28 de março de 2019

AzoresBot 2019 ou a importância da Robótica na Educação

O Festival de Robótica dos Açores será realizado em Ponta Delgada, de 3 a 5 de junho de 2019, promovido pela PROBOT - Associação de Programação e Robótica dos Açores, pela Associação Nacional de Professores de Informática, pela Escola Básica Integrada Roberto Ivens, em parceria com o Universidade dos Açores, através do GRIA – Grupo de Robótica e Inteligência Artificial da Universidade dos Açores, o IVAR - Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos e tem o apolo do AmericanCorner e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e dos  organismos regionais: DRCT - Direção Regional da Ciência e Tecnologia eDRE - Direção Regional de Educação.
Estefestival promove a Tecnologia junto dos jovens, dos professores e investigadores, através da manipulação e construção de robôs autónomos.Pretende-se promover o espírito inovador, empreendedor nas crianças e jovens através de métodos ativos de ensino, assim como a aquisição de competências transversais, divulgando também esta área junto do público em geral. 
O festival de Robótica terá, no primeiro dia, formações e workshops de construção de robôs o que permitirá a participação de todos, mesmo que a equipa participante não tenham previamente qualquer robô, já que existe a possibilidade de adquirir um kit com os componentes do robô para as atividades do festival.
Nos dias seguintes serão organizadas atividades que utilizam robôs para contar uma história ou para realizar percursos com obstáculos vários.Os regulamentos e toda a informação relevante estará disponível no site do evento a partirdo início de abril, assim como o formulário de inscrição.
O evento é dirigido aos clubes de robótica existentes em quase todas as escolas da região, estando disponível a medida de financiamento PRO-SCIENTIA - Eixo 3 - QUALIFICAR; Ação 3.4, B - Implementação de iniciativas e projetos de difusão da cultura científica e tecnológica por parte da DRCT, a qual apoia a participação das equipas no referido evento, com exceção da inscrição que não é uma despesa elegível, sendo, no entanto, elegível no âmbito do funcionamento dos clubes.
Mas porque é o estudo da robótica tão aliciante tendo em conta que os robôs desenvolvidos nas escolas nunca poderão ser competitivos com uma indústria de automação florescente que faz máquinas verdadeiramente extraordinárias? 
A tecnologia está a mudar a forma como fazemos as coisas em todoo mundo, e o movimento no sentido do desenvolvimento e da inovação parece imparável. O que podemas escolas fazer para preparar a próxima geração para um futuro tão incerto? Esta é a pergunta que tem estado na mente de grande parte dos educadores.
A verdade é que as instituições de ensino já fazem muito trabalho neste sentido. A robótica é uma área onde este movimento é bem visível. Pretende-se traçar uma rota que passe por um paradigma académico que traga para o mesmo barco legisladores, cientistas e governos. Assim, ensinar robótica nas escolas está a tornar-se uma parte cada vez mais indispensável do currículo. 
Mas comecemos pelo princípio, afinal como se distingue um robô de uma qualquer outra máquina construída pelo homem?
Os robôs são definidos como máquinas ou dispositivos programáveis que podem substituir os humanos na execução de uma série de tarefas. Estes aparelhos têm três componentes essenciais que lhes atribuem diferentes graus de autonomia: um conjunto de sensores capazes de recolher dados sobre o meio ambiente onde se encontram; um processador ou componente de controlo, a parte programável capaz de processar a informação proveniente dos sensores e tomar decisões que são enviadas aos atuadores capazes de atuar sobre o meio. Os atuadores podem ser elementos de deslocação tão simples como duas rodas ou tão complexos como pernas mecânicas, braços mecânicos, emissores de luz, ou qualquer outra forma de realizar a(s) tarefa(s) para que foi desenhado.
Os bots são robôs virtuais onde apenas a parte programável é visível. Apesar de desprovidos de componentes mecânicas e eletrónicas, contando apenas com os componentes disponíveis num PC de secretária, podem ter o componente de processamento muito desenvolvido com tecnologias sofisticadas de inteligência artificial.
Hoje, a robótica avançada continua a surpreender. Além de bots baseados em AI como a Sofia, Siri, Alexa, Cortana e Google Assistant, e graças a gigantes da tecnologia como a Amazon, Microsoft, Apple e outros que continuam a definir o ritmo, este setor tem a forte capacidade de maravilhar e deslumbrar. Mas estas criações não começaram ontem.
A robótica moderna começou no início dos anos 1950, quando George C. Devol criou um robô programável chamado “Unimate”. George tentou, sem sucesso, vender a sua criação por quase uma década, até que Joseph Engleberger, empresário e engenheiro, comprou a Unimate na década de 1960 e começou a produção em massa de robôs. Até hoje, Joseph Engleberger é referido como o pai da moderna indústria robótica. 
A academia também está no centro da robótica há muitos anos. Em 1958, o investigador Charles Rosen liderou o Stanford Research Institute no desenvolvimento de “Shakey”, um robô em escala industrial com recursos avançados, que podia mover-senuma sala e perceber os seus contornos.Hoje, robôs como o Milo e o ASK NAO continuam a trazer o mundopara um futuro de inteligência artificial.
A robótica nas escolas trás aos alunos enormes benefícios, não apenas para o presente, mas também para o previsível futuro da IA.Alguns desses benefícios são enumerados em seguida.
Não há muitos campos do conhecimento e da ciência que incorporem criatividade e diversão simultaneamente. Estudos mostram que a robótica alcança ambos. Na verdade, os alunos adoram participar em atividades nas quais têm um controlo total, algo que é possível com a robótica. Quando os alunos sentem que são capazes de criar algo de novo, tendem a querer desenvolver mais, a saber mais.
Por outro lado, o desenho e criação de robôs constituem atividades práticas de aprendizagem que aumentam a concentração e os níveis de atenção. Quanto mais os alunos aprendem habilidades físicas, mais se sentem integrados e interessados na aula.
Com tecnologias avançadas, como carros sem motoristas e naves espaciais a serem anunciados todos os dias, a atual geração de estudantes precisa de estar apta e preparada para as mudanças tecnológicas,mais agora do que qualquer outra altura. À medida que a inteligência artificial se torna predominante em aplicações práticas, escolas e escritórios, um pouco de conhecimento de programação ajudará todos a entender como esses bots funcionam.
Criar e programar robôs é um desafio. No entanto, trabalhar com a frustração ajuda os alunos a desenvolver uma atitude de nunca desistir. Assim se constrói a determinação e a persistência, que é crucial para qualquer empreendimento tecnológico ou científico.
A robótica incorpora uma vasta gama de competências e, portanto, promove um ambiente de aprendizagem para pessoas com diferentes conhecimentos. Se devidamente aproveitado, também promove uma cultura de trabalho em equipa. Pode até mesmo ser usado para ajudar estudantes com dificuldades de aprendizagem em ambientes de sala de aula tradicionais. Por exemplo, o robô ASK NAO foi desenvolvido para ajudar estudantes autistas em que o principal objetivo é o envolvimento de todos por meio de abordagens modernas de tecnologia educacional.
Os educadores devem abraçar as mais recentes competências e conhecimentos para um ensino eficaz. É por isso que devem adotar a robótica, que está a abrir novos caminhos em metodologias de aprendizagem em todo o mundo. 


Baseado no seguinte texto:
Beverly Lerch, “7 Reasons Why Robotics Should 
be Taught in Schools” 
publicado a 14 de maio, 2018, blog.robotiq.com

Armando B. Mendes

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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