14 de abril de 2019

Dos Ginetes

Uma Semana diferente

Para a Comunidade Cristã dos Ginetes os últimos dias foram marcados por momentos bastante significativos de religiosidade que embora pareçam não atrair as gentes como nos “velhos tempos” ainda deixam marcas que nunca sairão da memória das gentes. Só o futuro dirá, mesmo se hoje o maior pessimismo se apoderou das gentes influenciado também por uma liberdade “doentia” que parece tudo tomar de assalto e assim impedir muitos dos bons costumes tradicionais do nosso povo se manter, estou convencido que nem tudo está perdido. Por muito pequeno que seja, algo permanece de bom no coração do ser humano que muitas vezes, mesmo se julgamos não haver mais esperança, acaba por manifestar o seu respeito por princípios julgados esquecidos mas que umas pequenas sementes lançadas muito cedo na vida, o tempo não conseguiu completamente destruir.
No passado 30 de Março foi a Administração do Sacramento do Crisma aos jovens que completaram o décimo ano de Catequese, por Sua Excelência o nosso Bispo D. João Lavrador, no dia 5 do presente foi a Visita Pastoral pelo mesmo, seguindo-se no Sábado e Domingo passado o Lausperene, momento importante para nós, sobretudo porque é a verdadeira e única festa onde não existe qualquer “folclore” como tantas vezes acontece noutras manifestações de religiosidade que acabam por desvirtuar o verdadeiro sentido das mesmas.
Voltando aos nossos jovens Crismados sei que para alguns é o fim de um pesadelo pois parte infelizmente não dá continuidade a um trabalho de bons princípios realizado voluntariamente por gente que com algum sacrifício coloca de parte a sua própria vida pessoal dedicando o tempo disponível ao serviço dos mais jovens, substituindo mesmo algum do trabalho que incumbe aos pais que não podem nunca entregar totalmente a formação dos seu jovens à inteira responsabilidade de professores e catequistas. Sei que é difícil por vezes, sobretudo quando os nossos filhos já “conseguem voar um pouco mais alto”, como diz o nosso povo, pois também sou pai e até avô, e passei por tanta tempestade que não consegui controlar, mas que sempre tentei o meu melhor, isso ninguém o pode negar, e os princípios que recebi dos meus pais apesar de não possuírem qualquer formação académica superior, embora também não fossem todos absorvidos como eles gostariam, algo ficou. A idade é a grande “mestra da vida” por isso, tal como nós, outros um dia compreenderão quando chegar o momento de assumir verdadeiras responsabilidades. Não existem famílias perfeitas mas ainda existem boas famílias, tal como não existem jovens perfeitos mas ainda há muitos que são mesmo bons. A nós, os mais velhos, também nos cabe a responsabilidade de os aceitar e evitar a eterna desculpa da “falta de experiência” para muitas vezes os afastar daquilo que deveriam iniciar mais cedo, que é a verdadeira participação na vida da Comunidade. 
Tive igualmente no passado dia 5 a oportunidade de acompanhar o nosso Bispo, D. João Lavrador, que com o nosso Pároco Pe. Bruno Espínola e representantes das várias Instituições dos Ginetes percorreram as mesmas tomando assim conhecimento da forma de funcionar e até de alguns problemas muito próprios que enfrentamos nesta zona.
Devo dizer que para mim foi um momento importante pois conheci um homem aberto ao diálogo, simples mas directo e com vontade manifesta de estar perto do povo da Igreja que tem a seu cargo nos Açores. 
Dos mais pequeninos da Escola Dr. Carlos Abel Bettencourt Leça aos idosos do Centro de Convívio tiveram todos a oportunidade de dialogar com o grande responsável da Diocese. São visitas que aproximam as gentes e talvez a forma mais eficaz de as trazer de volta para um local que é de todos nós, a nossa Igreja.
Como acima referi também no passado fim-de-semana foi o Sagrado Lausperene aqui nos Ginetes. Um momento único de Oração para todos os que quiseram um pouco e reflectir. É verdade que já não tem o mesmo impacto como outrora, mas nesses dias a Igreja não muda a maravilha que as flores brancas dos nossos campos despertam em todos nós trazendo uma tranquilidade que não conseguimos explicar. Nesses momentos reza-se, chora-se, agradece-se e pede-se. A vergonha de suplicar o auxílio do Senhor em voz alta desaparece e muitos até de improviso conseguem livremente dizer o que o coração sente. É assim a verdadeira igreja e é também assim a verdadeira oração.
 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

x
Revista Pub açorianissima