apesar do discurso político dizer o contrário. Esta é uma das nossas maiores esperanças.
2018 veio reforçar a ideia de que os Açores são uma Região com pouco poder na política. E outra das nossas esperanças para 2019 é que o poder político genuinamente regional seja reforçado perante forças externas e internas.
É que sem o reforço deste poder pouco ou nada se poderá fazer como tem sucedido nos últimos anos!

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Autor: João Paz

Categorias: Opinião

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