11 de fevereiro de 2019

Então… Assumamos … As contradições

Ou como os jogos de poder, os interesses e as geo - estratégias se sobrepõem ao sublime valor de poupar vidas e sofrimentos de povos e ao destruir de nações, tendo como pretexto a prossecução da defesa de valores morais, humanitários, repor as legalidades democráticas e constitucionais, enfim lutar contra as ditaduras e, já agora, porque não juntar ao role, as democracias iliberais, mesmo no interior da União Europeia (U.E.), nomeadamente a Hungria, primeiro país da U. E. a perder a classificação de “país livre”.
  Atente-se à magistral lição do Professor Doutor Viriato Soromenho - Marques, recentemente proferida na Universidade dos Açores, alertando para os perigos que corre o projecto Europeu, a não serem concretizadas as reformas, entre outras, uma maior harmonização fiscal… 
Numa entrevista recente do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, foi patente as contradições e como habilidosamente e com superior inteligência, fugia às questões, mesmo  as  mais embaraçosas, que os jornalistas lhe iam colocando. O tema era a Venezuela, cuja crise, quando escrevo, é de desfecho imprevisível.
Retive os seguintes comentários de dois homens da Igreja, primeiro de S. S. o Papa Francisco, quando acentuava o perigo “…dum banho de sangue…” E outra do Sr. Padre Mendonça no final duma missa em Caracas “… sabemos como começam as guerras, desconhecemos como acabam …”
Desafio-me a entender, quem estará mais perto da verdade, se o Ministro ou se os dois “homens de Deus”?
Enquanto um, para justificar a posição portuguesa de apoio a uma das partes, se desdobra num discurso de desconstrução retórica daqueles que tomam posição diversa, os outros dois, a primeira preocupação que têm é de protecção e evitar que vidas humanas se percam. Todas as vidas, incluindo as dos portugueses emigrantes.
Longe de mim pensar que ao Ministro também não lhe preocupava a vida dos milhares de compatriotas residentes naquele país, daí justificar-se o maior protagonismo.
 Lamenta-se que, tragédias como as do Iémen e os seus milhares de mortos e em Myanmar e o genocídio dos Rohingya, não mereçam de algumas chancelarias, nomeadamente europeias, o mesmo grau de preocupação. São as tais “contradições embaraçosas”.  
 Mas, lá está, mais uma vez, a voz do Papa fez-se ouvir. Ainda agora no Dubai, quando chamava a atenção do Mundo para o drama das crianças do Iémen.
Também é justo referir a posição da ONU e do seu Secretário - Geral, o português António Guterres, na busca da paz e do bom – senso, pese embora o poder de veto das grandes potências.
Oxalá não se repita na Venezuela, o drama a que assistimos no Iraque, na Líbia, na Síria, etc… Apenas para referir exemplos recentes. Bem sei que, a resposta à comparação, é sempre a costumeira. As circunstâncias e /ou os contextos eram diferentes.
Resultado foi o que se sabe. Portugal, não só tomou posição, como foi anfitrião na célebre cimeira da Lajes, que antecedeu a invasão do Iraque. Ficará para a história, como uma das maiores “fake news” daquela altura. Ainda se andam “a pagar as trágicas consequências”. Os principais responsáveis, ao invés de serem julgados, foram promovidos aos mais altos cargos da “cena mundial”.
Bem sei que os Governos e, em particular os ministros das pastas dos “negócios” estrangeiros, têm como leitura obrigatória não só as memórias e os ensinamentos de Maquiavel e Talleyrand, entre outros, para cumprir capazmente as respectivas funções, mas então que assumam as consequências e as contradições, daí advindas… Sob pena do continuado descrédito nas instituições, ditas de democráticas. O “vazio” tem sido sempre preenchido por populismos e ditaduras. É a história que nos lembra. 
 O papa Francisco e o Padre Mendonça, ao invés, devem preferir os Santos Evangelhos, escritos por alguns dos seguidores de Jesus, já  lá vão  dois milénios. 
Não ignoro que nas relações entre Estados, tem de prevalecer o realismo e o pragmatismo, que muitas vezes conflituam com os valores morais. Então que se assuma!
Querem melhor exemplo do que este. Ainda agora o Presidente Trump depois de anunciar a libertação da Venezuela e do seu povo da fome e das garras tenebrosas dum ditador, informava, com jubilo, o segundo encontro, para breve, com o seu amigo Presidente da Coreia do Norte, a quem, ainda não há muito, fazia as mesmas acusações, que agora produz visando  Maduro e a Venezuela.
Venezuela. Porque não investiram os teus líderes na “Bomba”? É que só ter petróleo, pode não chegar e até ser uma desgraça. 
Ou será que, entretanto, a Coreia do Norte se “converteu” à democracia?
Tenhamos esperança. É que dum Presidente – Empresário, também se espera  “ realismo e pragmatismo”. Não é matéria apenas reservada aos ministros dos estrangeiros e dos “negócios”.
O Donald Trump ainda corre o risco de vir a ser nomeado para o próximo prémio Nobel da Paz.
Ocorre-me citar Garrett : “Foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde”. Então… Assumamos… As contradições. E, não se fala mais nisso. “Negócio fechado”. A História nos julgará! Anjos ou Demónios?  

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Categorias: Opinião

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