António Pedro Lopes e a 6ª edição do festival que decorre de 9 a 13 de Abril

O Tremor serve “para diminuir medos preconceitos, estranhezas e abrir cabeças”

Do vasto programa que têm este ano, o que mais destaca?
Faço cinco destaques, um por dia. A 9 Abril, o Tremor abre com a Ondamarela + Escola de Música Rabo de Peixe + Associação de Surdos da Ilha de São Miguel. Este é um grande projecto que junta surdos e ouvintes e que provoca um encontro em torno da criação musical e artística. É a celebração do acesso e de podermos mostrar novas possibilidades de participação em festivais de música. 
A 10 Abril, a Natalie Sharp’s Earthly Delights apresenta-se no Tremor Todo-o-Terreno, powered by Merrell. Portanto, uma banda sonora para um trilho pedestre com uma prestação ao vivo. Esta situação é muito limitada e procurada, e anualmente é um deleite descobrir como os artistas se inspiram na nossa ilha, para criar som e uma situação performativa. A 11 Abril, o festival apresenta a troupe de João Peste, os mui celebrados e influentes Pop Dell’ Arte. A 12 Abril, o Tremor vai até à Ribeira Grande, passando pelo Arquipélago Centro de Artes ao Teatro Ribeiragrandense, o Mercado Municipal, entre outros espaços. O programa é extenso e acaba às 4h da manhã com uma festa de dança liderada pelos muito nossos DJs TAPE, NEX e Zuga 73. Já a 13 Abril, o Tremor acontece durante 24h em Ponta Delgada, desde percorrer a cidade, entre várias salas e espaços da mesma, começando a descobrir o Lieven Martens no Jardim António Borges, e acabando a dançar e a exorcizar mais uma edição no Arco 8, com maestro de grandes finales que é o nosso La Flama Blanca.

Que bandas internacionais e nacionais são mais esperadas pelo público do Tremor?
O público do Tremor é um público curioso que participa no festival pela experiência total que ele proporciona. No entanto, das bandas internacionais, o buzz está aí para a grande festa de funaná dos históricos Bulimundo, o regresso a Ponta Delgada dos catalães ZA!, a estreia açoriana do etíope Hailu Mergia e a festa revolucionária dos brasileiros Teto Preto. Das bandas nacionais, há o regresso aos Açores de Lula Pena, com as suas canções sem fronteiras e embebidas de referências do mundo lusófono e além-mar, ou o surf rock desbragado e energético, o verdadeiro boy meets girl dos Sunflowers. 

As regionais terão um destaque diferente no cartaz deste ano?
Sim, todos os projectos dos Açores foram desafiados a participar de um projecto de residência artística ou a trabalhar em colaboração com outros artistas. A Ondamarela + Escola de Música de Rabo de Peixe + ASISM, que já referi anteriormente, é uma colaboração de diferenças de um encontro entre dois grandes ensembles. Convidamos os Za a colaborarem com as Despensas Os Companheiros de Rabo de Peixe, e o fotógrafo espanhol Rubén Monfort, que reside na ilha há cinco anos, a criar uma exposição sobre essa grande tradição popular. Há vários processos colaborativos em residência artística, cujos resultados serão a descobrir na programação do festival: DB + Balada Brassado, Pedro Lucas + We Sea, Cristóvão Ferreira + Tupperwear, Diogo Lima + LBC, Rafael Carvalho + FLIP + Convidados. 
Já a festa e as pistas de dança do festival estão nas mãos de alguns dos mais notáveis DJs da ilha: DJ Milhafre, DJ Fellini, Nex, Tape, Zuga 73.

Os passes estão esgotados. O que acha que mais chama a atenção do vosso público este ano? 
A experiência Tremor. A fusão entre música, natureza e conhecer a comunidade de São Miguel. Toda a gente quer vir viver a nossa ilha e descobrir outras formas de o fazer aqui, sejam espectadores locais ou visitantes. O Tremor celebra a nossa riqueza cultural e natural e existe um reconhecimento de que estamos num lugar que inspira, que está em mutação e que é vibrante na forma como acolhe, desafia e é palco para experimentações. 
Depois, o cartaz induz à curiosidade, à descoberta, à surpresa. Isso, e a insistência em manter a escala humana de proximidade e de reconhecimento, faz com que o nosso público olhe o Tremor com singularidade e como algo deveras especial.

Quais são as iniciativas pensadas para os mais pequenos e as suas famílias?
Este ano o Mini-Tremor decorre no Estúdio 13-Espaço de Indústrias Criativas, na zona das Laranjeiras, em Ponta Delgada. A programação é de livre acesso, mediante a disponibilidade das salas, e inclui uma instalação da bailarina e coreógrafa Maria João Gouveia, um concerto de panelas com crianças liderado pelo “maestro” Samuel Martins Coelho, um concerto dos Free Love e aulas de movimento criativo pela bailarina e educadora Catarina Medeiros. Vai haver espaço para desenhar, e principalmente, para dançar uma vez que toda a programação é percorrida por uma Mini-Disco Tremor, regida pelas escolhas musicais do DJ Milhafrinho.

De que forma o Tremor vai marcar presença este ano nas outras ilhas? 
Este ano incluímos a ilha de Santa Maria no programa de Sexta-feira. Os bilhetes também esgotaram e a promessa do Tremor Santa Maria é de uma experiência de 14 horas na ilha de sol com concertos de Natalie Sharp’s Earthly Delights e Sunflowers, cultura local, passeios turísticos e refeições. De madrugada até ao fim da tarde, a ilha serve de palco a uma experiência total de turismo criativo para 45 sortudos. Os marienses são, claro, nossos convidados a assistir às actividades artísticas e concertos.

A cultura ganha uma nova dimensão nesta altura do ano nos Açores? Como e porquê?
Sim, o Tremor é um festival de cultura. Celebramo-la sem medos, nem preconceitos. Fazemo-lo para diminuir medos, preconceitos, estranhezas e abrir cabeças. Damos a ver e a ouvir, criamos plataformas para experimentar, criar, pensar e falar, desafiamos a estabilidade e os status fechados das coisas, criamos um lugar seguro, diverso e experimental e provocamos choques de mundos. Anualmente, renovamos a forma de olhar a ilha como um território criativo e implicamos novas comunidades na sua realização. 
A nova dimensão à cultura que o Tremor traz passa por escrever o presente, olhando para as nossas tradições e os prenúncios de futuro. Reconhecemos as urgências e somos movidos pela necessidade de discussão e abertura de pensamento que só a criação artística contemporânea permite. Finalmente, queremos acreditar sempre na máxima “um por todos, e todos por um”. Não fazemos o Tremor sozinhos, fazemo-lo em conjunto com dezenas de parceiros e centenas de pessoas. É muito difícil renovar essa energia todos os anos a partir do zero, mas é indiscutível a sua força e a sua capacidade de transformação no território e nas vidas das pessoas. O Tremor transforma e transforma-se a cada edição, e essa é a dimensão que nos interessa, o aqui e o agora, as urgências, as necessidades e narrativas das pessoas do nosso lugar no mundo.

Fazer parte do cartaz cultural dos Açores é um orgulho?
É um orgulho, uma missão e um trabalho que não acaba. Fazer parte do cartaz cultural dos Açores é sobretudo uma conversa que se renova ano após ano, primeiro entre nós que o tornamos realidade, a YUZIN, a Lovers & Lollypops, e depois na forma como estendemos esse diálogo em conjunto com o Governo dos Açores, o Município de Ponta Delgada, a Ribeira Grande, Vila do Porto e todos os parceiros, os múltiplos patrocinadores, detentores de espaços, operadores da ilha e centenas de cidadãos que vêem no festival um motivo de orgulho, uma identificação de pertença, um entusiasmo renovado, e acima de tudo, uma necessidade.

Que evoluções nota no festival desde o início até agora? 
O Tremor mudou radicalmente da primeira edição para esta sexta edição. Passamos do festival de 24 horas de música portuguesa no centro de Ponta Delgada, ao festival de cinco dias que tem em Ponta Delgada o seu quartel-general e 70% das actividades, mas que toma a ilha de São Miguel como palco. Tornou-se um festival que inclui a nossa natureza, as nossas tradições e as comunidades anfitriãs na sua programação. A programação tem um perfil multidisciplinar e inclui artistas de todas as geografias e filões da criação artística.


Patrícia Carreiro/ 9idAzoresNews 
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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