21 de abril de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! O tempo corre com tal velocidade que nos deixa de cabeça à roda. O Natal foi ontem e já estamos em Domingo de Páscoa. Nesta época, costumo juntar no Sábado de Aleluia umas amigas de peito, para festejar o dia da Ressurreição, bebendo um chá da Gorreana e outro de jasmim com umas fatias de massa sovada feita como a minha mãe me ensinou. O serão descamba sempre para a política e porque no grupo há de todas as cores, cada uma puxa a brasa à sua sardinha… O prato começou por casa… com o rescaldo do concerto na minha cidade norte de um tal Kevinho, que ninguém sabe quem é… e custou uma pipa de massa à Câmara do meu rico Presidente Gaudêncio. O Partido Socialista aproveitou a onda para encobrir algumas mazelas que ultimamente o têm apoquentado e na discussão, Gaudêncio fez o acto de contrição… dizendo que hoje não repetiria o erro, mas o PS não quer dar a absolvição, e pelo que disse a minha amiga Ernestina, vai mesmo avançar com o pedido de uma investigação… Lá vai a justiça investigar mais um caso que nasceu com uma opção política… e depois queixem-se da justicialização da política… No rectângulo, o período quaresmal foi negro para o Governo da geringonça, com Jerónimo de Sousa “preso” aos contratos milionários do genro celebrados com a Câmara de Loures, liderada pelo comunista Bernardino Soares,  e que está gerando um desconforto no conservador Partido Comunista… Enquanto isso, o Primeiro-ministro António Costa está a braços com o caso chamado “familiagate” e perdeu o gás… da governação,  ao ponto de deixar que acontecesse uma greve de camionistas que ia paralisando os sistemas vitais em Portugal… Como isso não bastasse, as sondagens para as eleições Europeias dão oito deputados para  o PS e outros oito para o PSD, o que a ser verdade vai levantar uma tempestade tropical nos Açores… e servirá de alento a Rui Rio para galgar a onda das eleições em Outubro para a República… Enquanto isso, nos Açores parece que as férias de Páscoa começaram mais cedo para os nossos governantes e políticos… Ninguém os vê nem os ouve…a não ser o recém reeleito  Presidente da Câmara do Comércio, Mário Fortuna, que promete manter a cruzada para reorganizar os transportes e obter mudanças nas políticas fiscais e na gestão empresarial… A minha amiga Genoveva lançou a isca para a mesa dizendo que qualquer dia, Mário Fortuna ainda aparece a criar um partido nos Açores  para defender as suas ideias e opções políticas… já que passa de mandato a mandato… a exigir mundos e fundos… e continua a pregar como Frei Tomás… mas tudo continua como dantes no castelo d’Abrantes.
O serão foi animado e terminou com uma aposta de minha comadre Maria da Praia, que veio passar a Páscoa com uma filha que se casou em São Miguel, e que diz que tem um palpite pelo que ouviu na Ilha de Jesus… que o real Deputado Paulo Estevão ainda vai pedir uma investigação parlamentar às raízes da “familiagate” nos Açores… Bom Domingo de Páscoa para todos os que me seguem no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio!

 

Meus queridos! Este ano, e para quem tem um sentido de história sintonizado com os valores da nossa velha cultura, sem vergonha do que aprendeu na escola e na igreja, a Páscoa fica marcada por duas grandes tragédias que ensombram o sabor a festa destes dias e servem para mostrar o quanto somos pequeninos neste mundo. Ardeu a grande catedral de Notre-Dame, património da humanidade, história de séculos, ferida e reconstruída, em guerras, revoluções, incêndios e cataclismos. E aqui bem perto de nós, no arquipélago-irmão em mar e autonomia, 29 pessoas perderam a vida num trágico acidente de autocarro. O pior que pode haver em momentos destes é a tentação do julgamento fácil, sobre as causas e sobre as consequências. E nessas alturas, não faltam juízes, muitas vezes de cara tapada no conforto do anonimato, para darem sentenças. Perante Notre-Dame, eu que nunca tive pilim para viajar, não corri logo a colocar uma foto tirada à frente da Catedral, mas sou mulher para ajudar e dar o meu contributo humilde, nem que seja um pó de areia, para a sua recuperação… E acrescento, para que saibam, que pouco me importa com os e as tontinhas que agora resolveram tornar-se cruzados das criancinhas pobres, (coisa que até agora nunca fizeram seja o que fosse que se tivesse visto, por tão nobre causa) argumentando que se deve é olhar para elas e não amealhar dádivas  para se reconstruir Notre- Dame…. Tenham dó!  E quanto aos mortos e feridos no acidente que ocorreu na Ilha da Madeira, para eles e para quantos por eles e com eles estão a sofrer, neste tempo de Páscoa vai o meu silêncio respeitoso! Pode acontecer com qualquer um de nós!


Ricos! A minha prima da Rua do Poço não cabe em si de contente pela notícia que leu no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, segundo a qual, no Orçamento Participativo da Câmara do meu querido Presidente Bolieiro, uma das propostas vencedoras foi a que pede a revalorização do Alto da Mãe de Deus, em Ponta Delgada. Diz aquela minha prima que já é tempo de olhar para um dos pontos mais bonitos e emblemáticos da cidade, de onde se desfruta uma das mais belas vistas da velha urbe e do seu porto… e também sobre as Fajãs, em verdes que vão até aos montes. Não se percebe mesmo que, com tantos programas ocupacionais, não haja pilim para pagar a um funcionário para manter a ermida aberta durante o dia, para as pessoas que lá desejem ir e que batem com o nariz na porta. E já agora, não custa nada ter um pequenino opúsculo, (não sei se é assim que se diz) com a história do local e com a foto da primeira ermida, para oferecer aos visitantes…. Se for preciso meto uma cunha ao Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio para dar uma mãozinha se a Câmara não tiver já verba para este anos… devido à caterva de livros que tem apoiado… E quando chega ao Natal, com toda a cidade cheia de luz, é tempo de iluminar a Mãe de Deus e a Câmara não pode argumentar que só enfeita o centro histórico. Ali é um ponto privilegiado para se ver o fogo-de-artifício e para ali toda a gente olhará, se estiver iluminado. Diz a minha prima que vai estar atenta. Pode ser que tenha chegado a Hora da Mãe de Deus!


Meus queridos! E já que estou a falar da Mãe de Deus, e também a pedido da minha prima da Rua do Poço, vou repetir uma coisa que já disse vezes sem conta aqui nos meus recadinhos. Na Ladeira da Mãe de Deus, no lado da Rua do Peru, a única rua de calçada irregular e ondulada de Ponta Delgada e arredores, há muito tempo que desapareceu a placa toponímica, depois de umas obras que fizeram numa casa que fica no canto. E a placa nunca foi reposta, isso apesar dos vários avisos. Não custa nada e espero que o sempre activo Presidente da Comissão de Toponímia José Andrade, tome tal encargo a sério, prestando assim um grande serviço a residentes e visitantes. Se for preciso uma ajudinha, a minha prima da Rua do Poço diz que se priva de um chazinho e oferece o pilim… para a placa!


E já que estamos numa de placas, lembro ao meu rico Presidente da Comissão de Toponímia que há um poderio de tempo que a inscrição na pedra que assinala a inauguração da avenida agora chamada João Bosco Mota Amaral, tem uma citação de Fernando Pessoa “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”… que perdeu um par de letras… não sei se tiradas por alguém que precisava de arranjar uns troquinhos para o vício, ou se por outra razão que a razão desconhece… mas a verdade é que apesar de eu ter reclamado um par de vezes chamando a atenção da Câmara para repor as letras que faltam… a verdade é que os meus alertas perderam-se pelo caminho até hoje… Por isso espero que o meu rico José Andrade, entre duas das muitas tarefas culturais que tem a seu cargo…. consiga arranjar uns minutinhos, para usar a sua influência de Presidente da Comissão de Toponímia para ver se alguém manda repor o que falta no pensamento de Fernando Pessoa, numa cidade que quer ser a cidade dos poetas, mas não tem tempo para colocar umas letras no pensamento do poeta que está truncado há anos…   


Ricos! Na minha idade, e apesar de reformada, continuo a gostar de ler o que se vai escrevendo por aí e não perco alguns artigos, principalmente aqueles mais irreverentes de que sempre gostei. Não sou mulher de andar pela net e pela blogosfera, mas a minha sobrinha neta vai-me apresentando algumas coisas que vou lendo. Esta semana ela indicou-me um artigo assinado pela sempre irrequieto Nuno Barata, que lamenta que depois do colapso da ATA que promovia o turismo dos Açores, a Região tenha pedido ajuda a Lisboa para promover as ilhas, naquilo que o autor considera ser um atestado de incompetência aos gestores da Autonomia. É uma opinião que respeito e que não discutiria. O que me deixou fula foi o comentário que alguém deixou no blogue “Fogotabrase” onde o texto foi publicado e que é este: “Não se entende é estares de pouco a pouco a criticar o governo regional e continuares a aceitar desempenhar um lugar de chefia nas Portas do Mar. Então sê coerente e demite-te. E tenho dito! E assina, um Anónimo! Então como é: por trabalhar num serviço ligado ao Governo, uma pessoa está proibida de ter opinião e de criticar? É só para verem se há ou não o desejo do total domínio de tudo e de todos… O que vale é que ainda há quem fure a lei da rolha…


Ricos! Continua e é bom que continue, a discussão sobre o futuro do turismo nos Açores. Enquanto outras ilhas sonham e desejam ter mais turismo para o seu desenvolvimento, em São Miguel já se pensa nas consequências de haver lugares e serviços que estão a rebentar pelas costuras. Ainda esta semana, um casal do Rectângulo e uns amigos de cá resolveram ir provar um bifinho da Associação, “do prado ao prato”, e quando lá chegaram, já bem depois da hora de almoço, eram quase três da tarde, acharam uma fila de espera para mais de uma hora e as reservas para a noite até às nove horas, estavam todas cheias… E quando foram à Vista do Rei, tiveram de deixar o popó a mais de dez minutos a pé porque estava tudo cheio. E estamos em Abril. E entretanto, quem mora cá quase que não pode ir a um restaurante porque os preços subiram tanto que não dá para qualquer um… Claro que turismo é bom, mas é tempo de o ir dividindo por todas as ilhas…
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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