Padre Agostinho Basílio: “No Livramento há um certo esfriamento no que toca à presença de jovens na Igreja”

Em jeito de introdução, o padre Agostinho Basílio começa por dizer que está a terminar esta missão de três anos. “Vim para cá em 1990, sou madeirense e sou sacerdote da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, que tem a sua casa de retiro e um centro de espiritualidade junto ao Estádio de São Miguel, na Canada Duarte Borges. Fui o primeiro a vir para cá e em 1996 foi inaugurado o Centro Missionário do Coração de Jesus e no ano seguinte, ou seja, em 1997 foi confiada à comunidade, a Paróquia do Livramento e, em 2011, a Paróquia do Cabouco”.
Resumidamente, o pároco Agostinho Basílio está cá nos Açores pela terceira vez, e ao nosso jornal revelou que “regressa à Madeira todos os anos, porque tem lá família”. Aliás, as suas férias fazem-se com a família, entre “Julho e Agosto”.
Acresce referir, que a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus é uma congregação religiosa da Igreja Católica presente em mais de 40 países, que actua no apostolado paroquial, em obras sociais, educação, comunicação e missionação.

Livramento: “Crescimento em construção”

Acerca do Livramento, o pároco Agostinho Basílio valida que “a primeira coisa que se vê e com toda a evidência é um crescimento grande populacional e de estruturas. É uma Freguesia que comecei a conhecer em meados dos anos 90 e nesse tempo não tinha estruturas, nem actividades de grupos e as que existiam eram muito reduzidas. No entretanto, o Livramento foi crescendo, graças a Deus, a todos os níveis, quer a nível da paróquia com os seus movimentos, quer a nível de Freguesia com várias estruturas desportivas ou culturais. É ainda um crescimento em construção com novas zonas habitacionais que vão surgindo”.
O crescimento populacional da Freguesia “tem levado a que algumas pessoas se deslocam à Paróquia para se informarem como é que esta funciona porque gostam de participar, mas a maior parte faz a sua vida paroquial fora do Livramento. Já os jovens fazem o seu percurso normal ao nível da catequese, mas depois, a maior parte deles, simplesmente desaparecem. Alguns aparecem mais tarde, porque querem casar, mas já não é assim tanto. Portanto, há um certo esfriamento que noto agora e que no passado não via assim tanto. Também devo confessar que há uns anos atrás tinha um outro dinamismo que não tenho agora. Há esta realidade dos jovens prosseguirem os seus percursos noutros locais, mas também há uma dificuldade, porque também é preciso ter uma certa criatividade de poder estar no campo, na acção e estar entre eles, e essa entrega e essa disponibilidade já não é tão fácil, pelo que esperemos que os novos padres que estão a surgir, possam agarrar esta missão de outra maneira”. 

Uma missão de três anos

O pároco Agostinho Basílio insiste que tem uma missão de três anos, que está acabar e que a incerteza mantém-se. No entanto, a sua continuidade “depende sempre dos seus superiores e da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, nomeadamente do superior provincial, que tem as várias actividades presentes, desde o Algarve ao Porto, passando pela Madeira e Açores, com presença em Angola e noutras locais, pelo que as necessidades daqui e dacolá, leva-nos a fazer mudanças, porque esta pessoa, se calhar, naquele contexto ou ambiente vai ser mais útil ou mais importante naquela situação concreta, daí termos esta movimentação que os padres diocesanos também têm, mas que é mais dentro da própria ilha ou da Diocese da Região”.

“Em termos de pobreza 
já vi as coisas mais feias”

Em termos sociais, “o Livramento tem um centro social de bem-estar que tem várias valências, nomeadamente dois Ateliers dos Tempos Livres (ATL) e uma Creche com cerca de 75 crianças, surgindo também uma outra valência que dá apoio parental a famílias, com uma assistente social, surgindo ainda um núcleo da Cáritas, associada ao centro social que é as mãos da caridade da igreja e da comunidade cristã, porque partilhamos algumas coisas. Inclusivamente, as pessoas levam alguns bens para a igreja que depois são distribuídos e vamos acompanhando essa situação. No entanto, devo também acrescentar, que em termos de pobreza já vi as coisas mais feias aqui no Livramento. Acho que as coisas vão-se compondo, sempre com limitações, mas sempre com a convicção que a maior pobreza é a falta de bom senso e de critério das pessoas, que não tiveram uma base de educação e formação, que acaba por impedir que muitas famílias não possam ter uma base de trabalho e de organização das suas próprias vidas”.

“Livramento tem uma comissão de festas maravilhosa”

Sobre a Festa de Nossa Senhora do Livramento, que acontece no segundo domingo de Setembro, o Pároco Agostinho Basílio diz que “a Freguesia tem tido uma boa caminhada porque o Livramento tem uma boa comissão de festas, em termos de organização, de animação e de arraial. Teve-se o cuidado de se criar espaços para a «prata da casa», tendo uns dias antes do tríodo final, toda uma semana de algumas actividades, em que se valoriza também a Freguesia com as suas instituições. É uma comissão maravilhosa, de pessoas generosas e também com uma certa criatividade, que tem ajudado a comunidade. É praticamente uma semana de festa e de convívio”.


 

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