Rashid esteve em Alvalade e foi “engolido” pelos adeptos

Cerca de 150 não cessaram no apoio ao Santa Clara

Na porta 1 do novo estádio de Alvalade, que recebeu pela primeira vez o Santa Clara, cerca de 1 hora e meia antes do jogo começaram a concentrarem-se adeptos do Santa Clara. É por ali a entrada para a zona dos apoiantes das equipas visitantes.
Rui Damião, impulsionador da claque do Santa Clara, foi propositadamente para ver o jogo. Foi dos primeiros a chegar. Levava o tambor, mas não pôde transportá-lo para o interior do estádio. Como a claque do Santa Clara não está registada no Instituto Português do Desporto de Juventude (IPDJ), como determinam os regulamentos, não houve rufar de tambores.
À medida que a hora do jogo se aproximava, o número de adeptos aumentou. Uns ostentavam cachecóis do Santa Clara timidamente. Não fossem confundi-los como adeptos do rival Benfica, cujo emblema é muito parecido.
Um dos elementos do grupo que foi engrossando despertou a curiosidade. Omar Rashid. O médio do Santa Clara foi assistir ao jogo na bancada. Quando foi reconhecido, foi “engolido” para fotos com os adeptos, maioritariamente jovens que ou estudam, ou trabalham e muitos que residem em Lisboa e na periferia. 
Rashid deu uma boa notícia. Segunda-feira recomeça os treinos sem limitações depois da lesão contraída no joelho na partida com o Boavista há um mês.

NA “JAULA”

Os adeptos do Santa Clara foram encaminhados para a “jaula” que está reservada para quem é das equipas adversárias do Sporting. Rede por todo o lado. Uma rede irritante e que dificulta uma escorreita visão do campo de jogo.
Eram 7 os agentes da PSP e 4 os seguranças para cerca de 150 apoiantes que se concentraram naquele local. Houve mais adeptos, mas adquiriram bilhete para outras zonas do estádio. 
Entre os 28 129 espectadores que estiveram em Alvalade, houve quem usasse a bandeira dos Açores junto da camisola...do Sporting. A Paula, identificada na camisola “verde branca”, foi uma das adeptas leoninas que manteve o apoio ao...Sporting. Contrariamente a outros, que sendo do Sporting estiveram a apoiar o clube da sua ilha ou Região. Alto e em bom som.
Bandeiras dos Açores e uma do Santa Clara. Cachecóis eram muitos naquela zona. 
A malta mais nova juntou-se. Não parou de entoar cânticos, de clamar por Santa...Clara. Apenas por ocasião do golo houve silêncio. De resto não faltou apoio. No final os jogadores agradeceram vindo junto do sector onde estavam os associados e os adeptos.
A seguir, os 7 polícias impediram que aquelas 150 pessoas saíssem. Havia perigo!!! Cerca de 10 minutos depois foi dada autorização para deixarem o local. Já era reduzida a presença dos sportinguistas, saídos com ar de satisfação pelo triunfo, mas agastados por mais uma exibição intranquila, sem chama e com pouca qualidade da equipa.

ERRO FATAL

Se não fosse o erro fatal na marcação a Bruno Fernandes, por ocasião de um lançamento de linha lateral efectuado por Acuna, o Santa Clara poderia ter saído de Lisboa com um ponto, pelo menos.
É inadmissível um erro daqueles. César, que na globalidade fez um bom jogo, esqueceu-se de Bruno Fernandes. E logo para o melhor atleta do Sporting. Progressão rápida e endosso para a concretização fácil de Raphinha. 
Depois de 59 minutos tão certinhos, apesar da muito intermitente posse de bola nos 20 minutos iniciais, o Santa Clara sofreu um golo num erro que ante equipas e atletas talentosos resulta...em derrotas. Mesmo quando se joga calmamente...
Se a equipa do Santa Clara que começou a época, com Fernando e com Thiago Santana, estivesse em Alvalade perante aquela equipa de “leãozinhos”, poderia regressar com mais do que 1 ponto.
Como lhe competia, a equipa do Sporting teve mais posse de bola e mais remates perigosos, mas o Santa Clara, por duas vezes na 2.ª parte, poderia ter marcado. O egoísmo de Zé Manuel deixou a dúvida se ao dar a bola ao colega e vez de rematar, o resultado não seria outro.
Além de Marco, Patrick, Fábio Cardoso, Francisco Ramos, Kaio (pena não ter mais qualidade no passe) e Bruno Lamas estiveram bem. Evouna tem currículo para fazer mais e melhor. Aliás, dos reforços de Janeiro, só Francisco Ramos tem justificado. É português e conhecem-se as capacidades, ao contrário de outros. 
Ah, o Santa Clara teve 6 portugueses em campo (4 titulares) e o Sporting 2 (um titular). Isto já não é notícia. Mas é um registo.

“O futebol português anda meio adormecido”
O treinador do Santa Clara teve uma intervenção longa na sala de imprensa do estádio de Alvalade. Falou do jogo e falou da qualidade dos atletas do Santa Clara:
“Nós não vínhamos para uma festa. Viemos para conquistar 3 pontos. Por uma questão de infelicidade, por um erro nosso, por eficácia ou por mérito do Sporting, não levamos nada. 
Temos 32 pontos e com mais 3 ficamos praticamente com a manutenção resolvida. A acontecer dar-nos-á mais tranquilidade para abordar os próximos jogos. Não estamos apenas preocupados em atingir os 35 pontos. Queremos muito mais. Queremos ultrapassar a barreira dos 40 pontos. Temos 4 jogos em casa e 4 fora com adversários difíceis, onde vamos estar com a mesma ambição do início da época, com jogos mais e com jogos menos conseguidos”.
A seguir, o treinador do Santa Clara fez uma incursão pela qualidade do plantel.
“Temos 5 jogadores que vão para as selecções dos seus países. Se o Rashid não estivesse magoado eram 6. Para uma equipa com a dimensão do Santa Clara ter este número de internacionais revela que há qualidade individual e que o trabalho está a ser bem feito na pontencialização dos valores. O futebol português anda meio adormecido em relação a alguns dos valores que temos na equipa”
Sobre o jogo, referiu João Henriques: “Os jogadores tiveram coragem de jogarem olhos nos olhos com o Sporting. Não é fácil fazer o que fizemos neste estádio. Por isso é com sabor amargo que partimos. O Sporting teve naturalmente mais remates, mas com poucas oportunidades de golo. Aliás, as melhores ocasiões foram do Santa Clara. Além de perdermos muitos passes no inicio, houve aquele erro fatal. Um erro de posicionamento que a não acontecer poderia ter-nos dado um ponto, pelo menos. Fora aqueles segundos negativos, fomos organizados, com critério, com mais bola na 2.ª parte e depois do golo estivemos por cima do Sporting”.
 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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