“Este modelo de duas fases está esgotado”

As declarações recentes do Director Regional do Desporto apontavam para este desfecho. António Gomes nunca fê-lo de forma directa, mas deixou entender que não ia por diante a intenção da maioria dos clubes que disputaram o CFA da época passada. 
Recorde-se que em Fevereiro do ano passado, 8 dos 10 clubes representados numa reunião na sede do Vilanovense, na ilha Terceira, elaboraram um documento a pedir que as Associações fizessem chegar à DRD argumentos para que o campeonato fosse disputado por 12 clubes, numa única fase, entre Janeiro e Maio após 24 jornadas. Até ao início da prova regional, os clubes concorrentes disputariam competições no âmbito de cada Associação, nomeadamente as várias taças. 
Os clubes tencionavam que o aumento fosse aplicado no CFA que decorre, mas o aumento para 12 clubes terá sempre por passar pela aprovação na Assembleia Legislativa Regional. O decreto-lei que vigora permite que as séries compostas por clubes açorianos tenham o máximo de 10 clubes nas modalidades colectivas.
A verdade é que o documento demorou um ano a chegar às mãos do Director Regional do Desporto. O Presidente da Associação de Futebol da Horta (AFH) reconhece que foi demorada a elaboração do documento com a petição para o alargamento.
No entanto, Eduardo Pereira disse ao Correio dos Açores que “há um ano já tínhamos o nosso trabalho feito, mas houve um deixar passar o tempo sem explicação”, adiantando que “por mais argumentação que tivéssemos a resposta da DRD seria a mesma.”
Eduardo Pereira reconhece que “a argumentação que apresentamos não foi suficiente” e que o Governo Regional alegou “não ser esta a oportunidade para aumentar o número de clubes participantes”, sendo um dos motivos “o esvaziamento nas competições de ilha de futebol”.
“O maior constrangimento desta prova tem a ver com factores externos, nomeadamente os transportes serem mais eficientes no sentido das equipas regressarem o mais rápido à sua ilha após os jogos, porque há vários jogadores, treinadores e dirigentes que não podem estar tempo demais fora devido aos compromissos das suas profissões,” apresentou o presidente associativo um dos motivos para afirmar que “este modelo está esgotado”.
O líder da Associação que reúne clubes das ilhas do Pico, do Faial, das Flores e do Corvo tem a noção que “dificilmente conseguiremos o alargamento” e por isso mantendo-se as 10 equipas “temos de alterar o modelo competitivo que está em vigor no sentido de tornar a prova mais atractiva, mais justa, mais equilibrada e com mais qualidade.”
“Estando o modelo esgotado temos de repensar a regulamentação”, adiantando que “esta matéria já foi abordada com a DRD”, disse Eduardo Pereira.
O Presidente da AF Horta revelou que “neste campeonato que decorre da primeira para a segunda fase houve um verdadeiro atentado à verdade desportiva em diversos aspectos”, realçando ter havido “clubes que queriam ficar no grupo da subida e depois pura e simplesmente começaram a trocar e a acrescentar jogadores, colocando a verdade desportiva em causa”.
Os exemplos não se ficaram por ali. “Outros clubes que ficaram na fase da descida, pura e simplesmente desistem de competir seriamente e ainda outros vão buscar jogadores às equipas locais, principalmente no período de Fevereiro, acabando por prejudicar as equipas locais” e por isso “temos de lutar contra isso porque acima de tudo está a verdade desportiva”, referiu.
“Esta competição é muito importante, porque 30% dos atletas são jovens até aos 25 anos de idade e mais de 30% são jovens pela casa dos 27 anos e, por isso, temos, muitos jovens nesta competição o que é uma boa montra para as nossas equipas que estão num patamar acima pelo que temos de procurar melhorar a competitividade do campeonato açoriano”, disse Eduardo Pereira.
Brevemente as Associações açorianas vão trabalhar numa nova regulamentação para o CFA e para isso vão ouvir os clubes.

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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