O futuro do sector do leite é uma preocupação permanente do Governo dos Açores

 O Director Regional da Agricultura salientou que a estratégia para o sector do leite tem sido e continuará sempre a ser definida em total articulação e proximidade com a produção e a indústria, lamentando os ataques políticos que prejudicam o sector e a fileira, em vez de uma contribuição com propostas e soluções exequíveis.
 “Acusar o Governo Regional da actual situação do sector dos lacticínios é uma avaliação simplista, que não corresponde à verdade, por parte de quem aparentemente conhece o sector por dentro, mas prefere optar por ataques políticos descontextualizados e que prejudicam fortemente o diálogo e a estratégia que todos devemos ambicionar”, afirmou José Élio Ventura.
 O Director Regional, que reagia a críticas do PSD/Açores, considerou que é nos momentos de maiores desafios que se avalia a dimensão política e a capacidade mobilizadora de quem tem responsabilidade política na Região, em vez da crítica fácil, aparente ausência de pensamento e falta de propostas estratégicas para o sector que é manifestada permanentemente por aquele partido.

António Almeida: “Produtores não são culpados”

António Almeida, deputado do PSD/Açores,  tinha acusado o Presidente do Governo Regional de “não se querer responsabilizar” pela actual situação no sector dos lacticínios, quando diz ser “inevitável” que a produção, a transformação e a comercialização “estão condenadas a entender-se”.
“Tudo isto acontece quando se sabe que o comportamento daquelas três partes decorre das decisões da política agro-industrial e dos apoios do executivo”, disse.
Segundo o social-democrata, “Vasco Cordeiro não pode ficar do lado de fora dos problemas, quando é o seu Governo a chegar-se à frente quando há uma boa notícia no sector do leite e lacticínios dos Açores”.
António Almeida considera que o Governo Regional “tem de ser o garante desse diálogo, mas não só”. 
“Vasco Cordeiro, ao reconhecer que é o Governo quem decide sobre os apoios públicos ao sector, acaba por admitir que os investimentos apoiados com verbas públicas não resultaram na melhoria do rendimento dos produtores e na devida valorização dos lacticínios dos Açores”, frisou.
O social-democrata entende que “Vasco Cordeiro não se pode desresponsabilizar, como fez”, lembrando que “o Governo que considera desadequada e impossível a fixação de preços de venda, é o mesmo Governo que subsidia o litro de leite - nas circunstâncias conhecidas -, e que aprova projectos de investimento dirigidos à transformação de leite em produtos de grande consumo e baixo preço”.
“Os produtores não são os culpados destas decisões da indústria e do Governo Regional”, referiu António Almeida.

Élio Ventura: “Governo não subsidia o leite”

 Para José Élio Ventura, Director Regional da Agricultura, é essencial que se perpetue o diálogo e a articulação de posições entre a produção, a indústria e a comercialização, de modo que o sector leiteiro nos Açores fique mais forte e mais capaz de enfrentar os desafios.
 “Nenhuma das partes envolvidas nesta fileira se pode demitir das suas responsabilidades, porque todas dependem umas das outras para ter sucesso”, frisou, acrescentando que o Governo Regional tem sido e continuará a ser um participante ativo da estratégia, como foi destacado na recente reunião do Conselho Regional da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.
 Relativamente aos investimentos já realizados, quer pela produção, quer pela indústria nos Açores, o Director Regional da Agricultura referiu que se trata de projectos fundamentais para qualificar e modernizar os agentes do sector leiteiro, condições sem as quais não seria possível estarem preparados para competir com outros pares, exportarem para países terceiros, enfrentarem novos desafios e serem rentáveis.
 O Diretor Regional rejeitou que o Executivo aprove os investimentos “que quer” e “como quer”, frisando que, num Estado de Direito, todos estão obrigados a regras, quer se trate ou não de fundos comunitários.
 José Élio Ventura esclareceu ainda que o Governo Regional não subsidia o litro de leite, existindo apenas ajudas à produção, à semelhança do que acontece noutras Regiões Ultraperiféricas e em todos os países da União Europeia.

Governo solicita reunião do 
Centro Açoriano de Leite e 
Lacticínios

 O Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, solicitou ontem à Presidente do Centro Açoriano de Leite e Lacticínios (CALL) a convocatória de uma reunião com a presença de todos os órgãos sociais, tendo como objectivo único abordar a actual situação do sector do leite nos Açores.
 O CALL, com a missão acompanhar e intervir no sector do leite e lacticínios da Região, tem como representantes nos órgãos sociais a Região, a Federação Agrícola dos Açores, a BEL, a INSULAC, a CALF, a UNILEITE, a PRONICOL e a Associação Agrícola da Ilha Terceira.
 “Esta reunião decorrerá numa altura em que existem importantes desafios a vencer, sendo mais uma oportunidade para dialogar e articular posições com a produção e a indústria sobre os lacticínios, com vista a uma maior valorização da matéria prima, dos produtos e do desenvolvimento desta fileira”, afirmou João Ponte.
 O titular da pasta da Agricultura acrescentou que “o Governo dos Açores teve, tem e terá sempre uma postura proactiva e dinâmica na procura das melhores soluções que sirvam o sector”.
 Esta reunião do CALL surge após a realização do Conselho Regional de Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (CRAFDR), que decorreu esta semana na Graciosa, onde uma das conclusões foi, precisamente, a necessidade de um acompanhamento especial ao sector do leite, com vista a garantir a melhoria do rendimento e o reforço da importância da atividade agrícola na Região.

Leite a ferver...

Quase dois dias antes da reunião do Conselho Regional da Agricultura, o Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, deu uma grande entrevista ao Correio dos Açores em que afirmava que, em sequência à evolução do preço do leite à produção na Região e ao pedido insistente da indústria (que não consegue escoar os produtos lácteos) para que a produção diminua a produção de leite em 20%, onde afirma que o Governo dos Açores “tem que repensar nos próximos anos o investimento” que vai ser feito na indústria de lacticínios da Região. Jorge Rita faz um ataque à indústria e um diagnóstico ao sector da produção. Sublinha que há lavradores que “estão a perder dinheiro com o leite e não é só entre aqueles que não têm água e luz nas explorações”.
A entrevista de Jorge Rita só agradou aos produtores de leite. Quer a indústria como o Governo açoriano não gostaram. 
No Conselho Regional da Agricultura, o Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, deixou uma mensagem que já não era nova. Mas o seu tom foi muito mais contundente e já foi entendido como um aviso: “É inevitável que haja um entendimento entre a produção, a indústria de lacticínios e a ditribuição”. A afirmação levou às reacções que publicamos nesta página.
Entretanto, que a inteligência que lhe é reconhecida, o gestor da Finançor, afirmou anteontem no V Fórum Vacas Aleitantes, organizado pelo grupo empresarial, que “se mantivermos o pasto, o mesmo alimento concentrado, melhorarmos a silagem de milho e o feno-silagem, já podemos produzir mais leite”. O jovem gestor disse aos jornalistas do Correio dos Açores que não tem qualquer intenção de diminuir a produção de leite na sua exploração. E traçou uma perspectiva optimista das necessidades de leite no planeta, dando a entender claramente que o que é preciso é produzir barato, a indústria pagar o justo preço do leite e chegar com rapidez aos mercados.                                                  

GaGS e J.P.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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