1 de março de 2019

Pequenos agricultores garantem belezas paisagísticas dos recantos de São Miguel

 1 - Há uma revolução silenciosa na agricultura açoriana. As pequenas e médias explorações agro-pecuárias açorianas, sem água e electricidade, não têm condições para se manter porque não conseguem, no fim do mês, um cheque do leite que cubra as despesas da exploração. Já ninguém consegue cobrir esta realidade com um cesto.
Pode haver condições, em algumas circunstâncias, para dois ou três pequenos agricultores se juntarem, criarem condições de reivindicação para terem água e luz e, assim, se manterem na fileira do leite. Mas é preciso que, a par da reivindicação constante do presidente da Associação Agrícola, Jorge Rita, consigam força política suficiente para a electricidade e o abastecimento de água chegarem às suas vacas.
E escrevo assim porque sabemos que a indústria de lacticínios está, também de forma silenciosa, a fazer uma selecção de produtores porque aqueles que se vão conseguir manter serão unicamente os que terão leite refrigerado e quanto mais perto das fábricas melhor.
 Embora Jorge Rita afirme, com todas as suas forças, que é importante que chegue a água e electricidade às explorações agrícolas de zonas como os Mosteiros, o Nordeste e a Povoação, a verdade é que se isso não acontecer, o Governo dos Açores vai dar um tiro nos pés. Desaparecendo estas pequenas explorações das margens dos Mosteiros e de algumas zonas do Nordeste e Povoação, as grandes explorações agrícolas não vão investir nestes espaços, cujo rendimento é duvidoso. Logo poderão surgir zonas na ilha de São Miguel de grande aptidão turística, para passeios pedestres, que vão ficar abandonadas e que vão dar uma má imagem do destino turístico Açores. E não é para menos já que estão a tirar destes lugares os verdadeiros jardineiros de São Miguel e da Região.
Para que isto não aconteça, é mais barato agora investir na electrificação e no abastecimento de água a estas explorações agrícolas por forma a que os agricultores mantenham estes recantos de São Miguel com a mesma beleza de agora. 

2 – Enquanto jovem jornalista, segui de perto os primeiros passos da UNILEITE, com Mário Almeida na sua direcção. Porque tinha a confiança da direcção da UNILEITE de então, assistia às grandes dificuldades porque passou a União de Cooperativas e os passos que foram dados para que fosse ultrapassando os problemas, e fosse transferida para as Arribanas onde tem vindo a crescer para uma dimensão que orgulha não só os agricultores seus associados como toda a lavoura açoriana.
Com a decisão de Gil Jorge de sair da direcção da UNILEITE, deixando a União de Cooperativas numa situação financeira que ninguém conhece, e com as listas que se perfilam para a direcção sem grande experiência no sector cooperativo e de gestão, é claro que estamos preocupados enquanto cidadãos e jornalistas.
O nosso desejo é que a UNILEITE tenha um óptimo futuro em termos de mercados nacionais e internacionais, conseguindo escoar todos os produtos que tem nos armazéns da Lactaçores, porque só assim conseguirão ter contas positivas.
 Não há dúvidas que a UNILEITE, enquanto União de Cooperativas de Agricultores, é uma unidade fabril que tem um papel de extrema importância nos lacticínios em São Miguel assumindo, como tem assumido, um papel regulador no preço do leite ao produtor.
É é fundamental que os seus órgãos sociais, se necessário, tenham equipas técnicas competentes em seu redor para que a fábrica da União de Cooperativas continue a regular, em termos de preços do leite, na procura daquele que é o preço mais justo para os agricultores e seja mais compatível com a evolução do mercado de lacticínios. É este o desejo de todos os seus associados.

                                                                        

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Autor: João Paz

Categorias: Opinião

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