27 de janeiro de 2019

Os pobres e os muito pobres

1- Sem o foguetório de anos anteriores, decorreu na semana de 22 a 25 de Janeiro o Fórum Anual de Davos, que junta os mais ricos do mundo e os poderosos governantes que lhes dão suporte para aumentarem todos os anos a sua riqueza, embora as presenças de Presidentes da República, Reis, Rainhas, e Primeiros-ministros, tenha sido escassa, porque muitos deles estão a braços com enormes problemas nos próprios países.
2- Há um ano, verberamos tal ajuntamento que serve para estreitar os laços entre os magnatas do Planeta, e para, exprimindo falsamente a preocupação que sentem pela desigualdade, medirem a temperatura da pobreza, de modo a perceberem onde podem aumentar os rendimentos no ano que decorre. 
3- No ano que passou foi acrescentado à lista das pessoas que detêm entre 1 e 30 milhões de dólares, mais 400 mil novos milionários, e mais 357 pessoas, entraram par ao clube dos bilionários que têm uma riqueza de mais de mil milhões de dólares, abrangendo 2.754 pessoas.
4-  O homem mais rico do mundo, com 133 mil milhões, é Jeff Bezos, fundador da Amazon, que é uma empresa transnacional de comércio electrónico dos Estados Unidos, com sede em Seattle.
5- A ONG Oxfam conclui, no relatório que publica anualmente, que a fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2.200 milhões de euros por dia, enquanto que a riqueza da metade mais pobre da população mundial reduziu a sua riqueza em 11%.
6- Conhecemos a chaga que é a pobreza, pois Portugal tem uma taxa média de risco de pobreza de 17, 3%, enquanto que nos Açores, como se sabe, a taxa de risco de pobreza situa-se nos 31,5%.
7- Quer isto dizer que temos 75.950 pessoas naquelas condições mínimas de sobrevivência, o que revela que, em cada três pessoas, uma delas na Região encontra-se no limiar da pobreza.
8- É chocante saber e permitir que apenas 1% da população concentra nas suas mãos mais de 80% da riqueza mundial que é gerada.  
9- O problema é global mas tem de ser tratado pais a pais, porque está provado que só com medidas políticas se consegue corrigir de forma justa a distribuição da riqueza. 
10- A globalização deixou as portas abertas aos mercados que são talhados para do lucro gerarem e concentrarem mais lucro, sem se preocuparem com as consequências que advêm de tal comportamento para quem trabalha para gerar tal riqueza. 
11- O problema radica na aliança feita entre os dirigentes políticos e os detentores da riqueza de cada país, que sem pudor hipotecam os recursos que dispõem em nome do povo, sem que deles resulte benefício capaz de gerar riqueza para os próprios. 
12- Adivinha-se uma mudança política sobretudo nos países com regimes democráticos, devido às más decisões tomadas pela globalização e que provocaram efeitos nefastos para os cidadãos.
13- A classe média, que era um esteiro da sociedade que possuía um poder de compra e um padrão de vida razoáveis, está a desaparecer de forma galopante, incorporando-se no segmento da população que fica apenas com 20% da riqueza deixada pelo ricos e muito ricos. 
14- Estamos a fomentar um mundo dos pobres e muito pobres, enquanto aumentam os ricos e os muito ricos.
15- Esta realidade está a levar às manifestações de ira que se têm levantado por várias partes do globo, cujo epicentro recente teve lugar em França, e que só vai parar quando os responsáveis políticos forem capazes de desenhar um novo modelo de governança  que se centre na pessoa humana. 
16- Estas considerações estendem-se desde já aos países da União Europeia, da qual Portugal e os Açores são parte integrante.
17- As mudanças devem ser feitas com inteligência e de forma antecipada para evitar a violência e a destruição. 
18- Os sinais que temos dão que pensar e são preocupantes, sobretudo quando estamos em períodos eleitorais.

 

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Categorias: Editorial

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