17 de março de 2019

O torneio dos “enjeitados insulares”

NÃO É SÉRIO - Termina hoje na ilha de São Miguel um torneio de futebol que classifico dos “enjeitados insulares”. 
Para não colocarem fora das provas nacionais os campeões dos Açores e da Madeira de juvenis (juniores “B”) e de iniciados (juniores “C”), arranjaram um torneio em quatro  dias, com dois jogos no espaço de 24 horas e um outro menos de 48 horas depois. Estilo dá-lhe e foge com jogos em horários impróprios.
Neste contra relógio de 12 jogos dos dois escalões, pretende-se qualificar uma das 4 equipas de juvenis e uma das 4 equipas de iniciados para a fase de apuramento do campeão com mais 5 clubes. 
Tão rápido, tão rápido que é uma contradição do que se pretende para qualquer competição que se quer séria. Este torneio não é sério. É um doce para os desprotegidos clubes das duas Regiões Autónomas a que se juntam mais duas equipas que são as melhores depois dos primeiros e de alguns dos segundos classificados das segundas fases dos respectivos campeonatos nacionais.
Para os atletas é um esforço enorme. Com o pouco tempo de repouso o rendimento não pode ser equilibrado nos três jogos. Ressentem-se mais os jogadores que ao longo dos meses de competição tiveram jogos menos intensos. Os do Santa Clara estão em primeiro lugar.

DEGOLA DE INOCENTES - Os campeões insulares destes escalões já passaram por tudo. Começaram por entrar na última fase, com os melhores dos melhores, resultando numa degola de inocentes em 6 jogos. Depois, sim, foram inseridos nas segundas fases, disputando 10 jogos. O rendimento melhorou mas nada de espectacular. 
Até que veio a crise. O dinheiro faltou para o Governo Regional dos Açores patrocinar as 10 deslocações e estadas dos campeões de juniores “B” e “C”. 
Os sinos tocaram a rebate quando soou que as equipas açorianas não terminariam a prova por falta de verbas. Entrou a Federação com a verba em falta. Num ano, em dois anos e...parou.
Foi encontrado um novo modelo, onde os aspectos competitivos e financeiros pesaram. Penalizando os campeões insulares. Joga-se este torneio relâmpago e as equipas das ilhas de 10 jogos de evolução passaram para 3 jogos de estagnação.
Tem sido evidente que os campeões dos Açores não reúnem condições técnicas, físicas, tácticas e afins para competirem na última fase. Os da Madeira até agora estavam quase na mesma linha, mas, nesta época, demonstram estarem diferentes para melhor.

SUGESTÃO - Como se resolve uma  participação decente e que possibilite aos atletas das equipas ilhéus jogarem com adversários mais fortes, mas sem serem os mais, mesmo os mais fortes? 
Uma das hipóteses é de as equipas campeãs dos Açores e da Madeira entrarem na primeira fase do campeonato. São 11 jogos numa só volta. Seis como visitados e cinco como visitantes apurados por sorteio. Começa na segunda semana de Agosto e termina três meses depois (Novembro). 
Seriam os clubes campeões das duas regiões autónomas da época anterior, como são todos os actuais participantes de ambos os campeonatos, mais as equipas que transitam de uma temporada para a outra, por direito desportivo.
Se as equipas insulares não se classificarem nos 4 primeiros lugares, que dão acesso à segunda fase na luta pela subida, regressam às provas de ilha para participarem nos campeonatos de ilha e regional. 
Os seus lugares na fase de manutenção/descidas ficariam em branco.
Se fossem qualificadas para a fase de subida e não fossem apuradas para a última fase, transitavam para a época seguinte. A presença insular seria limitada  a duas ou três equipas por arquipélago.
É apenas uma sugestão, a merecer estudo, diálogo e, acima de tudo, vontade de mudar para melhorar.

FINANCIMENTO/PARTICIPAÇÃO - O problema é o financiamento. Se neste modelo de fase concentrada os custos são atribuídos à Federação, porquê mudá-lo? Não interessa. Ao mudar, volta a Direcção Regional do Desporto a despender verbas para as viagens e estadas. 
A Federação assume os custos com estes torneios. Fá-lo em provas  que não interessam ao desenvolvimento do futebol em zonas mais carenciadas. 
É importante para estes jovens evoluírem que realizem mais jogos. No estado actual continuaremos, ano após ano, nesta cepa torta, com alguns lampejos de pequenos êxitos.
Com os apoios para as deslocações e as estadas a serem concedidos pelo Instituto de Portugal da Juventude e Desporto (IPDJ) só a partir do escalão júnior para as equipas continentais, teria de ser a Federação e a suportar as despesas de deslocações para os dois escalões. Estarão interessados? Não me parece.
No caso do governo açoriano tinha de recuperar a verba que já disponibilizara até à época de 2015/2016.

RECEITA SEM APOIOS - No meio da tristeza surge quase sempre um ou outro aspecto positivo. Neste caso é o facto de esta fase estar a ser disputada na ilha de São Miguel. São 4 noites de estadas para cerca de 150 pessoas sem o Governo Regional e as autarquias locais concederem um cêntimo. Devem estar admirados porque quase nada acontece por cá sem os contribuintes...contribuírem. O futebol tem destas coisas. 
Em época baixa, é uma boa ocupação que renderá boas centenas de euros. E quem paga tem dinheiro e fá-lo a tempo e horas: a rica Federação...
 

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Categorias: Opinião

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