14 de abril de 2019

Recados com Amor


Ricos! Estamos em Domingo de Ramos e este ano a tradição não se cumpriu, pois antigamente dizia-se que “ em semana de Ramos seca os teus panos”… Este ano o que temos tido é nevoeiro e chuva de Abril, o tal mês que “é ruim, ou no princípio ou no fim”e que mais parece os nevoeiros de São João… … Já recebi o convite da minha prima Maria da Vila para estar presente na Procissão de Passos, que a mais antiga Misericórdia de São Miguel promove hoje à tarde e que costuma levar centenas de pessoas às ruas da Velha Capital. Pelo menos, em muitos lugares, ainda se vai mantendo esta bela tradição franciscana, ao mesmo tempo que se multiplicam as chamadas via-sacras de rua que agora estão na moda. Como diz a minha prima Teresinha, já que as igrejas se vão esvaziando e as missas se rezam para cada vez menos gente, pelo menos vai havendo alguma coisa da religiosidade popular para ir marcando os tempos litúrgicos, mesmo que muitas delas corram o risco de se tornar meros números de folclore religioso. Mas, antes isso que nada!

Meus queridos! Deparei-me um dia destes, com a notícia que dava conta que os Açores são a Região que, no total do País, conta com o menor número de farmácias para servir quem precisa de a elas recorrer... e que no fundo são os 245 mil habitantes… E eu a pensar que devido a sermos ilhas, o numero de farmácias aumentaria… Mas mais grave ainda é que, além de serem poucas,  há meia dúzia delas que estão mesmo de “corda ao pescoço”, por diversos motivos que não vêm ao caso, e, em fechando, não se imagina a falta que farão às populações. Mesmo nos grandes centros, como Ponta Delgada, e tirando as três ou quatro que ficam na mesma rua do centro da cidade, é preciso andar muitos quilómetros para encontrar uma. Que o digam os moradores da Zona do Paim, onde já existe uma nova freguesia, com milhares de pessoas e que gostariam que a parafarmácia ali existente se tornasse numa verdadeira farmácia, isto para não falar na freguesia de Santa Clara que desde que fechou a farmácia do antigo Hospital de São José tem de andar de Anais para Kaifás à procura de uma farmácia onde se aviar… Ao que consta, o pedido do proprietário da parafármácia do Paím para a sua passagem a farmácia tem caído em saco roto…, e tornou-se num verdadeiro jogo do empurra entre Câmara e Governo. E depois admiram-se de estarmos nos últimos lugares das estatísticas…

Ricos: A minha amiga Cesaltina aperaltou-se a semana passada e não quis faltar ao mega-jantar solidário a favor das obras da Igreja Bom Jesus de Rabo de Peixe. E fez bem porque o evento arrebanhou perto de quatrocentas pessoas e Casa da Beneficência foi pequena demais, e quase rebentava pelas costuras com tanta gente… A organização a cargo das dedicadas paroquianas Manuela e Gabriela foi primorosa. O grandioso jantar foi confeccionado por muitas famílias que se mobilizaram para tão solidário momento, pondo à prova os dons culinários de cada uma, o que resultou num magnifico cocktail de sabores onde não faltaram os deliciosos chicharrinhos fritos com molho de vilão, bem à moda de Rabo de Peixe. O padre José Cláudio estava radiante, vendo a casa cheia e também porque as arrematações foram mais do que muitas, para além de algumas das ofertas terem sido leiloadas mais do que uma vez. O serão foi animado pelo sempre aplaudido grupo de cantares de Rabo de Peixe, o Vozes do Mar do Norte e pelo artista popular Gabriel Costa, seguido depois de um bingo que encerrou este memorável evento que uniu vontades prontas a partilhar o esforço que representa as obras de restauro e manutenção da secular Igreja do Bom Jesus. Espero que da próxima vez ser ser convidada, porque tenho uns parentes em terceiro grau que vivem naquela Vila e porque tenho um carinho muito grande por tudo o que se faz naquele pitoresco recanto açoriano, que com os seus mais de 8 mil habitantes tanto tem contribuído para o desenvolvimento dos Açores.

Meus queridos! Toda a gente sabe que é cada vez mais difícil tratar da nossa saúde em qualquer hospital, seja aqui, seja no rectângulo, e só quem tem grandes seguros de saúde é que consegue, na privada, fugir às listas de espera que entopem consultas, blocos operatórios e serviços ligados às diversas terapias e técnicos de diagnóstico. E nem se pense culpar quem lá trabalha, porque com as condições existentes actualmente, não há médico ou enfermeiro que se aguente. E enquanto isto, os políticos vão brincando com as pessoas, como aconteceu agora com o chumbo do regresso das pequenas cirurgias aos centros de Saúde, como já aconteceu anteriormente e que tantos benefícios trazia. Para tirar um simples cravo ou um sinal incomodativo no corpo, lá vai o doente para a fila interminável de um hospital, quando qualquer médico poderia fazê-lo num Centro de Saúde… Só apetece perguntar: mas porquê tantas teimosia… E depois admiram-se de desabafos como aquele do médico internista João Araújo Correia, que perguntou como é que se pode fazer uma passagem de turno num hospital, relatando os males de cem doentes que lhe passam na mão num único turno… É caso para dizer que está tudo doido… Ou então estamos perante um conjunto de ignorantes a gerir politicamente o Serviço Regional de Saúde….

Ricos! Num debate sobre a demografia dos Açores e sobre a desertificação de algumas ilhas, o meu rico vice Serginho, com aquela apetência natural que tem pelos números e suas engenharias, disse que não era bem assim, porque o Corvo até tinha crescido. Pois, como é que não havia de crescer? Numa ilha tão pequenina basta um para fazer a diferença… e mal não vem ao mundo. Mas tomar isto como base de cálculos e comparações, é obra e precisa de grande imaginação... Nada que a gente já não esteja acostumada!

Meus queridos! Recortei e guardei, para memória futura, o brilhante editorial assinado pelo director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Américo Natalino Viveiros, no passado Domingo, intitulado “Espertos e Aventureiros” em que chamou os bois pelo seu nome, no caso dos deputados que legislam ao sabor dos seus interesses, mantendo a sua dupla actividade de legisladores e de advogados e ganhando por todos os lados onde é possível ganhar. E, como disse o editorialista, “os interesses do chamado “bloco central” convergiram para deixar tudo como estava, mantendo a promiscuidade que vem de há anos a esta parte”. Quando tanto se fala na moralização da política e dos políticos, eis que há sempre uma aliança inesperada para manterem os privilégios… e os lucros. Assim não vamos lá!

Meus queridos! É verdade bem antiga que nivelar por baixo e cultivar o social-pelintrismo não nos leva a lado nenhum. Lembrei-me disto quando li esta semana que, por falta de apoios, o rali dos Açores que era patrocinado pela SATA, corre o risco de deixar de contar para o Europeu da modalidade, o que significa descer de cavalo para burro com a prova a deixar de ter a visibilidade internacional que tem e com a consequente promoção que traz para os Açores. Não falta quem queira isto mesmo, aqui em São Miguel e, por motivos bairristas, em outras ilhas. Depois não valerá andar a chorar sobre leite derramado. É que apoios que não são gastos, são investimentos que só quem é míope não vê. E, se o rali dos Açores sair do Europeu, já está a Madeira a diligenciar ficar com ele e até já pediu que os Açores a apoiem nesta pretensão, porque, dizem eles, também já apoiaram os Açores… Ou seja, cumpre-se o que antigamente se dizia: uns renegando, outros aproveitando!

Meus queridos! No meio de tanta pimbalhada e de tanta porcaria (eu não tenho medo da palavra) que passa nesses canais de televisão que raramente vejo, o programa  A Praça, da RTP 1 tem-nos brindado com um concurso de cantigas ao desafio, bem ao estilo das desgarradas que tanta popularidade tiveram em tempos idos. E é gostoso ver o número de jovens que ali aparecem para concorrer, cantando e improvisando. Por aqui, nos Açores, em diversas ilhas, temos improvisadores e cantadores populares do melhor que existe e está cada vez mais difícil ouvir uma boa cantoria. E que tal a RTP/Açores, bastando uma câmara e um cenário, organizar pequenos serões com cantigas ao desafio, para irem sendo transmitidos? É que isto também é cultura… E da verdadeira!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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