13 de janeiro de 2019

Que fazer com a pobreza?

1- De acordo com os indicadores disponíveis, os Açores têm uma taxa de pobreza que se cifra nos 31% da população. 
2- Significa isso que dos 245 000 habitantes dos Açores, 76 000 constitui a comunidade pobre da Região, sem contar com aqueles que estão no limiar da pobreza, devido aos fracos rendimentos que auferem e às miseráveis reformas de sobrevivência que recebem. 
3- O Governo sinalizou como focos de pobreza com necessidade de intervenção prioritária, Água de Pau, no concelho da Lagoa, Arrifes, no concelho de Ponta Delgada, Fenais da Ajuda e Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, e Terra Chã, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
4- No conjunto das freguesias consideradas para intervenção imediata pelo Governo, a população nelas residente é de 22 880 pessoas. Se aplicarmos a taxa de pobreza de 30%, que é a média de pobreza na Região, verificamos que apenas 6 864 pessoas serão abrangidas pelas medidas que vierem a ser tomadas. 
5- As áreas de intervenção previstas no Plano de Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social para 2019 assentam nos seguintes objectivos:
6- Assegurar que todos os cidadãos, em especial as crianças e os jovens, possam exercer plenamente o direito universal aos cuidados de saúde, nomeadamente através de medidas de promoção da saúde e prevenção da doença, bem como o acesso a serviços de saúde de qualidade;
7- Tornar os sistemas educativos mais aptos a romper o ciclo vicioso da desigualdade, fazendo com que todas as crianças e jovens usufruam de uma educação inclusiva e de qualidade, que contribua para o desenvolvimento físico cognitivo, social e emocional; 
8- Garantir a equidade no acesso a serviços de qualidade e economicamente comportáveis para as famílias;
9- Melhorar a inserção no mercado de trabalho, particularmente dos jovens, através do suporte à procura de emprego e qualificação adequada.
10- Lendo os objectivos orientadores constantes do Plano para o combate à pobreza, ficamos atónitos, porque o que eles teorizam, como remédio para os indigentes a quem se dirigem, é duplicar o que já existe. Senão vejamos:
11- Qualquer pessoa desde que nasce até morrer tem acesso garantido aos cuidados de saúde, com a qualidade que os nossos serviços têm, assim como não se conhecem casos de desigualdade no tratamento dos jovens e adolescentes nos sistemas educativos da Região, nem qualquer obstrução à sua inclusão no sistema de escolaridade obrigatória, que contribuam para a pobreza que os ataca.
12- No nosso entender, a pirâmide quanto aos objectivos está invertida, porque o combate tem de começar nas famílias e sobretudo nas famílias desestruturadas, a maioria das quais vive do RSI, que é necessário manter, mas tem de haver obrigações de quem o recebe, sejam pais ou filhos.
13- A escola deve e tem de ser parte da solução, mas se não alterarmos a base do mal que reside na família e não nos serviços públicos, a pobreza vai continuar a crescer.
14- Não somos uma Região pobrezinha, o que somos é uma Região com problemas estruturais tanto sociais como económicos que precisam de ser tratados e mudados.
15- Para isso, são necessárias políticas coordenadas que o Estado, e neste caso a Região, têm de promover, porque essas mudanças vão para além da função dos mercados e dos estudos de diagnóstico que sendo uma ajuda importante precisam de decisões de carácter político.
16- Se formos pelo caminho que está gizado vamos ter pobreza para muitas décadas.
 
 

Print

Categorias: Editorial

Tags:

x
Revista Pub açorianissima