11 de fevereiro de 2019

A verdadeira cultura de um povo

 Na minha última passagem pela ilha Terceira, tive a oportunidade de ser convidado para ir até à freguesia das Doze Ribeira, para assistir à estreia do espetáculo “Partilhas, Um encontro de gerações no palco da vida”, levado à cena no palco da Filarmónica Rainha Santa Isabel.
Foi um serão muito agradável, com mais de duas horas de espetáculo que encantou todos quantos assistiram à comédia e ao ato de variedades, numa demonstração do quanto a população daquela freguesia continua a ser muitodinâmica quer em termos culturais, quer em termos sociais.
O Grupo de Comédia e Ato de Variedades da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Dez Ribeiras surgiu aquando da comemoração do 25º aniversário da filarmónica, tendo a sua estreia sido no dia 11 de maio de 2013.
Em 2015, apresentou um trabalho intitulado “As tradições da nossa ilha”, que esteve em palco mais de 3 anos, tendo inclusivamente sido trazido aquele espetáculo a S. Miguel, onde atuou por duas vezes no palco do Cine-Teatro Mira-Mar de Rabo de Peixe, com grande aceitação da população local.
Seguiram-se diversas atuações nos palcos da ilha Terceira, entre os quais, Terra Chã, Auditório do Ramo Grande, Vila das Lajes, Santa Bárbara, Serreta, Ribeirinha e São Bartolomeu.
Desta vez, a peça de teatro “O novo centro de dia e o milagre da procriação”, de autoria de Brito Fraga, foi um momento inolvidável que arrancou muitas gargalhadas, num serão cheio de instantâneos do dia a dia, tratados salutarmente e com muito sentido de humor, com aspetos pitorescos da vida num centro de dia, arrancando sonoras e prolongadas gargalhadas da assistência. 
A segunda parte foi composta pelo ato de variedades, a cargo do encenador César Toste, com muita música e vistosos bailados e coreografias apropriadas, que foram muito aplaudidas pela assistência, sendo o tema “Vem viver a vida”, de autoria de Durval Festa e com as fantásticas vozes de Isabel Fagundes e David Reis. 
Por outro lado, o tema “Menina estás à janela” foi interpretado por César Toste, com arranjos de Paulo Azevedo e o “Laurindinha” com Andreia Nunes, Elizabete Alves e Isabel Fagundes, interpretando a encenação do tema do filme Música no Coração, com letra de José Eliseu e a bonita voz de Andreia Nunes, numa coreografia fabulosa daquele filme.
O fado de Coimbra, cantado por João Barros, foi um momento musical muito emotivo, seguindo-se um medley com temas originais de Paulo Azevedo, emprestando a esta interpretação as vozes de Andreia Nunes, Elizabete Alves, Isabel Fagundes, César Toste, David Reis e João Barros.
“20 para as 4”, numa alusão direta da hora do sismo de 1980 que arrasou a ilha Terceira, foi um momento deveras comovente, com a voz de Isabel Fagundes. O próprio Francisco Leal, ocontadorde todas histórias do enredo musical da segunda parte ao seu “neto” Ricardo, se emocionou em palco, não contendo as lágrimas, recordando a tragédia que a população daquela ilha e também das outras do Grupo Central viveram naquele dia.
A coreografia de o “Emigrante”, um tema original de Durval Festa e na voz de Elisabete Alves, levou César Toste a transpor para o palco toda a carga afectiva do fado de se emigrar destas ilhas em busca de destino incerto. O espetáculo acabou em beleza, com muita cor e alegria, com o tema “Partilhas”, com letra de Paulo Codorniz, música de José Avelino Borges e orquestração de Paulo Azevedo, que embeveceu todos quantos encheram a sede da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel. 
Tratou-se de facto de um espetáculo que pretendeu ser um tributo a uma herança cultural de vivências de muitas gerações que sobe ao palco que é a vida. O próprio Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Álamo Menezes, que assistiu ao espetáculo, confirmou, no final do espetáculo, que o povo das Doze Ribeiras continua fiel a si próprio, mantendo vivas as tradições da Ilha Terceira, recordando desta forma a alegria, a hospitalidade e a arreigada cultura popular do povo terceirense.
Este grupo é composto na sua maioria por músicos da filarmónica, dirigentes, familiares e amigos e mais uma vez empolgou o público presente, que ovacionou os artistas, que com muito entusiasmo e entrega conseguiram arrebatar a assistência com prolongados aplausos.

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Categorias: Opinião

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