27 de abril de 2019

Directo ao Assunto

Estaria entorpecido e apático passar por este texto de forma incólume e cobarde

“Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes havia eleições onde o resultado só podia ser um e depois passou a haver eleições onde o resultado não vale nenhum.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes mandava-se a PIDE recolher informação sobre os cidadãos e depois passou-se a mandar a ASAE recolher a base de dados.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes achava-se que os comunistas deviam ser presos e depois passou-se a ter a certeza.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes vivíamos um regime de partido único e depois passamos a ter um regime unicamente de um Partido.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes quem não era das famílias de bem não era ninguém perante o estado e depois quem não era ninguém passou a ter uma família inteira dentro do estado.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes havia uma assembleia composta por deputados que não representavam o povo e depois passou a haver uma assembleia composta por deputados que não representam ninguém.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes o povo não podia decidir nada e depois também não.
Devemos comemorar o 25 de Abril porque antes o regime era dominado por professores universitários e depois passou a ser dominado por alunos universitários que nunca ninguém viu lá.”
(Dom Miguel de Baumgartner - Visconde de Valpaços)
Caros leitores, longe de querer agredir susceptibilidades políticas, mas ciente que cumpro o meu sagrado e constitucional direito de opinião que este Jornal e o seu Director bem como Editores sempre garantidamente permitiram, quero aqui enfaticamente expor – o que acima indiquei – jamais poderia passar pelo texto que me serve hoje de preâmbulo sem prestar a devida homenagem pela lucidez e capacidade de reflexão que a todos empresta; claro, entendo que a uns menos e a outros mais!
Em abono da verdade o “liberalismo caótico” atribuído pelos mais diversos governos ditos “liberais”, após o Regicídio e a queda da Monarquia, que nada incluem da libertadora Constituição Liberal de Dom Pedro IV e de Dona Maria I, algemou o Estado Democrático com a pesada cadeia das constituições e das fórmulas jurídicas estáticas... Um Estado impotente e ridículo da democracia liberal pós-moderna. Assim sendo, esse “liberalismo” fraudulento e perigoso enfraqueceu, castrando os seus governos, pois a chamada objectivação de um ideal tem de renunciar ao imediatismo democrático. De facto, tudo dependerá das decisivas e corajosas afirmações dos princípios integrais, que já não se coadunam com os métodos e processos da liberal-democracia que faz a todos nós padecer... Todos os sofrimentos do mundo moderno originam-se de um só defeito da grande máquina: a falta de disciplina ... O mundo está agonizando por falta de autoridade (legítima, isenta e genuína) do Estado... A democracia, considerada como auto-determinação de indivíduos e de povos, sem prefixações de princípios e de regras de conduta, passa a ser um regime que atenta contra os direitos humanos, porque desarma o Estado em face de todos os erros e loucuras dos políticos e das suas artimanhas.. Só os loucos e os perversos poderão aceitar uma democracia que não sabe para onde vai... desde que só passou a valer o arbítrio das multidões que continuam a ser volúveis e inconscientes, baldias e programadas de forma propositada de forma a fazerem parte de uma máquina demoníaca que superioriza as ideias do próprio Maquiavel!
Em suma, relembro que “O Universo é uma oficina de ensaios”, usando aqui uma expressão famosa e um elogio de Sancho Pança que é parte integrante de uma crónica que acreditamos de importância para a compreensão do ideário político ulterior de Plínio e do não menos famoso integralismo. Neste contexto, aqui, o mesmo vê D. Quixote como “a própria humanidade, na sua expressão mais alta, na sua ambição mais nobre, nas suas virtudes mais puras... a atitude audaciosa de todas as aspirações humanas... loucuras sublimes... o arrojo dos sonhos irrealizáveis, o heroísmo que desafia, frente ao Destino”. Observando bem, verificamos que a duplicidade, será sempre inerente ao ser humano. A seguir, significativamente, Plínio identifica Quixote com o Sonho e com o Mito atribuindo, no entanto, a Quixote a Consciência (auto-consciência) de que se tratava de um Mito irrealizável e afirmando, numa primeira etapa, que Sancho acreditava, de facto, no Mito quixotesco, sem consciência da sua falsidade: “O nosso espírito se compõe de um mestre que ensina o que não crê e de um discípulo que crê nas coisas que se lhe ensinam” ... Enfim, haveria muito a dizer sobre o assunto. Mas, por razões várias, nomeadamente por via do espaço limitado desta minha coluna que pretendo sempre respeitar (confessando por vezes ser impraticável), deixo-me ficar por aqui SERENAMENTE, cogitando outro porvir do próximo sábado!
 

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Categorias: Opinião

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