Casal que adoptou três filhos fala no Dia do Pai

 José Carlos e Ana Isabel, casados há 14 anos, decidiram adoptar três irmãos e concretizar o desejo de constituir uma família, dia que celebram a cada 13 de Março. “Eles foram-nos dados; nós fomos-lhes dados. Não foram gerados por nós, foram gerados por outros mas por alguma razão, aconteceu assim. E eles estão aqui hoje, felizes e contentes”, explica José Carlos à Agência Ecclesia para falar da relação de paternidade que estabeleceu com os seus três filhos, adoptados há cinco anos.
O processo que os levou a optar pela adopção, conta José Carlos, aconteceu após seis tratamentos de fertilidade sem resultados. “Se Deus quer outra coisa para nós, se de facto Deus quer que seja outro o caminho, então porque não este? Sabíamos que ao contrário do biológico, em que uma pessoa fica ansiosa com o resultado porque não sabe o que acontecer, aqui sabíamos que iria acontecer. Então vamos esperar o tempo que for preciso”, conta à Agência Ecclesia José Carlos.
Sabiam que poderiam ter um tempo de espera de cerca de oito anos e que a cada 18 meses teriam uma reunião de rotina para reafirmar a vontade de prosseguir com o processo de adopção.
Durante os anos de espera “não se cria uma ideia de ser pai” mas, inevitavelmente, questiona-se: “Se eles já nasceram, quando nasceram, onde estarão, como será a sua vida, serão baptizados? Foram coisas que fomos perguntando ao longo da espera”, recorda o professor de biologia.
A notícia chega, quatro anos depois, numa reunião que seria de rotina. O pedido feito no processo de adopção seria referente a irmãos, sem nunca indicarem um número e idades específicas.
A proposta veio com os três irmãos Maria, Ana e José (nomes fictícios), na altura com nove, sete e quatro anos, respectivamente. “Puseram-nos o processo à frente, sem fotografias. Como já tínhamos definido o sim, o que fizemos foi escrever os nomes e à frente de cada um tirar o máximo de informações: que roupas vestem, o que querem ser, a cor preferida, o que mais gostam de fazer…”, recorda José Carlos, referindo-se a informações actuais e futuras, mais do que fixar o seu contexto e circunstância que os levou ao acolhimento numa instituição.
Dias depois, confrontam-se com as suas fotografias, primeiro a preto e branco e depois a cores: «Olha, são giros, que miúdos bonitos», afirma José Carlos, assumindo um preconceito. E, ali, nasce uma afeição natural que o pai não consegue explicar: “Naquele segundo pensa-se: «estes são os meus, os que me foram dados». Isto sente-se logo”.
Desde há cinco anos que o dia 13 de Março, dia em que a Maria, a Ana e o José entraram em casa pela primeira vez e não mais saíram, é assinalada.
“Não com prendas ou com algo de especial; mas como somos cristãos e rezamos às refeições, colocamos essa intenção nesse dia”, indica José referindo-se ao dia que passou a ser o «Dia da Família». Despois de “muita confusão” inicial, inevitável de quem passa de uma rotina de dois para cinco, José Carlos dá conta da satisfação enorme que é “poder transmitir valores, cultura e sabedoria” a alguém.
“Não lhes damos tudo o que querem, mas damos tudo o que pensamos que eles precisam. Não sabemos, mas achamos que é o que precisam”, explica olhando para esta relação de cinco anos de paternidade.
Um dia marcante na vida dos cinco assinalou-se quando a Maria, a Ana e o José foram baptizados.
De filhos adoptivos, a Maria, a Ana e o José tornaram-se filhos: se foi o processo de adopção que explicou o início da sua relação, não é mais hoje isso que rege a ligação com o pai José Carlos e a mãe Ana Isabel.

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Autor: CA

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