9 de fevereiro de 2019

Ao encontro da nossa gente

No passado 18 de Janeiro tive a honra de fazer parte de uma pequena comitiva liderada pelo nosso Pároco, o Pe. Bruno Espínola, que se deslocou ao Canadá a convite de um grupo de amigos dos Ginetes, uma iniciativa da responsabilidade de um filho desta terra há várias décadas emigrado, Vasco Garcia.
Fui acompanhado por minha mulher assim como do “histórico” por excelência desta terra, Gilberto Arruda, que apesar da idade respeitável que transporta, com o seu sentido de humor refinado não deixa quem quer que seja indiferente. Onde está o “Serralheiro”, como é carinhosamente apelidado cá na terra respira-se alegria, multiplicam-se as “gargalhadas” com o vasto repertório de anedotas que não esquece, e até inventa, fazendo a todos sorrir mesmo os que habitualmente mantêm uma “pose de seriedade”. Quanto ao nosso ainda jovem Pároco foi recebido com muita alegria pelos nossos emigrantes que tiveram ocasião de conhecer pessoalmente aquele que há mais de 3 anos tem à sua responsabilidade as Paróquias de S. Nicolau nas Sete Cidades, S. Sebastião de Ginetes, além de ocupar as funções de Capelão Militar. Conhecido através das imagens que ocasionalmente enviamos para a rede do Youtube seguidas lá longe por muita gente desta terra, recebeu um carinho muito especial pela sua forma simples de contactar com as gentes mas igualmente pela voz extraordinária aliada a um talento musical que encantou nas várias visitas com a Imagem do Menino Jesus realizadas a algumas moradias de gente desta terra, e não só. Foi muito bonito assistir mesmo ao carinho dedicado à Imagem que até mereceu a confecção de um “gorro” não fora o facto de se encontrar num país onde o frio no Inverno é bem presente. Podemos até chamar de “infantilidade” tal gesto, mas não deixou de ser realmente lindo. Partiu dos Ginetes sem nada mas regressou um pouco mais confortável. São estas pequenas coisas que por vezes fazem a riqueza cultural da nossa gente.
Para nós, eu e minha mulher, casal de antigos emigrantes, foi como um regresso ao início da nossa vida a dois o contacto imediato com a neve e as respectivas temperaturas negativas que curiosamente este ano tiveram início à nossa chegada à linda cidade de Mississauga onde fixaram residência uma significativa Comunidade de Emigrantes de origem Açoriana, de um modo especial desta terra dos Ginetes. Fica a 28 quilómetros de Toronto e o seu desenvolvimento e aumento de população fazem-na um dos locais que maior crescimento alcançou nas últimas décadas. É precisamente nesta cidade que se encontra localizado o grande aeroporto Pearson, mais conhecido como “aeroporto de Toronto”, no momento a grande porta de entrada deste enorme país. Evidentemente que a grande razão de tal visita está relacionada também com a angariação de fundos para a Igreja dos Ginetes. Os filhos desta terra não a esquecem mesmo vivendo longe, pois as recordações de infância são transportadas numa “mala imaginária” que faz parte desse universo existente no cérebro do ser humano que não esquece as origens nem se envergonha na maioria dos casos defender esta terra onde nasceu.
No Domingo, dia 20 de Janeiro foi celebrada a Eucaristia na Igreja de Cristo Rei pelo Pároco desta terra, Pe. Bruno Espínola, que contou com a presença de vários Ginetenses há muito radicados nesta cidade Canadiana (não gosto de dizer Canadense), orgulhosos pela presença do digno representante da Paróquia dos Ginetes. È precisamente este dia 20 dedicado a S. Sebastião, nosso Padroeiro o que despertou na nossa gente um “sabor especial”. 
Estávamos precisamente no segundo dia de estadia longe de pensar a longa mas enriquecedora caminhada que nos esperava envolta por um carinho muito especial daqueles que mesmo longe, levados pela ambição de uma qualidade de vida melhor, caminharam na maioria há várias décadas para um mundo desconhecido do qual faz parte esse grande, pacífico e maravilhoso país que constitui o Canadá.
As famílias cresceram, a saudade também, por isso é que tantas vezes aqui tenho feito eco do dever que temos de proporcionar a essa gente um contacto mais fácil com as raízes que ainda são muitas que aqui estão.
Para a próxima semana voltarei ao mesmo assunto pois não poderia de forma alguma deixar de fazer referência ao grande Jantar Convívio de Ginetenses e outras gentes, cuja receita foi a favor da Igreja dos Ginetes. Foi o momento alto da visita e do reencontro com gente que pessoalmente não confraternizava pelo menos há mais de 30 anos.
Onde está um emigrante está um pedaço da nossa terra, da nossa cultura, da nossa forma de viver. 
Para a próxima semana aqui continuarei.
 

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Categorias: Opinião

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