8 de fevereiro de 2019

Desamor pelo livro

Qualquer jovem estudante, que tenha de realizar um trabalho de pesquisa, morre de paixão pela Wikipédia e restantes páginas da Internet de acesso fácil. A informação está ali, mesmo ao lado do Facebook, do Instagram e do Messenger. Num segundo e com um mero clique, encontra-se a informação pretendida, sem que tenhamos de passar tempo a consultar livros, folhear folhas e sistematizar toneladas de material escrito. O jovem estudante quer o mais fácil e o que lhe dê menos trabalho. 
É desde cedo que se nota um afastamento total da biblioteca e do livro. A biblioteca é um espaço diabólico, onde o silêncio impera e os livros são chatos. Os jovens estudantes, salvo raras exceções, obrigam-se a ler um livro de vez em quando, porque estão obrigados a fazer uma apresentação criativa do mesmo. Além desse livro, lido nas entrelinhas ou com recurso a um resumo feito à pressa e disponível na Internet, também há o livro obrigatório em Português, mesmo que seja resumido a resumos e apontamentos que passam de geração em geração.
Nos dias que correm a informação corre à velocidade da luz. Está no TV, está no PC, está no telemóvel. Um jovem estudante não quer perder tempo a ler 300 ou 400 folhas porque fica perdido na história e nas histórias. O tempo passa rápido e há fotos para serem tiradas, vídeos para serem vistos, mensagens para serem trocadas e música para ser ouvida.Fazer o trabalho de pesquisa ou ler o livro obrigatório, que por acaso é um calhamaço, é a última das preocupações. Uma questão de prioridades e, arrisco-me a dizer, de educação. 
O excesso de informação disponível com que convivemos diariamente é mais um contributo para que não haja vontade de se ler livros. Desde cedo que interessa mais ler e acompanhar as discussões inenarráveis das redes sociais, as notícias fugazes dos jornais e as revistas mexeriqueiras da nossa praça. São as nossas prioridades. A informação que vem nos livros, que devia importar para todos nós, porque o livro ensina, educa e humaniza, convive mais de perto com bicharocos do que com seres humanos. 
Faltará tempo àqueles que gostariam de ler mais e talvez alguns sintam falta de gosto natural pela leitura. É tudo muitíssimo admissível. Podemos é lutar todos um bocadinho, em casa, na escola e na sociedade, para que os mais novos não fiquem, mais uma vez, cativos do nosso desamor pelo livro. 
 

Emanuel Areias

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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