11 de fevereiro de 2019

Temas ao Acaso

A “nega” do Senhor Presidente


O Conselheiro das Comunidades João Luís Pacheco e o Deputado Estadual de Rhode Island Joe Serôdio reuniram com o Presidente do Governo Regional para o sensibilizar a dissuadir a administração da nossa companhia aérea, sobre a decisão de abandonar a rota Ponta Delgada/Providence, a partir do próximo verão, alegando que aquela rota tinha uma ocupação de cerca de 90%, portanto, considerada rentável.
Vasco Cordeiro negou frontalmente tal possibilidade, alegando que a decisão de abandonar aquela rota já estava tomada, e que a Azores Airlines iria aumentar a frequência de vôos para Boston.
Mais tarde, veio a própria SATA informar ”urbi et orbi” que a frequência dos vôos para Boston iria aumentar para 12 viagens por semana, distribuídas do seguinte modo:- 10 entre Ponta Delgada e Boston e 2 entre Lages e Boston.
Para além disto, a Azores Airlines, numa filosofia de poupança de meios e utilização máxima dos recursos disponíveis, alega as facilidades de ligações com outras linhas aéreas, que Providence não dispõe como em Boston, para além do TF Green (aeroporto de Providence) praticar preços mais elevados do que o Logan (aeroporto de Boston) não só no handling, como nas taxas de ocupação e outros.
Em boa verdade, e fazendo fé no que é alegado pela SATA, não há dúvida que tudo indica que as escalas em Boston arriscam-se a ter êxito, contribuindo deste modo para o equilíbrio das contas de exploração da nossa linha aérea. 
Mas … será mesmo assim, ou será que andam outros interesses escondidos?
Disseram-me que as Linhas Aéreas de Cabo Verde, encontram-se financeiramente “em maus lençóis”, se é que já não entraram mesmo em falência técnica por falta de “almofadas” como é hábito dizer-se agora. 
Sei, de fonte fidedigna, que a Azores Airlines está a voar daquele país africano para os Estados Unidos da América, nomeadamente para Boston, com escala em Ponta Delgada.
Pergunto: este abandono da rota PDL/FT Green/PDL, pela Azores Airlines, tem alguma coisa a ver com a nova rota Cabo Verde/USA? Como surgiu esta ideia de voar de Cabo Verde para os EUA? Alguma promessa de algum governante açoriano em visita turística àquele país africano?
Sempre defendi que as nossas ligações aéreas para o exterior, deveriam ser executadas por uma empresa açoriana, MAS PARA SERVIR TODOS OS AÇORIANOS, não só os residentes, mas também os das nossas diásporas nos EUA e no Canada.
Quem tiver pachorra (e quiser) poderá folhear este nosso Correio dos Açôres ao longo dos anos e verificará que, o subscritor destas mal feitas linhas, foi um dos que sempre defendeu tal estatuto para a SATA, em detrimento de qualquer outra companhia aérea, nomeadamente a TAP, que era quem detinha o monopólio dos transportes aéreos naquela altura. 
Em boa hora, o Governo Regional liderado por Mota Amaral, resolveu criar a SATA-Internacional que tão bons serviços prestou. Mais tarde, desconheço a que cargas d’água, rebatizaram-na de Azores Airlines, talvez por sugestão de algum “iluminado socialista” que achou não dever respeitar um nome que vinha detrás e que já tinha ganho o seu espaço nos meios aeronáuticos do país.
Voltando à supressão da rota para Providence, alegou-se também o facto da distância entre esta cidade e Boston rondar os 100 quilómetros, pelo que não se justificava as duas escalas em tão curto espaço. Não comungo da mesma opinião porque, para ganhar dinheiro, nem que fosse de quilómetro a quilómetro. 
Alegou-se ainda a falta de aeronaves. Aqui, parece-me existir aqui uma certa incongruência. Isto porque, se não há equipamento para voar para Providence, como se vai reforçar a rota para Boston com aquela intensidade?
Que me desculpem os leitores, mas não resisto a perguntar a quem sabe:- esta nova rota (Cabo Verde/USA) traz mais dinheiro para o Grupo SATA? Se sim, o povo dos Açôres, que é o verdadeiro dono da nossa companhia aérea, deverá ser informado – tim tim por tim tim - de quanto já rendeu tal operação! É que, para prejuízos, já bastam os registados até aqui.
Pelo que julgo saber a nova administração da SATA vai em breve aos EUA para se reunir com empresários ligados ao sector.
Desejo, sinceramente, que se esclareçam as coisas de modo a não sacrificar – ainda mais – uma companhia aérea que nos está custando os olhos da cara para a manter a voar.
Depois não se queixem das consequências!

 
P.S. texto escrito pela antiga grafia.
9FEV2019
 

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Categorias: Opinião

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