14 de março de 2019

Viagem às nossas escolhas

O famoso cliché «A tradição já não é o que era», impõe-se entre nós de forma irremediável…
Naturalmente que temos que acompanhar os tempos, que nos atualizar, melhorar conceitos e formas de estar, mas nunca em detrimento da nossa génese!
Um povo que não respeita, não amplia, não enaltece e não faz cumprir as suas tradições, não merece futuro pois insiste em não ter passado…
Por estes lados, o Carnaval resume-se em grande escala, desde sempre, pela Batalha das Limas e pelos Bailes do Coliseu, levando em consideração todas as outras iniciativas desta quadra do ano, como bailes de máscaras e outras festividades carnavalescas, com origens muito mais recentes.
Pois bem, convido-vos a fazer comigo um apanhado destes dois acontecimentos…
Quem outrora aguardava pelos tradicionais Bailes do Coliseu, sabe que a preparação individual era cuidada e revestida de pormenores que variavam entre a indumentária e as cestas, que nos acompanhavam, transportando comes e bebes para ao longo da noite serem consumidos e até partilhados, com amigos que também tivessem tido a vontade de celebrar o Carnaval no mesmo recinto! O traje obrigatório era o de vestido longo para as presenças femininas e o clássico smoking para os seus pares… Este era um dos aspetos que fazia da frequência dos bailes uma imagem de marca, de requinte e sem dúvida de prestígio!
Hoje e porque não sabemos manter com elegância, gosto e respeito as nossas tradições, tudo ou quase tudo é permitido… os vestidos curtos e trajes de passeio são um avolumar de criatividade e até smokings femininos ou o que se poderá entender assemelhar-se, são bem-vindos!
A permissividade assente em mudanças que se entendem acompanhar os tempos, de alguns ora aí está, não valoriza tradições, não se coaduna com vontades e sinceramente deturpa e inevitavelmente altera, o cariz dos seus propósitos! Não sou, de todo, a favor dos vários espaços criados no seu interior para diversos tipos de música, nem para diversos tipos de público, se é Carnaval no Coliseu haja coerência e limitem-se às músicas apropriadas para o evento…
Todos nos lembramos das famosas limas, feitas ao longo de meses com revestimento em cera e interior de água, para serem utilizadas na terça-feira de carnaval, como uma brincadeira que envolvia muita animação molhada… foram com o tempo sendo substituídas por balões de água e sacos plásticos, por uma questão logística de limpeza, pois a cera que ficava no chão demorava a ser removida e colocava em risco a circulação de viaturas…
Hoje e porque por cá a tendência é de criticar sem apresentar soluções, o problema são os plásticos que depois da batalha ficam na via e que, com imensa rapidez são removidos pelos colaboradores da Câmara da cidade, assim que o certame termina!
Pergunto: Os responsáveis por todas estas questões ambientais não estarão em situação de sugerir alternativas para o plástico, de forma que se continue a realizar a iniciativa, que é tão única como breve, em vez de andarem a arremessar críticas destrutivas?
Por certo existirá e disso devem ocupar-se os entendidos, um material que possa substituir os sacos de plástico!... A pressa deteve-se apenas nas palhinhas…
A nossa mentalidade é triste, retrógrada e tão cheia de ses…
Qualquer um destes eventos pode e deve ser cartaz turístico, desde que se reveja e classifique como pertencendo às nossas raízes culturais e não a uma pertença de meia dúzia, que fazem questão de representar uma panóplia de alterações que em nada, mesmo nada, nos identificam…
Sugiro e temos pelo menos um ano, que os responsáveis pelo departamento da cultura, da Câmara Municipal de Ponta Delgada, avancem com uma solução exequível para que se possa, à semelhança de outros festivais exteriores por este mundo fora, assistir (sem ter que participar na molha) à Batalha das Limas e que se faça também disto baluarte destas paragens…
Se fôssemos tão orgulhosos daquilo que nos representa, como somos de hábitos e costumes que nos chegaram de locais longínquos e que fazemos questão de celebrar, porque o faz o resto do mundo, estaríamos seguramente bem melhor colocados nos roteiros mundiais!
Saibamos ser mais e melhor…

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Categorias: Opinião

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