9 de fevereiro de 2019

Um grito de alarme

1- O SOS lançado pelo Director Clínico do Hospital do Divino Espírito Santo dando conta que “as enfermarias de medicina mantêm uma taxa de ocupação diária de 100% e um número nunca inferior a 18-20 doentes distribuídos nas enfermarias das especialidades”, é um grito de desespero pela desordem que suscita naquela unidade hospitalar, marcada pela “conflitualidade interpares, interprofissionais e com os próprios doentes”, além da “degradação da qualidade e segurança assistenciais” aos doentes.
2- O Director Clínico relembra que a Administração tem chamado a atenção da Secretaria Regional da Saúde há “mais de dois anos”, para a necessidade de ser encontrada “uma solução nos cuidados primários, de modo a que sejam libertadas as camas ocupadas com casos sociais e de cuidados continuados”.
3-Apesar de todos os avisos feitos ao Governo, continuam internados no HDES um número significativo de utentes a quem já foi dada alta médica, mas que continuam no hospital a aguardar uma solução social, ocupando camas que deviam ser usadas na medicina, levando por isso à suspensão de toda a actividade cirúrgica dos chamados “ programas de cirurgia adicional”.
4- A procura e o recurso ao hospital tem crescido de ano para ano, porque os cidadãos estão mais atentos aos cuidados a ter com a saúde, e certamente porque a doença vai aumentando na razão directa em que aumenta a longevidade. 
5- Mas, isso implica que sejam feitas previsões para o futuro imediato fundamentadas no histórico, e delineadas medidas que permitam o hospital e os centros de saúde, trabalharem em rede, aliviando a unidade hospitalar de cuidados que devem ser em primeira instância ministrados em cada centro de saúde do concelho. Isso implica investimento, mas é a única forma de aproveitar equipamentos de saúde disponíveis e conter a concentração no hospital que não estica.
6- Ao longo dos anos foram feitas alterações no Serviço Regional de Saúde, alterações que não melhoraram o sistema, antes criaram mais bloqueios como se vê. 
7- Quanto aos utentes que receberam alta e “jazem” no hospital porque a família não os vai buscar ou porque não têm família que os ampare, é repugnante que tal aconteça sem que os serviços competentes tomem decisões.
8- Há doentes que simplesmente não têm familiares, e outros que  não têm condições para os acomodar e por tal, os serviços sociais têm de entrar em acção buscando uma solução nas IPSS existentes.
9-  A rede de cuidados continuados tem disponibilidade para receber tais doentes, inferior a 50% de uma cama ocupada no hospital. 
10- Não resolver este problema é uma incompetência clamorosa do quem é  para tanto responsável, e devia ser penalizada pelos prejuízos que isso representa para o erário publico.
11- O que se passa nos serviços de saúde é o espelho de muitos serviços públicos e o reflexo da doença que se apoderou da sociedade em geral.
12- Vive-se numa anarquia global em que cada um prega a sua verdade, vocifera barbaridades e crucifica inocentes sem paixão.
13- O ano passado ocorreram nos Açores cerca de quarenta suicídios, 40% dos quais foram jovens. Desde Janeiro deste ano, já ocorreram seis suicídios, sendo a maioria jovens.
14- Tal fenómeno é alarmante, e deve abalar as consciências dos responsáveis políticos, das instituições e da sociedade, começando por aquela que está à nossa volta, e gritando bem alto perguntar para onde vamos!
15- A reunião de emergência convocada pelo Governo da República, juntando a Procuradora Geral da República e os dirigentes das Forças de Segurança para estudarem o fenómeno da violência que leva ao suicídio e homicídio, é um alarme vermelho que não se resolve com novas leis, mas sim com uma mudança de atitude e saber na aplicação das leis existentes.
16- Mas este esforço de nada servirá se não houver um movimento capaz de alterar a cultura anárquica que domina o comportamento da sociedade global em que vivemos.
17- Temos de Agir enquanto é tempo!

 

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Categorias: Editorial

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