28 de abril de 2019

Recados com Amor

Meus queridos! A minha prima Jardelina, que esta semana me veio fazer uma visitinha aqui à minha Rua Gonçalo Bezerra, estava toda contente porque, diz ela, viu em tudo o que era jornais, nacionais e regionais, em grandes parangonas, que finalmente a Europa tinha autorizado o Governo da geringonça a baixar o preço da luz. E então os títulos eram todos a dizer que o IVA da electricidade baixa de 23 para 6 por cento. Nem mesmo os jornais dos Açores tiveram paciência para dizer que por cá baixa de 18 para 4 por cento, porque o IVA é mais baixo na Região… Mas Jardeleina, que é mulher  esperta, não gosta de se ficar só pelos títulos… e aprofundando a notícia, viu que, na descrição se diz que a baixa do IVA é só sobre a “componente fixa” da factura, ou seja, é só sobre aquilo que toda a gente chama a taxa do contador, embora agora tenha um nome mais pomposo. Quer isto dizer que a poupança será de uns míseros cêntimos por mês… E agora as facturas da luz vão passar a ter dois IVA diferentes, um para o consumo e outro para as taxas fixas… É uma vergonha todo o alarido que o Governo e partidos da geringonça fizeram à volta da baixa do IVA da electricidade… para no fim nos brindarem com uma mão cheia de nada…   Diz a minha prima que fica preocupada porque se agora já é preciso um curso para saber ler uma factura da luz, daqui a dias o consumidor vai ter que “alugar” um técnico de contas para deslindar a dita factura… É obra!


Ricos! Depois do feriado do 25 de Abril, vem aí mais um, já na Quarta-feira com o dia do Trabalhador. Embora já reformada da Caixa, onde trabalhei mais de 40 anos, mando um ternurento beijinho a todos os que trabalham, porque também sei que há muitos que têm emprego mas nem sabem se trabalham… E sobre trabalhadores, quero dizer que estou ao lado do Bispo do Porto, D. Manuel Linda, que veio reabrir a discussão sobre o encerramento ou não das grandes superfícies ao Domingo. Eu compreendo que os patrões queiram ganhar o máximo e têm direito a isso, mas também é preciso pensar que os milhares que ali trabalham ao Domingo, também têm direito a descansar junto dos seus. E não vale o argumento de que assim deveriam também fechar os hospitais, bombeiros e aeroportos… Cada actividade tem as suas características próprias e as comparações devem fazer-se com coisas comparáveis. Comércio compara-se com comércio. Por isso, em tempo de celebrar o trabalhador, que se pense neles e não só na nossa comodidade… até porque quem quer e precisa de comprar há-de arranjar maneira de sempre o fazer…

Ricos! Já me tinha aperaltado com o meu vestido azul bandeira para assistir às comemorações do 15º aniversário de elevação da Vila de Rabo de Peixe, mas a minha hérnia atraiçoou-me e estive deitava para aliviar as dores, mas pelo que me contou minha amiga Imaculada, a festa foi de arromba com muitos forasteiros que quiseram assistir ao desfile alegórico que já é um dos pontos altos daquelas festividades. As diversas associações da Vila esmeram-se nas suas representações e todas elas com grande dignidade, a fazer jus às tradições do brioso povo de Rabo de Peixe. Lembro-me, como se fosse hoje, da grande movimentação popular que se registou no dia 25 de Abril de 2004, em que a esperança da população em dias melhores mobilizaram grandes e pequenos para uma festa que ficou na memória e nos anais da história daquela Vila. Pelo que li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, tanto o Presidente da Junta, Jaime Vieira, como o Presidente da Assembleia de Freguesia, António Pedro Costa, não se coibiram de chamar os bois pelos seus nomes, deixando vários recados ao Secretário Regional Rui Bettencourt e a Alexandre Gaudêncio, dizendo que o sonho de várias gerações ainda não se cumpriu plenamente em Rabo de Peixe, pelo que às entidades oficiais cabe redobrar as suas responsabilidades e atenção, no propósito de se eliminar as assimetrias sociais para o que é preciso um plano de intervenção específica para aquela Vila. Espero que não seja preciso ter o povo na rua para pôr os serviços oficiais a cuidar desse plano que tem de ser tripartido, englobando Governo, Câmara e Junta de Freguesia…  

Ricos! Disse-me a minha sobrinha-neta que tem suado as estopinhas para tirar um curso superior que lhe permita depois arranjar um emprego, nem que seja como caixa num supermercado, que agora, por decisão do Governo da geringonça, os estudantes do ensino profissional não vão precisar de nenhum exame para entrar na Universidade. Como nunca andei numa Universidade, já que a nossa só cá chegou em 1976, já eu andava atrás do balcão na Caixa, não entendo como isso é possível. Depois de Bolonha e das licenciaturas mais ou menos a martelo que agora já não dão para nada, com mais esta é caso para dizer que daqui a dias, ainda há-de bastar esperar pela idade, e o “canudo” vai ter a casa… E ninguém tem coragem de dizer que o rei vai nu?

Ricos! Ia esta semana no meu velho popó mostrar a Ferraria à minha comadre Isabelinha, que veio dos States para as festas do Senhor, e dei com  a estrada fechada porque… há perigo de derrocadas e têm caído pedregulhos capazes de esmagar qualquer popó. Acho muito bem! Mas, não posso deixar de lembrar que desde há anos que não falta quem venha alertando para necessidade de uma intervenção a sério naquele acesso, por forma a evitar a erosão a que está exposto, … mas os responsáveis sempre fizeram ouvidos de mercador e agora é que estão com as calças na mão… antes que aconteça alguma desgraça… Cá p’ra mim, as termas da Ferraria parece que estão mesmo enguiçadas, pois não há forma de acertar com um espaço que devia ser o ex-líbris poente da ilha do Arcanjo. São sortes! 

Ricos! Hoje em dia há esquemas para tudo, mas parece que a capacidade de arranjar maneiras de ganhar pilim não tem limites. Agora virou moda algumas empresas andarem pelas freguesias a fazer rastreios de visão e de audição… E até com apoio das próprias Juntas. E lá vão os velhinhos e velhinhas, fartinhas de esperar por uma consulta nos hospitais, para tentar a sua sorte de uns óculos ou de saber se estão a ficar surdos com a idade… E os ditos fazedores dos rastreios não estão com meias medidas e em vez de mandarem as pessoas para os médicos, receitam ali mesmo os aparelhos e as pessoas lá tem de desembolsar uma pipa de pilim, como aquele que deu 2.500 euros para ficara a ouvir melhor…. e depois chega à conclusão que ouve o mesmo com o aparelho ou sem aparelho... E essa hem? Por isso meu queridos… muito cuidado com esses novos mensageiros… que anunciando o céu e terra… mandam-nos pró inferno… Nada como cautela e caldos de galinha. Valha-nos Santo António!

Ricos! Eu pensava que já tinha visto tudo e que 45 anos depois do 25 de Abril já deveria haver um bocadinho de cultura democrática. Mas não! Uma certa Esquerda extremista ainda pensa que está no PREC em que se matava e queimava ou se ameaçava mandar fuzilar no Campo Pequeno, na praça de touros. Foi o que pensei quando vi a Mortágua de megafone na mão a gritar, em plena Avenida da Liberdade, “Oh meu rico Santo António, Oh meu Santo Popular, leva lá o Bolsonaro, leva lá o Bolsonaro para o pé do Salazar”. Assim mesmo! Não tiro partido por niguém, e Bolsonaro não deve ser flor que se cheire… mas, pelos vistos… quem não é da extrema esquerda, é para matar. E é essa gente que se senta no Parlamento nacional! Queria ver se a Mortágua é capaz de desejar a morte do líder da Coreia do Norte ou de um Ayatollah qualquer… Pois! Só se metem com quem não responde na mesma moeda! Livra!

Meus queridos! E já que estou a falar do 25 de Abril, num tempo em que se multiplicam mesmo lá para os lados de São Bento os fundamentalistas do Ambiente e dos animais, não gostei de ouvir o Presidente da Assembleia da República dizer que há quem trate os políticos abaixo de cão. Admira-me o deputado do PAN já não ter vindo em defesa dos de quatro patas, já que Ferro Rodrigues não precisava de fazer a comparação, por respeito aos ditos cujos… E também podiam acabar com as garrafas de plástico com água, nas mesas do Parlamento. Tão feio a imagem dum Presidente da República a abrir uma garrafa de plástico, com uma câmara de televisão a captá-lo em grande plano… 

Meus Queridos! O Director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio remeteu-me a resposta do sempre activo e simpático Presidente da Comissão de Toponímia da Câmara de Ponta Delgada o meu querido José Andrade, esclarecendo duas questões retratadas em dois recadinhos da semana passada e que a seguir transcrevo, mas antes dizendo que quanto às letras em falta no monumento inaugural da Avenida João Bosco Mota Amaral, já várias vezes me dirigi à Câmara sobre tal questão de a pedido de muitos leitores…e nunca foi esclarecido que a via continua a ser regional, o que muito me espanta, porque ainda agora, a Câmara levou a cabo uma alteração profunda, creio que a expensas suas, no traçado da avenida, para substituir uma faixa de rodagem pela ciclo via, coisa que me espanta, porque se a vai se mantêm na posse da Região, foi preciso acordo do Governo para tanto, o que me leva a perguntar porque é que igual acordo não foi conseguido para se regularizar a entrada da rotunda que é regional, que liga ao hospital com a nova faixa que a Câmara fez,e bem, na via que empareda com o jardim do hospital e liga ao Arcanjo Lar. Espero que o meu querido José Andrade na sua qualidade de Chefe de Gabinete do Município possa numa próxima oportunidade desvendar tal enigma…    
Entendeu a sempre atenta e oportuna Maria Corisca dedicar dois dos seus apreciados “recadinhos” do passado Domingo à Comissão Municipal de Toponímia, Distinções Honoríficas e Património Cultural do Município de Ponta Delgada. Um sobre a reposição da placa toponímica da “Ladeira da Mãe de Deus” junto à Rua do Peru. Outro sobre a recolocação das (muitas) letras em falta no monumento inaugural da (agora designada) “Avenida João Bosco Mota Amaral”.
Em ambos os casos, acertou nos tiros, mas enganou-se no alvo.
No primeiro caso, conforme determina a Lei nº75/2013, de 12 de Setembro, é às juntas de freguesia (e não às câmaras municipais) que compete “colocar e manter as placas toponímicas”. Aliás, sabemos que a Junta de Freguesia de São Pedro se encontra sensibilizada para esta necessidade e que agirá em conformidade com a maior brevidade possível.
No segundo caso, trata-se de um monumento regional numa via regional, pelo que o governo regional certamente tomará as devidas providências.
Compreendendo e subscrevendo estas e outras preocupações de boa cidadania, só temos a agradecer os alertas pertinentes.
Com estima, José Andrade.
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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