27 de janeiro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! As eleições para o Parlamento Europeu já começam a mexer… António Costa, na qualidade de Secretário-geral do Partido Socialista, começou o périplo insular pela Madeira, ao lado do seu candidato a Presidente do Governo da Madeira, Alexandre Nascimento Cafôfo, e depois deu um pulo a São Miguel, para ouvir os parceiros sociais plorarem sobre os anseios da Região para o chamado período pós 2020, e que tem sido trabalhado e levado aos quatro cantos das instâncias europeias pela dupla açoreana formada pelo meu querido Presidente Vasco Cordeiro e pelo Secretário Regional Rui Bettencourt. Como açoreana ferrenha, espero que o actual Primeiro-ministro assuma o compromisso, caso seja eleito para um novo mandato em Outubro, de garantir para a Região um envelope financeiro que responda às necessidades dos Açores. E já agora, espero que se confirmem as notícias que têm vindo a público sobre a candidatura de João Bosco Mota Amaral a deputado ao Parlamento Europeu, indicado pelo PSD/A, porque se assim for, é um peso pesado que conhece como ninguém os meandros da União Europeia, onde é respeitado e ouvido sobre as políticas que ao longo dos anos tem defendido para os Açores, e não só. Independentemente das razões que possam levar o PSD/A a indicar Mota Amaral como seu candidato, com a sua eleição ficará a ganhar a Região e Portugal.


Meus queridos! Fiquei sem palavras quando ouvi, em plena discussão lá para os lados de São Bento, o Primeiro-Costa invocar o tom da sua pele para atacar a deputada Cristas, que queria saber à força se o Governo da Geringonça condena ou não a violência com que se estão a dar manifestações de minorias étnicas lá para os lados da capital do rectângulo. Eu sei que nem sempre é fácil manter o verniz e o debate não estava a correr nada bem para os lados da geringonça, mas foi uma escorregadela perigosa, e que ficará marcada como das mais infelizes tiradas de um chefe de Governo em pleno Parlamento. Por mim, que em vez da cor de peles gosto de olhar para a cor das flores, era a última coisa que eu esperava ouvir, principalmente quando o mais importante é colocar água na fervura e não acirrar os ânimos que já estão incendiários demais… Ainda durante o debate acalorado, houve momentos delirantes, quando o meu querido Primeiro-ministro António Costa foi interpelado por um deputado da oposição para que dissesse se subscrevia umas declarações de Carlos César… ditas em tempos idos sobre matérias que contrariavam aparentemente a posição de António Costa, tendo este respondido além do mais, que o seu pensamento é 90% influenciado pelo pensamento de Carlos César. Assim sendo, confirma-se o que escreve de vez enquanto nos meus recadinhos dizendo que o antigo Presidente do Governo dos Açores Carlos César foi o “arquitecto” do Governo da Geringonça…

 

Meus queridos! Fui há dias dar um passeio ao alto da Mãe de Deus com a minha prima da Rua do Poço, que gosta de aproveitar os dias de sol para subir àquele que ela diz ser o mais bonito miradouro de Ponta Delgada. Num lindo dia soalheiro de Inverno, e ao olhar para o nascente onde não pára de crescer a freguesia de São Pedro, doeu-me a alma ao ver o velho edifício que já foi escola primária e depois foi a Cadastral, ali mesmo, em frente à velha sede da EDA, mas com o telhado caído e a ameaçar ruína, (embora tenha a fachada bem pintadinha). Com a ajuda das infiltrações de água deste e doutros invernos, qualquer dia a casa vem abaixo e lá se vai mais uma grande referência da velha Calheta. Não sei de quem é o edifício, mas está na hora de alguém olhar por ele, ao menos para evitar uma grande desgraça. E já agora lembro que como aquele… há outros na zona que precisam de uma retelhadela, porque não faltam telhados onde as árvores até crescem como jardins. É o que faz não haver retelhadores, porque o rendimento mínimo é mais seguro e a taberna o lugar mais agradável de se estar…


Meus queridos! Quando li no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores que os açorianos não bebiam vinho da Madeira, e que o saboroso néctar quase que não é vendido por cá, lembrei-me logo de perguntar se foi feito um estudo para saber se os nossos irmãos ilhéus madeirenses também compram ou bebem os nossos saborosos verdelhos do Pico ou dos Biscoitos na Terceira. É que é mais fácil chegar o nosso néctar chegar à mesa dos Czares do que ao vizinho arquipélago… E, não é só nos vinhos… Praticamente não há comércio entre as duas Regiões Autónomas e tudo porque os transportes além de tão caros, tão caros… só os conseguimos quando o “rei faz anos… Tempos houve até em que a banana da Madeira ia para Lisboa e depois era vendida por armazenistas da capital do ex império para diversas ilhas dos Açores, quando a banana de São Miguel e da Terceira nem saía da sua ilha… Mas já estamos habituados, porque beber uma Kima ou uma Especial noutra ilha dos Açores também é um bico d’obra. É ir amanhando!


Ricos! As minhas dores nas cruzes que aumentam com o tempo que faz e com a idade que não perdoa, recomendando uma sopinha e cama cada vez mais cedo…, fizeram com que eu não fosse à gala solidária do Coliseu, com o sempre interventivo e brilhante Carlos do Carmo que encantou quantos lá estiveram, interagindo com a plateia… e que segundo foi anunciado pelo meu querido Presidente Boleiro, rendeu sete mil e poucos euros para dividir pelas Associações de Apoio a doentes Machado-Joseph e Alzheimer. Como sempre não faltaram as diversas autoridades e lá estava o meu querido Secretário Regional da Educação e Cultura Avelino Menezes. 


Ricos! Mas, já agora, e como há sempre por aí “más-línguas” que outra coisa não sabem fazer senão o bota abaixo… convém dizer, para que as coisas fiquem claras, que o mérito dessas galas de beneficência resulta do espírito de voluntariado e mecenato, e na vinda gratuita de artistas, apoiados nas viagens e estadias por empresários locais, porque se fosse para pagar tudo, ficando a Câmara ou a casa de espectáculos com as despesas…, mais valia, então que dessem logo de vez o donativo que sairia muito mais barato ao Município em vez de promover a Gala de solidariedade, que é uma forma pedagógica de fomentar o mecenato que me parece ter expressão reduzida localmente. 


Meus queridos! A minha sobrinha-neta que anda por aí nas redes sociais, mostrou-me umas fotografias de uma obra que andam a fazer na nossa mais pequenina e emblemática ilha que é o Corvo e que me deixaram de boca à banda. Não querem ver que estão a substituir a velha calçada de pedra rolada do calhau por tijoleira vermelha? É caso para dizer que as ruas do Corvo agora vão ser de passadeira vermelha para residentes e visitantes. A gente sabe que aquela “joguinha” é difícil para caminhar, mas não havia necessidade de tamanha folclorização na velha vila que assim tão embonecada perde tudo o que tem de original e castiço. E assim se vai destruindo muito do que era nosso e sempre sem que haja quem se interesse ou revolte…

Meus queridos! A simpática Secretária da Energia, Ambiente e Turismo do Governo Regional disse esta semana que vão ser disponibilizados terrenos de áreas protegidas para que se possa plantar e deixar crescer as plantas endémicas dos Açores e que o Governo vai depois apoiar as despesas com a manutenção e limpeza dos ditos espaços, para ir evitando a proliferação de plantas invasoras. A minha prima Jardelina pensou logo que igual ideia devia haver para um acordo entre o Governo e quem explora as estradas SCUT para plantação de flora endémica nas barreiras, já que em muitos lados estão quase como as velhas estradas onde as acácias e outras árvores de grande porte e que nada têm de nosso vão ocupando as ditas barreiras… Talvez seja uma ideia…


Meus queridos! Já muitas vezes tenho ido à farmácia e lá me dizem que não há determinados medicamentos, mesmo que seja uma simples aspirina coronária… Mas eu nunca podia fazer ideia de que no ano passado houve mais de 64 milhões de medicamentos pedidos e que não existiam em stock nas farmácias e hospitais. E, como sempre acontece, já veio o Governo da Geringonça dizer que isto é uma manobra dos laboratórios e farmacêuticas, enquanto que as farmácias dizem que não podem ter medicamentos em stock porque não têm pilim para isso. Mas que se o Governo pagasse o que deve às farmácias, tudo ficava resolvido. Agora vamos lá a adivinhar quem tem razão. Coitado do doente que sofre e espera… Isto de fazer stock é chão que deu uvas… Que o diga quem tem o popó a precisar de uma peça… ou um electrodoméstico avariado. É esperar e agradecer que não tenha de vir do Japão ou da China!


Ricos: Desta vez, a minha amiga Alzirinha foi também convidada pela sempre alvoraçada Cesaltina para os enigmáticos jantares que se realizam numa quinta murada para os lados da Ribeira Seca da Ribeira Grande. Foi a primeira vez que ela participou, pelo que, do princípio ao fim, nem ousou botar palavra alguma. A minha comadre Cesaltina, que já é avó, não perde nenhuma pitada para dar uma ferroada política certeira na governação que reina por estas bandas açorianas, tendo sido mais uma vez uma malhação em tuti quanti. O opíparo jantar de alcatra, confeccionado para a ocasião pelas mãos habilidosas da terceirense Amparo do Espírito Santo foi devorado em instantes, dada a sua deliciosa textura. Perguntam cá pela minha cidade norte que enguiço haverá para estas supostas reuniões, que têm provocado algumas coscuvilhices, ao ponto de haver já quem se faça de convidada para tentar desvendar os segredos naquele conclave. Como não sou mulher de enredos e vendo o peixinho que comprei justificam-me que o jantar não passa de um pretexto para um convívio social recheado de sobremesas de sabor político. Será? Se assim for, é caso para dizer que está a regressar o tempo em que a politica se discutia à mesa e aos serões… cumprindo o ditado de que a história repete-se sempre com protagonistas diferentes!..
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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