Sete pecados de Jesus: Frases incómodas!

Não podia ficar vivo! A condenação era certa! Quem se atreveu a desafiar os poderes constituídos? Estas foram sete das palavras que condenaram Cristo. Hoje continuam a condenar quem se atreva a ser diferente, na denúncia e amor.
“Raça de hipócritas, sepulcros caiados de branco!”
Ser e não ser. Agradar a todos! Não aceitar as diferenças! Pensar que somos os maiores! E Jesus a condenar… Tinha de ser condenado!
 “Fazeis da Casa de meu Pai, casa de ladrões”! Ofender os assalariados do templo, aqueles que vivem dos cheiros do incenso e do ouro dos paramentos! Era mesmo para morrer…
“Quem estiver limpo que atire a primeira pedra”! Então como? Que atrevimento. E as aparências sociais? Que desrespeito! Era mesmo para ser condenado!
“Ai de quem escandalizar uma criança. Melhor fora que atasse uma mó ao pescoço e se afogasse”. As crianças? Mas afinal, e os adultos? Que revolução era esta… Não podia viver, claro!
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vós não o aceitastes. 
Mas quem te mandou profetizar? Não és o Filho do carpinteiro, da Galileia? À morte e deixa-nos em paz!
“Que a vossa palavra seja: sim, sim! Não, não!” Como se isto fosse possível… E os negócios políticos? E os bastidores? Como é que alguém se atreve a mudar esta “boa ordem” das coisas?  É de morrer!
“Guardai tesouros no céu onde a traça os não corrói”. Guardar tesouros no Céu? Que loucura é esta? E o que eu posso ganhar na política? E na Economia? E a dizer que salários baixos é que diminuem o desemprego?
Quem pensa ao contrário, só tem um caminho e que rima: Calvário!
Calvário! O céu escureceu, a terra tremeu e o véu do Templo rasgou-se! Foi o Comsumatum est que dividiu o tempo. Entre mirras e aloés ia o passado a sepultar e nascia a nova civilização em que tempo e templo não teriam mais véus, mas tudo seria tão simples como aquele perdoai-lhes porque não sabem o que fazem, ou aquele tranquilo hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.
Um Salvador que nada impôs, mas tudo dispôs, dispondo-se a ser Primogénito entre os Mortos. E o testemunho não sai dos seus, porque veio para o que era seu e os seus não o receberam: o testemunho sai do soldado romano que exclama: Este era verdadeiramente o filho de Deus! 
Tudo estava consumado, mas não terminado. O escuro foi apenas de terra que cobre a semente prestes a germinar! Por isso o Tenho sede do Calvário, que a terra árida não deixa nascer e crescer… Por isso o Eli, Eli, lama sabactani, Humanidade destruída e pronta para o Pai nas Tuas mãos entrego o Meu Espírito. Nada ali terminara, embora parecesse que sim, ali, os sonhos de juventude amortalhados no corpo depositado nos braços da Mãe.
Era a aurora do tempo novo que apenas esperava o sopro da brisa matinal do Espírito para tudo transformar. Mataram Deus-Homem, mas fundou-se o império do Tempo Novo porque só um Deus podia ser assim tão humano. Vazia, a Cruz projectava a sua sombra no futuro, como que a dizer que Cruz sem Deus é peso e Cruz com Deus é libertação. E o Espírito a clamar:  “Dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e  dar-vos-ei um coração de carne”. Como Ezequiel!
Tudo estava consumado! O império da Cruz nasceu e fez-se história no tempo, mesmo quando foi confundido com as cruzes dos impérios!
A Cruz tornou-se sinal, aformoseou-se, espalhou-se, fez-se de ouro para aparecer ao peito, quando muitas vezes não cabe dentro dele. Fez-se pedra em canto ignoto de estrada, ou mancha de vela no horizonte. Símbolo de Paz, foi arvorada em guerras, e com ela mataram e à sombra dela outros impérios nasceram. Mas foram morrendo… 
Mas morrerão, sempre, porque caem as cruzes dos impérios para viver para sempre o império da Cruz!
Sexta-feira Santa! De Trevas! Maior! Que importa o nome quando o Amor foi réu de Morte, quando o Bem foi traído pelos seus, quando a Eternidade presente no Mundo foi abandonada na maior solidão que alguma vez o mundo viveu!
Apenas a esperança daquele grande brado de Mãe, que a tradição nos legou: “O Vos omnes…” Ó Vós todos que passais, ao longo deste caminho! Parai! Parai e vede, se há dor igual à minha…
Será que eu paro? Será que eu olho?
          

Santos Narciso

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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