16 de abril de 2019

Um rotundo não à massificação turística

Em 1974, o Movimento para a Autodeterminação do Povo Açoriano (MAPA), já discutia o problema do turismo para estas ilhas. 
Nas reuniões em que participei, quando esta matéria era abordada, sempre se disse que o turismo de qualidade seria aquele que melhor serviria os Açôres. Isto porque, não só traria gente com poder de compra, como não seriam “massacrados” os pontos de maior interesse turístico. Numa palavra, poucos turistas mas bons, e com bolsos cheios.
Recordo até uma divertida frase do Manuel Oliveira da Ponte de saudosa memória, dirigida ao também saudoso Engº. Costa Matos:- senhor engenheiro, eles que venham de carteiras recheadas porque jeito para a esvaziar temos nós. Referindo-se, naturalmente, ao que seria necessário fazer nos locais de maior atração turística, de modo a que os visitantes tivessem todas as condições para disfrutar das nossas edílicas paisagens, bem como, despertar neles o desejo de voltar.
Nessa altura retorqui que, os eventuais melhoramentos a efectuar nos pontos turísticos deveriam ser, em primeiro lugar, para gozo dos próprios açorianos (para todos, não só para os micaelenses) porque, primeiro estamos nós, e só depois é que vêm os outros.
Por continuar a pensar deste modo – pensamento que já transmiti, em conversa informal, ao actual Presidente do Governo Regional – é que digo ter sido, com alguma surpresa, que vi, e ouvi, na RTP/Açores, as declarações do dinâmico Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, de que estaria em fase de aprovação a construção de um hotel de 5 estrelas, ali para os lados da Água d’Alto com capacidade para 580 camas.
Independentemente de, ao que percebi, tal construção ter sido considerada “inserida” na paisagem – o que não entendo como um “monstro daqueles” não danifica a paisagem – julgo que, só o facto de ter uma capacidade “king size”, exerce uma pressão demasiadamente elevada na área circundante, desde movimentos pedestres ao movimento de automóveis e autocarros que tirará, daquela zona, o tão apreciado sossego.
Digo isto com conhecimento de causa porque, após algumas festas, já passeia alguns dias no Bahia Palace. É realmente um regalo aquele sossego e paz que ali se desfruta. Por favor, não estraguem aquilo que de melhor temos e que é o principal motivo de atracção turística.
Em vez de um “mastodonte” daqueles, em alternativa, que sugiram ao investidor madeirense a construção de um conjunto de chalés devidamente localizados e enquadrados na paisagem!
O senhor Presidente da Câmara sublinhou que o projecto era privado. Ora, para quem está atento, sabe perfeitamente que o investimento não será totalmente, aqui sublinho o totalmente privado. Isto porque, o investidor, certamente que irá recorrer a fundos comunitários, ou a outro esquema de financiamento porque, não acredito que ele tenha o dinheiro todo (na banca ou debaixo do colchão) para a construção em causa.
Como diz o nosso povo, gato escaldado de água fria tem mêdo. Atrevo-me a trazer aqui à colação os financiamentos a Joe Berardo, também madeirense, que fez o que fez na Caixa Geral de Depósitos, no Banco Espírito Santo, e mais não sei onde, para ser o zé-povinho a arcar com as despesas porque, aquele senhor, pelo que tem vindo a público, deve centenas de milhões de euros à banca, e só tem uma garagem no Funchal em seu nome; portanto, “sem possibilidades” de liquidar o calote à banca, nem tão pouco de ressarcir o Estado, que somos todos nós que será, ao cabo e ao resto, quem irá “apagar” as imparidades apresentadas pelos bancos.
Que não se embandeire em arco com a proposta da construção de um “bruto hotel” nem se contribua para a massificação turística.
É dever do Governo Regional, não só primar pela conservação da nossa riqueza paisagística, como até melhorá-la. E não é com autorizações de construção de Mega Hotéis que chegaremos lá.
A ambição de uns poucos não pode prejudicar o todo.
A propósito de ambição, cabe aqui eu manifestar o meu repúdio ao anunciado pela administração da Azores Airlines em pagar entre 1.500 e 6.000 euros aos senhores comandantes para trabalhar em dia de folga.
Onde pensa o senhor administrador que está? No Dubai?
Quem não tem possibilidade de voar, não voa! Fica no chão! 
Esta medida só trará conflitos insanáveis dentro da própria companhia aérea.
Parece que está tudo doido!
Irra que é demais! 
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
14ABRIL2019
 

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Categorias: Opinião

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