Clube de Geocaching conta com 102 alunos

Escola Secundária de Lagoa torna-se na sede oficial do projecto GeoTours Azores

A partir de hoje, a Escola Secundária de Lagoa será oficialmente a sede do projecto GeoTour Azores, um desafio criado pelo Governo Regional através da Direcção Regional do Turismo ligado ao Geocaching, cujo principal objectivo passa por fazer com que cada geocacher participante consiga conhecer o maior número de ilhas através da activa procura das geocaches indicadas pelo projecto.
De acordo com Luís Filipe Machado, este é o único projecto semelhante que existe em Portugal, e passará agora a ter sede na escola secundária através do Clube de Geocaching do qual é coordenador, sendo actualmente o clube escolar com o maior número de inscritos, contando com cerca de 102 alunos de vários cursos, incluindo o curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural e o curso Técnico Profissional de Gestão Ambiental.
Entretanto, ao longo dos anos em que este clube existe, os alunos que o compõem têm trabalhado, sobretudo, numa lista de temas e locais assinalados pela Câmara Municipal de Lagoa, um dos principais parceiros do clube escolar, no sentido de divulgar a cultura e a história do concelho através da ferramenta do Geocaching, lista esta que, conforme adianta o coordenador, tem sido “seguida religiosamente”.
No total, os alunos que pertencem a este clube que é reunido semanalmente já construíram um total de 15 caixas que cumprem os requisitos da organização mundial ligada a esta actividade, e que se encontram actualmente espalhadas pelo concelho.
“Havia uma caixa no ExpoLab mas que não era ligada ao ExpoLab, agora há todo um jogo interactivo. Havia também uma caixa no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), mas como era um enigma quem não sabia da sua existência não o encontrava no mapa, e agora existe lá uma caixa que fala do OVGA, há ainda uma caixa sobre a Casa do Romeiro, sobre os bonequeiros da Lagoa, sobre a cerâmica da Lagoa, sobre os secadores de tabaco da Lagoa, sobre o Porto dos Carneiros e até sobre o Luso, o navio naufragado ao largo do Porto dos Carneiros, com uma caixa subaquática que foi colocada com o apoio de vários amigos e alunos”, explica o coordenador.
De momento, o Clube de Geocaching da Escola Secundária de Lagoa, tendo em conta a recente parceria com a biblioteca municipal do concelho, está a fazer uma “letter box” que ali será implementada, desde que cumpra com as regras estabelecidas pela entidade mundial.
De uma forma geral, o Geocaching é caracterizado por ser “um jogo internacional de aventuras que tem como objectivo levar as pessoas a saírem de casa e a praticarem actividades ao ar livre, percorrendo trilhos, por exemplo, e a desenvolverem actividades que as façam desenvolver e aumentar as capacidades das pessoas, através da resolução de enigmas” e da procura activa de novas caixas, podendo em alguns casos tornar-se numa espécie de vício ou passatempo, afirmando Luís Filipe Machado que, em média, 30% dos turistas que chegam aos Açores tentam praticar esta actividade, sendo por esse motivo um dos cartões-de-visita do arquipélago, já que é também uma forma de conhecer novos locais.
No que diz respeito à experiência pessoal do coordenador deste clube escolar, este viu-se envolvido pela experiência de Geocaching há cerca de seis anos, através do grupo de escuteiros que integrava, quando lhe propuseram esta iniciação na actividade que, tal como o escutismo, pretende aproximar as pessoas da natureza.
Contudo, Luís Filipe Machado refere ter tido “alguma relutância” no início, uma vez que este era um mundo que desconhecia, porém confessa ter ficado “completamente rendido” à medida que ia desenvolvendo actividades de Geocaching, acabando por considerar que este é “um jogo bastante interessante e apaixonante até”.
Já no que diz respeito à iniciação desta actividade na Escola Secundária de Lagoa, Luís Filipe Machado refere que esta começou há cerca de cinco anos, quando começou por realizar algumas actividades com os alunos, salientando porém que “o objectivo não era propriamente o de fazer Geocaching, mas sim o de usar o Geocaching como ferramenta que colabore na educação dos alunos”, instruindo-os e capacitando-os com novas competências.
Nesse sentido, os alunos daquele que viria a ser o Clube de Geocaching, fundado há dois anos, começaram por participar em actividades anuais que eram estipuladas dentro do plano anual de actividades da escola, começando por isso a dar alguma visibilidade à entidade escolar, permitindo que actualmente participem nas actividades semanais do clube, “onde os alunos aparecem quando querem e onde aprendem a construir caixas, a encontrar caixas e a preparar os ‘containers’ com trabalhos manuais e intelectuais”.
No entanto, para além das actividades desenvolvidas semanalmente no clube, há ainda saídas mensais que permitem às turmas envolvidas encontrarem, em conjunto, mais caixas e explorarem a ilha: “Para além das actividades semanais, que têm como objectivo serem preparativas e educativas, fazemos uma actividade de saída mensal e fazemos três grandes actividades que incluem visitas de estudo anuais. Vamos ter brevemente uma saída para o Monte Escuro e para a Lagoa de São Brás, com actividades que irão durar o dia inteiro e que irão envolver duas turmas dos cursos profissionais de Turismo Rural e Gestão Ambiental, e em Abril teremos outra visita para a “Janela do Inferno”, adianta o coordenador.
Graças a uma das regras do clube, que permite que cada caixa encontrada por professores ou alunos membros clube seja registada no site, o Clube de Geocaching da Escola Secundária de Lagoa tem já registadas cerca de 800 caixas, tendo entretanto construído 15 caixas que se encontram espalhadas pelo concelho, preparando-se ainda para, no próximo mês, espalhar mais cinco caixas “relacionadas com temas que são, acima de tudo, importantes para o concelho de Lagoa”.
Entretanto, para assinalar o facto de esta escola se tornar sede do projecto GeoTour Azores, e para celebrar também o projecto em desenvolvimento relacionado com as actividades deste clube, intitulado “Geocaching e Educação”, será realizada durante a manhã de hoje uma conferência que contará com vários oradores que irão falar das suas vidas e das suas experiências com Geocaching. Para além dos professores que estão directamente ligados ao projecto, esta conferência irá também contar com a presença de Cristina Calisto, Ricardo Moura e José Senra.

O testemunho de alguns alunos 
que fazem parte deste clube
Para Rodrigo Travassos, aluno do 11.º ano, o interesse pelo Clube de Geocaching começou há cerca de três anos assim chegou à escola secundária. No entanto, este era um jogo do qual já tinha algum conhecimento, uma vez que esta era uma actividade que costumava praticar com o pai.
“Tive um primeiro contacto com o Geocaching há cinco ou seis anos graças a um colega do meu pai que veio cá, e esta acabou por ser uma experiência que quis ter também com o meu pai. Chegámos a formar uma equipa e decidimos entrar no mundo do Geocaching, só que depois parámos e eu deixei de ter ligação com o Geocaching”, explica.
Considerando que esta é uma actividade que poderá ajudar na formação de novas amizades, Rodrigo Travassos adianta que de todas as caixas que ajudou a construir, a mais desafiante foi a elaborada para o Stage Rally, que actualmente não existe já que foi colocada onde agora está a ser construído o Hospital Internacional dos Açores, já no que diz respeito às caixas encontradas, destaca uma das caches encontrada num trilho realizado até à Lagoa do Fogo, numa das viagens de estudo realizadas com outras turmas.
Para Cristina Januário, aluna do 11.º ano, este convívio com várias pessoas é um dos aspectos que considera mais relevantes em toda a experiência do Geocaching, salientando que antes de se juntar ao clube, há cerca de dois anos, tentou encontrar algumas caixas sozinha.
“Já tinha ouvido falar do Geocaching quando ainda não existia o clube na escola. Nessa altura cheguei a instalar a aplicação e tentei procurar algumas caixas, mas fazer Geocaching sozinha não era muito interessante e por acabei por deixar esta actividade de parte. Entretanto soube da existência do clube através do professor Luís Machado e resolvi inscrever-me. (…) A companhia é tudo!”
Francisca e Adriana Costa são irmãs, frequentam o 12.º ano em cursos diferentes mas não entraram para o clube de Geocaching em simultâneo. Na realidade, Francisca foi a primeira das irmãs a entrar no clube, há três anos, graças à curiosidade que lhe despertou o escutismo para “conhecer novos espaços e para encontrar caixas e desafios, porque às vezes há prémios dentro delas e isso faz com que queiramos jogar”, diz.
Já para Adriana, também ela escuteira, a vontade de pertencer ao maior clube da Escola Secundária de Lagoa surge pelas experiências que lhe eram relatadas por Francisca: “A minha irmã fazia várias actividades com o professor Luís Machado e com a turma dela, e a foi partir daí que se desenvolveu a minha curiosidade já que ela encontrava várias caixas e isso fez com que eu também entrasse no clube”.
Assim, para Adriana Costa uma das melhores experiências deu-se através da criação de uma “love box”, um tipo de caixa chinesa de construção mais complexa e difícil de abrir, enquanto que para Francisca Costa o maior desafio proporcionado por este clube passou pelo trilho feito na Lagoa das Furnas, permitindo-lhe também participar num vídeo de um projecto internacional que viria depois, entre 72 participantes, a classificar-se no 23.º lugar, vídeo este que será apresentado na BTL no próximo mês de Março.
Já Alexandre Silva, aluno do 12.º ano e membro deste clube há dois anos, teve conhecimento do Geocaching através do colega, também membro do clube, fazendo com que ambos partissem à descoberta de novas caixas, algo que viriam a fazer depois no clube escolar, local onde viria a ter oportunidade de construir caixas que considera “um desafio”, já que cada uma destas caixas tem enigmas e diferentes níveis de dificuldade associados.
 

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