“Não há um caos na diminuição das cirurgias”, diz Fernando Mesquita

Reagindo às notícias que dão conta do cancelamento de cirurgias programadas no Hospital do Divino Espírito Santo, o Presidente do Conselho de Administração daquela unidade hospitalar afirmou aos jornalistas que “não há um caos na diminuição das cirurgias”, explicando que durante esta semana que marca o início do mês de Fevereiro foram canceladas um total de 6 cirurgias.
Neste sentido, Fernando Mesquita explicou que em comparação com a média de operações que são mensalmente executadas no hospital de Ponta Delgada, o número de cirurgias canceladas não é tão expressivo: “para termos a noção daquilo de que estamos a falar, nós operamos por semana uma média de 150 doentes. O que estamos então a dizer é que nesta semana, por constrangimento de internamentos, tivemos que cancelar seis desses 150 doentes”, adiantando ainda que é feita “uma gestão quase diária no sentido de se cancelarem o mínimo de cirurgias programadas”. 
No entanto, o presidente do conselho de administração garantiu ainda que “não há qualquer cancelamento nem de cirurgias urgentes nem de cirurgias relacionadas com situações neoplásicas, uma vez que nós estamos a cancelar o mínimo de cirurgias possível e dentro desse número mínimo optamos sempre pelas situações menos prioritárias”, situação que foi também divulgada através de uma nota interna “de modo a alertar os vários directores de serviço para a eventualidade de se cancelarem algumas cirurgias programadas”.
Estes cancelamentos, fruto da “pressão adicional” que o Hospital do Divino Espírito Santo tem vindo a sentir nesta época de gripe, abrangem ainda a produção adicional, cancelada desde o dia 10 de Janeiro de 2019. Neste sentido, Fernando Mesquita aponta que “em Janeiro de 2018 tínhamos efectuado 756 cirurgias, e em Janeiro de 2019 fizemos à volta de 740 cirurgias, sendo que no mês passado tivemos um dia de greve e basta existir menos um dia útil para que se façam sentir estas variações entre 10 a 15 cirurgias num mês”.
Para Fernando Mesquita e para a administração do HDES, o ideal seria “não ter estes constrangimentos nos internamentos” e não haver necessidade de ter cancelado as cirurgias programadas de seis doentes no mês de Fevereiro, “nem ter parado ou suspendido a produção adicional”, porém o elevado número de internamentos e de afluência às urgências em casos não urgentes tem condicionado o funcionamento do sistema hospitalar.
“A questão dos internamentos está relacionada com a questão da prestação dos cuidados de saúde primários e com as idas às urgências. Nós temos 60% de idas às urgências que são não urgentes, o continente português tem 43% e a média da OCDE fica abaixo dos 30%, por isso este é um problema estrutural que tem que ser alterado. Para nós, ter 60% de atendimentos não urgentes é um número arrasador. Nós precisamos de dar a volta e de conseguir que este número diminua e, na questão dos cuidados sociais e dos cuidados continuados, infelizmente os nossos números não são muito diferentes do que se passa no continente português”. 
Fernando Mesquita explica que no Hospital do Divino Espírito Santo existem perto de 6% de casos sociais em internamento, número este que considera mau, uma vez que “quando há um pico de internamentos ficamos sem alternativas, e daí a nossa chamada de atenção para encontrarmos uma solução que nos liberte desta pressão de internamentos que acabam por não ser nossos”.
Por seu turno, o Director Regional da Saúde afirmou na mesma ocasião, aquando da realização da 17.ª edição de “Caminho dos Hospitais”, subordinada ao tema “A saúde nas ilhas atlânticas”, que este é um processo que está a ser articulado e agilizado entre a tutela e o HDES, adiantando que foi pedida uma “nova actualização da lista de utentes que aguardam encaminhamento para fora do hospital”, de forma a que se possa “dar resposta às necessidades do hospital”.
De acordo com Tiago Lopes, este é um “momento atípico, que acaba por ser crónico ao longo dos últimos anos”, uma vez que há no momento várias dificuldades no atendimento aos utentes, tanto a montante como a jusante. “Este momento é atípico pelo facto de tanto a montante como a jusante existirem dificuldades no atendimento aos utentes, a montante no caso das urgências, que tem uma afluência fora do normal de utentes não urgentes que poderiam e deveriam ser vistos no centro de saúde (…), e por outro lado os internamentos com alguns casos que também foram acumulando e estamos a ver uma forma de agilizar o processo para dar as respostas necessárias à população”.
 

Print

Categorias: Regional

Tags:

x