16 de abril de 2019

Crónica da Madeira

Os 30 anos da Universidade da Madeira

A Universidade da Madeira está a celebrar os 30 anos da sua existência, o que constitui para mim, como madeirense, uma grande alegria. Justifico-a por quanto há 30 anos atrás, só os jovens privilegiados, com posses, ou então, com sacrifícios enormes dos pais, poderiam frequentar, em Lisboa ou  Coimbra, a Universidade:  
    A formação académica é um direito que assiste a todos. Felizmente que, com as autonomias dos Açores e da Madeira, isso se tornou uma realidade e hoje são já muitos os jovens madeirenses que possuem o seu grau académico. 
    O Dr. Alberto João Jardim lutou, contra ventos e marés, para que a Madeira fosse dotada da sua Universidade. Ele repetia muitas vezes que era importante preparar os jovens para os desafios que se avizinhavam. Indiscutivelmente que um ser humano bem formado é garantia de uma melhor integração no mundo onde nos situamos, com tecnologias cada vez mais sofisticadas. 
    Por outro lado, penso que não se pode falar de autonomia sem uma Universidade, razão porque considero-a como um dos baluartes autonómicos. 
    Um dos seus primeiros Reitores foi o meu querido e saudoso amigo João David Pinto Correia, madeirenses ilustre, poeta e escritor. Um professor com uma cultura universal que conhecia muito bem os meandros da intriga e “bilhardice” local, cuja ignorância de muitos consideravam que não devíamos ter uma Universidade. Para eles, só uns tinham direito a ser “coloridos” e os outros, a maioria, “verde”, como dizia o cómico Cantiflas, referindo-se aos pobres e ricos. Por isso, o Reitor teve que enfrentar algumas críticas que, felizmente, com inteligência, visão e uma forte dose de coragem, derrubou e levou para a frente o seu projecto. A Madeira e os madeirenses eram o seu único objectivo. 
    Uma das minhas “batalhas” de sempre foi desmistificar as afirmações tolas de que os madeirenses não tinham capacidade e que a ilha era muito pequena. À ilha atiravam-se todas as culpas. Muitas vezes, como titular da cultura, afirmei que os 57 quilómetros de comprimento da ilha não eram limitativos nem à inteligência, nem à imaginação e capacidade dos madeirenses. Porque sempre acreditei que eramos tão capazes como qualquer outro povo. Isso já estava mais do que demonstrado com as obras gigantescas que os madeirenses realizaram nos diferentes continentes, para onde emigraram. Mas agora, o grito do testemunho dessa capacidade e inteligência vem dos doutorados da Universidade da Madeira, jovens que da Austrália ao Brasil, de Edimburgo a Paris, chefiam departamentos de investigação, são Professores em Universidades, fazem parte de Empresas Internacionais, enfim, uma plêiade de jovens que são exemplo e que prestigiam a Região Autónoma da Madeira. 
    O facto da Universidade ter apenas 30 anos não significa que não seja tão importante quanto as outras já centenárias. Aliás, depois do Processo de Bolonha, com os “cursos globalizados”, o fundamental é que os professores tenham qualidade e os alunos um grande empenho. Aí é que reside a qualidade necessária de ensino. A Universidade da Madeira tem um excelente corpo docente e alunos com muito empenho. Isso está a demonstrado na actuação dos licenciados, que na vida civil, nos diferentes lugares que ocupam, dão bom nome dos seus professores. 
    Assisti sábado último, com muito prazer, a emissão televisiva das comemorações dos 30 anos da Universidade. Um programa do “Pátio dos Estudantes”, bastante informativo do que é a Universidade, nos diferentes departamentos, conduzido por dois alunos, excelentes na formação das perguntas, na dicção. Com muita vontade. Eles fizeram das três horas de programa, uma tarde bastante agradável. Estou convencido de que os telespectadores, estão hoje mais cientes da importância da Universidade, no contexto da sociedade. Sobretudo estão conscientes da qualidade do ensino que ali se pratica pois todos os professores entrevistados foram extraordinários nas suas respostas precisas e claras. Demonstraram do quanto estão bem preparados para lidarem com os estudantes. A quantidade de laboratórios para investigação nas diferentes áreas é impressionante. 
    Evidentemente que, como quase todas as universidades, a da Madeira luta com a falta de meios. Apesar disso, os protocolos assinados com outras instituições e a internalização da Academia são realidades irrefutáveis. O actual Reitor, Professor Dr. José do Carmo, Catedrático experiente, personalidade que goza de muito prestígio, no meio académico, faz uma exposição brilhante sobre os propósitos da Universidade. 
    Na sua pessoa, cumprimento todos os docentes e felicito pelo trabalho notável feito durante estes 30 anos, cujos benefíciosse estenderam sobre a Região e os seus habitantes. Trinta anos que são história de muitas histórias de professores e alunos e a certeza de que, graças à Academia da Madeira, a ilha se tornou mais aberta ao mundo e ao progresso; mais preparada técnica e intelectualmente e os jovens terão, no futuro, outras perspectivas: é o discurso da inteligência a marcar o compasso de todas as nossas atitudes e posições. 
 

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Categorias: Opinião

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