Pedro Moura quer concluir ainda algumas obras antes de deixar a Junta de Freguesia

“Concorri com espírito de missão convicto de que daria um contributo para melhorar a freguesia e as condições de vida dos seus habitantes”

Numa entrevista concedida no início do seu mandato chegou a dizer à comunicação social que “São Roque ia ser uma marginal de Cascais”. Não é bem a mesma coisa, mas anda lá parecido porque as diferenças daquilo que era e é hoje são abismais.
E pegando precisamente na zona litoral e porque muita coisa já foi feita, em São Roque, a protecção da orla marítima é um problema, já que continuam a existir quintais a cair e casas em risco. Não sendo esta uma responsabilidade exclusivamente da Junta, Pedro Moura diz que “nunca nos desculpamos com esse argumento. A responsabilidade é de todos e a Junta tem feito muita coisa que competiria à Câmara ou ao Governo. Nunca dizemos isso não é da nossa competência. No caso da Orla Costeira já fizemos diversas intervenções. As casas que refere por enquanto não estão ameaçadas. Há de facto alguns, poucos, quintais a ruir. A Junta tem alertado o Governo dos Açores para esta situação, mas a verdade é que existem, na costa norte da Ilha de São Miguel, outras situações mais graves que tem consumido as verbas existentes. A situação de algumas casas, nomeadamente quintais, na Rua do Terreiro, preocupa-nos e a própria junta já tentou por duas vezes efectuar a obra tendo inclusivamente tido uma licença passada pela Direcção Regional dos Assuntos do Mar. Nunca conseguimos a verba, por isso a obra não se realizou. Ainda vamos a tempo de resolver a situação com uma verba a rondar os 100 mil Euros. A demorar muito a verba será «infinitamente superior». Mais vale prevenir. Esperamos que o orçamento do Governo Açoriano para 2020 consagre a verba necessária”.

Um novo complexo desportivo para todos

São Roque é uma freguesia situada, não só na parte Sul da costa de São Miguel, mas prolonga-se para Norte, até ao Azores Parque, que confronta com o Pico da Pedra. Para além do Azores Parque, a Fundação Pauleta e o Estádio de São Miguel também são estruturas que fazem parte da Freguesia de São Roque, o que torna São Roque numa freguesia ímpar porque tem três campos de futebol, se somarmos aqui o Campo do Clube Desportivo São Roque.
No entanto, a Junta de Freguesia de São Roque defende que seja criado, junto ao Estádio de São Miguel, um complexo desportivo que sirva de apoio a todas as equipas. Para o efeito, há um terreno que foi cedido à Junta de Freguesia que inicialmente serviria para a construção de hortas comunitárias, terreno esse que foi devolvido à Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas para se fazer um parque de estacionamento para o Estádio. A Junta de Freguesia queria manter esse parque e está a fazer o esforço junto do Governo, para manter esse parque, porque infelizmente, a Secretaria Regional de Solidariedade Social tem para ali prevista a construção de 120 habitações de carácter social ou a custos controlados, “o que nós não concordamos de maneira nenhuma, porque essas torres de habitações juntas, para além de não ser, na nossa opinião, o melhor método de ajudar as famílias, trará o problema de haver uma grande concentração de pessoas e automóveis, vai congestionar aquela zona, vai tirar o estacionamento ao Estádio, ou seja, vai criar uma série de complicações, do ponto de vista logístico e do ponto de vista de trânsito, que não deveriam existir. O Governo insiste em fazer ali um aglomerado de casas, que nós pensamos que não devem ser feitas naquela zona, que deverá ser reservada apenas para o desenvolvimento desportivo”, entende.

Primeiro as pessoas

Segundo os últimos sensos, a freguesia de São Roque tem cerca de 5 mil habitantes. No primeiro mandato, o Executivo de Pedro Moura deparou-se com uma realidade totalmente diferente daquela que hoje São Roque apresenta. “Havia muitas casas degradadas, casas com seis ou sete pessoas, com muita humidade nas paredes e começamos por actuar na melhoria das moradias, nas estruturas e nas casas de banho, entre outras situações”. 
Paralelamente foi criado um centro de informática para os jovens e um centro de convívio para os idosos, para que as pessoas, em vez de irem para o café, que é mais desconfortável, possam agora disfrutar de um sítio condigno situado no primeiro andar do edifício dos CTT e poderem estar ali descansados.
Essencial também foi a construção de um parque de estacionamento no início da Freguesia, logo a seguir à Fábrica da Moaçor, para melhorar as condições de vida dos cidadãos de São Roque.
Mais à frente, e na Avenida do Mar, na zona do Galego, na parte detrás do Restaurante O Galego, muito conhecido, foi construído um outro parque de estacionamento, que a Junta iniciou, mas cujas obras foram finalizadas pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Um pouco mais à frente, e totalmente a expensas da Junta de Freguesia, foi aberta uma rua, que ligou a Avenida do Mar ao Bairro da Praia dos Santos, mesmo junto às instalações do Restaurante Mariserra. Foi assim criada uma nova rua, arborizada, com estacionamento.
No antigo edifício, onde funcionou o Taberna Bay Restaurante, foi recuperado um fontenário e reabilitaram-se inúmeras casas junto à Avenida do Mar, surgindo mais gente que também faz uso dos equipamentos ao ar livre que ali foram implementados pela Junta de Freguesia.
Na Avenida do Mar foram, do mesmo modo, colocadas diversas palmeiras que embelezaram sobremaneira aquele troço.
O Forno da Cal era um problema, e não estava suficientemente aproveitado. “A Junta de Freguesia pôs mãos à obra, sob a orientação técnica e colaboração da Câmara Municipal, e toda aquela zona foi melhorada surgindo mais lugares para estacionamento”.
Uma outra obra foi agora iniciada (e que ainda não está concluída), que melhorará sobremaneira o estacionamento e toda a logística de São Roque tem a ver com a rua do Restaurante Cais 20, também conhecida por Rua do Terreiro, que funciona nos dois sentidos e não tem passeio. A solução encontrada foi abrir uma rua em frente ao Portinho da Corretora que tem acesso até à Escola da Canada das Maricas e isso permitirá que o trânsito se faça só num sentido, de Ponta Delgada até à Lagoa, e quem vem da Lagoa saia na Escola da Canada das Maricas, através desse novo troço, que vai facilitar o trânsito e trazer mais segurança à população.
Um outro parque de estacionamento foi construído junto à Casa Cheia totalmente pago pela Junta de Freguesia, assim como a recuperação da sede da Sociedade Filarmónica Lira de São Roque.
A Praia de São Roque está agora dotada de infraestruturas que não existiam e tem agora um acesso para pessoas com deficiência e duches.
No antigo Cais da Corretora, local onde no passado as traineiras da corretora descarregavam directamente para a fábrica localizada do outro lado da rua, foi criada uma nova zona balnear.
“Uma das nossas prioridades foi elevar a auto estima da população”, passando a Junta de Freguesia a funcionar todos os dias das 10h00 às 17 horas, local onde, em estreita colaboração com o Governo Regional, as pessoas podem fazer os pagamentos da água, luz ou preencher o seu IRS”.
O cemitério, que serve São Roque e Livramento, é propriedade e é gerido pela Junta de Freguesia de São Roque.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada comprometeu-se em 2018 a comprar o terreno para aumentar o cemitério, mas debate-se com problemas burocráticos.
“A promessa do aumento do cemitério tem anos e é uma promessa muito antiga que ainda não foi concretizada. A Junta de Freguesia sozinha não consegue”.
Outra obra, essencial para São Roque, é a gestão da estrada regional, que deveria estar a cargo da Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, mas tem sido a Junta a tomar conta, havendo ainda uma zona costeira desprotegida que colocam em perigo muitas casas.

Espírito de missão

Estradas, passeios, ligações, muros, estacionamentos, equipamentos ao ar livre. Enfim, têm sido imensas as intervenções que fazem com que São Roque esteja hoje em dia diferente aos olhos de todos. Questionado se estes foram alguns dos objectivos que nortearam a sua eleição no cargo desde o início, responde da seguinte forma: “Nasci em São Roque na casa do meu avô e vivi a maior parte da minha vida nesta Freguesia. Concorri, com espírito de missão ao cargo de Presidente da Junta convicto de que daria um contributo para melhorar a Freguesia e as condições de vida dos seus habitantes. Estou satisfeito pois, com a ajuda preciosa dos que me acompanham não só no executivo da Junta e na Assembleia de Freguesia, mas também em algumas instituições, e empresários, temos desde 2013 mudado São Roque para melhor”.
Do muito que foi feito, salientou ainda a abertura da RIAC, a ligação entre os antigos Becos da Rosinhas, promessas de anos que rapidamente foram concretizados, iluminação da Igreja e pintura da fachada, recuperação de muita habitação degradada, apoio ao Grupo Desportivo de São Roque que tem desenvolvido trabalho meritório na formação e que na equipa sénior vai este ano novamente subir de escalão. O Clube e o seu Presidente estão de parabéns”.

“Há muito a fazer”

Contudo, salienta que muito ainda há a fazer. “Há muito a fazer, especialmente na ajuda que temos que dar para que as pessoas vivam melhor, tenham um mais fácil acesso à saúde e educação. A Câmara Municipal tem prevista uma nova escola, nas Maricas, há anos, mas opções políticas e limitações no acesso a fundos comunitários tem atrasado o início das obras. Está a decorrer um grande investimento em São Pedro, na Escola da Mãe de Deus, e espero que chegue em breve a nossa vez. A obra de protecção da orla costeira da Rua do Terreiro e a variante à Rua do Terreiro e acesso à futura escola das Maricas são duas obras que consideramos fundamentais e que gostaríamos de ver concluídas, antes de 2021, quando termina o nosso mandato”.
A Junta de Freguesia de São Roque já chegou a ter 160 colaboradores, mas hoje em dia não chega à meia dúzia. “Mas temos dezenas de colaboradores em regime de voluntariado e a prestar serviço comunitário”.
Em termos de alojamentos locais, “existem mais de trinta. Têm sido fundamentais para a reabilitação urbana e para a criação de riqueza e postos de trabalho na Freguesia”.
A finalizar, uma pergunta pertinente. A esta distância, tenciona recandidatar-se? “Não. Quero concluir as obras já referidas, Variante e Orla Costeira e abrir um posto de saúde até final do mandato, em 2021, e considero que a minha missão estará cumprida”.

            

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