8 de fevereiro de 2019

A corrida do produto lácteo dos Açores até ao melhor mercado

 A fileira do leite está a ferver nos Açores. As indústrias de lacticínios não conseguem escoar os seus produtos para o seu mercado tradicional onde a concorrência é feroz (Portugal Continental) e, o ano passado, produziram mais leite UHT e mais leite em pó.
Os números falam por si: O ano passado a indústria produziu 145.185 mil litros de leite UHT (quando em 2017 tinha produzido 137.360 mil litros).
A produção de leite em pó o ano passado foi de 17.761 toneladas (quando em 2017 se havia produzido 16.168 toneladas, o que já é uma produção elevada para um produto de pouco valor acrescentado).
Foram produzidas o ano passado 12.087 toneladas de manteiga (quando em 2017 haviam sido produzidas 11.400 toneladas).
A indústria de lacticínios produziu o ano passado 31.247 toneladas de queijo (quando em 2017 havia produzido 31.301 toneladas).
O aumento da produção de leite em 2018 nos Açores destinou-se, assim, para o leite UGT que aparece nas prateleiras das grandes superfícies comerciais a preços muito baixo para o seu valor real e para leite em pó que é o produto, normalmente, de com menos valia na fileira do leite.
É evidente que, por este caminho, o “melhor leite do mundo” não consegue ser transformado nos “melhores produtos lácteos do mundo” e colocado, pela sua qualidade, nos mercados.
E verdade que os Açores estão mais distantes dos mercados e, por isso, o custo do seu leite tem de ser mais baixo do que os custos atingidos em fábricas que ficam junto dos grandes mercados de consumo. E logo aqui, a mensagem deixada pelo vice-presidente do Grupo Finançor, Romão Brás, no V Fórum Vacas Leiteiras, não deixa dúvidas: “Se mantivermos o pasto, o mesmo alimento concentrado, melhorarmos a silagem de milho e do feno-silagem, já poderemos produzir mais” e mais barato. Portanto, a primeira mensagem que se apreende é que é preciso e viável produzir mais leite nos Açores, com a mesma qualidade, e com custos mais baixos. Não é nova esta mensagem de Romão Brás mas há um grande sentido de oportunidade na afirmação e este é o caminho.
A Região está a falhar na colocação do produto lácteo no mercado, deixando-se ficar pelo mercado tradicional onde a concorrência é cada vez mais aguerrida, não conseguindo chegar aos mercados onde há espaço para o produto e é possível vender a preços mais elevados.
O que está a acontecer com os produtos lácteos açorianos faz lembrar uma corrida de espermatozóides. É o espermatozóide mais robusto aquele que chega ao óvulo e gera o embrião. 
Com um produto lácteo com a qualidade que tem o dos Açores, como o tornar mais robusto para vencer a distância que separa a Região dos grandes mercados e fazer com que ele chegue aos “bons” mercados a tempo de serem consumidos para que se crie o hábito do seu consumo e se garanta bons preços? E a resposta é criar bons circuitos de comercialização e, depois, só há uma palavra: promoção, promoção e promoção. 
É verdade que tudo isso requer grande investimento que é preciso fazer o mais rapidamente possível. 
                                                                                   
 

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Autor: João Paz

Categorias: Opinião

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