I Encontro do Turismo dos Açores em São Jorge

Fernando Neves aponta soluções para “surfar a nova onda” turística que está a inundar e a criar riqueza nos Açores

O delegado da Associação de Hotelaria de Portugal nos Açores, Fernando Neves, afirmou ontem nas Velas de São Jorge que “é a partir das características diferenciadoras” de todas as ilhas dos Açores que se “tem de desenvolver um trabalho de complementaridade de produtos e actividades turísticas entre ilhas, reforçando a identidade açoriana enquanto destino turístico – o que qualifica e valoriza a nossa oferta turística e, assim, reforça a coesão e reduzir a sazonalidade”.
O empresário hoteleiro referiu-se, a propósito, ao princípio dos vasos comunicantes que, estando todos interligados e com boa circulação entre eles, gera-se uma corrente forte com espaço que os torna mais fortes do que fosse apenas um.
Fernando Neves despiu-se do empresário hoteleiro e vestiu-se de um açoriano que tem definições próprias sobre coesão e sazonalidade do turismo na Região.
Surpreendeu todos quando começou por contar as suas experiências na Fajã dos Vimes, em São Jorge onde confessa que passa parte do seu tempo. Fala do mar, das colchas da Alzira e da Carminda, do café jorgense, das diferentes espécies de café dentro da Fajã, o do José Nunes e o da Alzira. Fernando Neves mostra uma familiaridade com São Jorge, tratando as pessoas pelo nome, que deixou todos (ou quase todos) de boca aberta. 
O empresário fala dos percursos pedestres jorgenses e da visita à Casa de Francisco Lacerda, que define como musicólogo, compositor, maestro com notável carreira internacional, nascido na Ribeira Seca/Odes – pequenos trechos.
Vai à Fajã de São João, atravessa a ilha. Inicia a subida “íngreme” da Serra do Topo – “retemperando forças com Uvas da Serra, arbusto endémico que se encontra em zonas mais altas, que produz bagas tipo mirtilos, aqui (São Jorge) também conhecidas como Romania. E fala do doce e da aguardente dos locais.
No final da subida à Serra do Topo, não esquece o parque eólico, “um exemplo de preservação ambiental e contributo para a sazonalidade”.
Fernando Neves faz uma breve paragem para desfrutar o silêncio, sentir a refrescante brisa e apreciar a paisagem, a beleza e a exuberância da natureza, e iniciar a relaxante descida até à Fajã do Santo Cristo, onde se pode ver as amêijoas (CLAMES) grandes, saborosas e únicas; as Boas ondas, o Surf.
Fazer a Fajã dos Cubres e regressar à Fajã dos Vimes, com uma visita à fábrica de Queijo dos Lourais – e degustação do “excelente” queijo dos Lourais e outros queijos jorgenses, de preferência os mais curados.
O empresário apresenta estes como “alguns exemplos” do potencial turístico de São Jorge, “o que a torna única, “todas as ilhas têm a sua própria identidade”.
E não esquece a Graciosa, com a Furna do Enxofre, Termas do Carapacho, Moinho Vento, Avistar Aves – Painho Monteiro (ave endémica) e o vinho ‘Pedras Brancas’.
Vive o Pico, a paisagem da Cultura da Vinha Património da Humanidade, os currais Lagido, os campos de lava, a Montanha, os Museus que se “identificam e valorizam a vivência e cultura da ilha de Manuel Francisco Costa Júnior”.
“São estas particularidades que constituem o nosso ADN turístico”, afirma.
A par da coesão, refere, a sazonalidade “tem que ser olhada como o principal desafio, definindo objectivos claros e a estratégia que permita atingi-los. Mais turistas, mais dormidas e, consequentemente, mais receitas em meses agora mais baixos e em mais ilhas é”, para Fernando Neves, “a chave para a sustentabilidade e maior rentabilidade do sector”.
“E a melhor rentabilidade”, prossegue, “reúne as condições para que todos possam melhorar com o Turismo, nomeadamente, oferecendo melhores salários e condições de trabalho, o que torna o sector mais apelativo, para que as pessoas mais habilitadas e mais qualificadas venham para o turismo”.
Falou, a propósito das actuais dificuldades com Recursos Humanos como sendo u problema demográfico que afecta o turismo.

“Começa a formar-se
A nova onda…”

O representante da Associação de Hotelaria de Portugal realçou, na sua intervenção, que, actualmente, “começa a forma-se uma nova ONDA, uma tendência geral do alargamento da Época Alta; quer pelo perfil de turistas com férias repartidas, quer pelas alterações climáticas com o período de Abril a Outubro mais quentes na Região; quer pela procura de épocas alternativas de turistas que querem fugir às multidões e à confusão do Verão”.

“Como Surfar esta Nova ONDA…?”

É Fernando Neves que faz a pergunta para depois sublinhar que é a resposta a esta questão “que temos que encontrar”.
O empresário apresenta, em conclusão, alguns tópicos. Releva as acessibilidades e afirma que com a liberalização do espaço aéreo, o destino “afirmou-se e cresceu”. Sublinha, em sequência, que no momento actual do turismo, “é fundamental que esta facilidade de acessibilidade também seja efectiva nos Açores” e, a propósito, questiona: “Um novo modelo de transporte?”.
Dá, também particular importância, aos recursos humanos no turismo e defendeu “a aposta e alargamento na formação, continuando com o plano de formação”.
Preconizou um fortalecimento da “tradicional hospitalidade açoriana” e referiu-se ao ‘Açores recebe bem’ que está a ser implementado.
Defendeu o desenvolvimento de nichos de mercado e a promoção de eventos diversos. Ao nível cultural, preconizou a “valorização das infra-estruturas e o património cultural”.
É apologista de roteiros ‘culturais/gastronómicos’ e da rota museus/queijo. Referiu-se também ao vinho e ao turismo de Saúde e Bem-Estar”.
Entende que os Açores se devem focar em duas a três áreas de especialidade para “nos podermos distinguir e quer a Região direccionada “para mercados mais sensíveis a viajar na época baixa”. 
Aceita que um dos maiores desafios dos Açores é a Sustentabilidade, uma aposta governamental que “reforça uma visão de futuro”, deve ser encarada como a “principal bandeira do Turismo nos Açores” e que, em seu entender, “tem na coesão e na sazonalidade os dois principais pilares”.

AL pensando em
Sustentabilidade

No entender de Fernando Neves, quando se fala de Alojamento Local “também tem que se pensar em sustentabilidade” e afirma, de forma peremptória, que “mais do que a quantidade devemos focar-nos na qualidade, direccionando a oferta de alojamento para um patamar que esteja em harmonia com os produtos centrais do turismo dos Açores e a Estratégia da Sustentabilidade, e que corresponda às expectativas dos principais mercados alvo”.
Na sua opinião, os novos projectos de Alojamento Local deverão caracterizar-se “pelo respeito por princípios de preservação e sustentabilidade paisagística, autenticidade/identidade e ambiental”.
Diz, em sequência, que o paradigma “está a mudar, com uma maior consciência ambiental e sustentabilidade”.

POTRAA: 150 camas nas cidades
e 100 camas nos centros rurais

Cita o POTRAA, Plano de Ordenamento Turístico dos Açores que, na sua nova versão, aponta para unidades hoteleiras de 150 camas nas cidades e 100 camas em centros rurais.
Defende a “recuperação e valorização do património edificado”, seguindo modelos que “respeitem a arquitectura tradicional de cada ilha e com reduzido impacto (na natureza, na agricultura e arquitectura”.
Sublinha, a propósito, que os grandes empreendimentos “passam a imagem de destino massificado, não compatível com a estratégia actual e a sustentabilidade”.
Fala em “diversificar localizações, com a distribuição espacial da oferta” com o objectivo de “reduzir a capacidade de carga e impacto social”.
É apologista de que se deve “gerir a instalação de alojamento, nomeadamente AL, por zonas, de forma a não conflituar com os locais – alimentando a fobia anti-turistas”.
Assim, prosseguiu, o alojamento “afirma-se como mais-valia e enriquece a oferta turística”.
Já a fechar a sua intervenção falou em chaves-mestras do turismo: “silêncio, sossego, segurança, autenticidade”, o que considerou como “bens de luxo de hoje”.
Como sublinha, a terminar, “cabe-nos a responsabilidade de preservar estes nossos bens tão preciosos para que os Açores se possam afirmar como destino de Excelência Hoje e no Futuro”.

               

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

x
Revista Pub açorianissima