Muitas foram as queixas apresentadas ao nosso jornal

Estragos, falta de segurança e não susbstituição de equipamentos na residência universitária das Laranjeiras divide opiniões entre alunos e Serviço de Acção Social

São cerca de 350, os alunos que residem actualmente nos quatro blocos da residência universitária mista das Laranjeiras, em Ponta Delgada. 
Não obstante ser um edifício relativamente recente, nomeado para o Prémio Secil de Arquitectura 2008 e que ganhou o Prémio de Arquitectura FAD 2007, queixam-se os residentes que as condições são poucas. 
Os alunos disseram-nos que já foi apresentado aos Serviços de Acção Social da UAc, entidade responsável por aquele edifício, um documento com a descrição de todas as falhas que o edifício apresenta, tendo sido inclusive dados prazos de resolução àquela entidade. Algumas questões foram resolvidas mas outras parecem a estes residentes mal resolvidas, pois “não foram ajustadas à população estudantil”, adiantam.
“Sabemos que aquele edifício ganhou um prémio, mas isso terá acontecido pela sua estética exterior e não pela sua funcionalidade. Temos um bloco sem pavimento, apenas com brita, o que pode prejudicar, por exemplo, um aluno que esteja aleijado. Além disso, existem rampas para deficientes, mas as portas de acesso estão trancadas, e há casos de portas de segurança aparafusadas”, garantem.
Nesse sentido, os estudantes contaram-nos que “aconteceu uma situação de um aluno que ficou de cadeira de rodas e que não ia praticamente ao seu bloco, porque a porta de emergência está trancada, e sabemos que há portas de emergência aparafusadas, sendo que a rampa de acesso era por esta mesma porta. Ele ficava a dormir no quarto de outros amigos e comprou um colchão insuflável para se resolver”, explicam.
São também muitos os alunos de Erasmus que se encontram nesta residência, “os quais pagam o dobro de um aluno que tenha a UAç como a universidade mãe e que estão há muito tempo sem lavar roupa, porque lhes foi proibido o serviço de lavandaria; isso acontece a todos os alunos do bloco 1, que na maioria são de Erasmus. São cerca de 60 pessoas neste bloco”, explicam.
“Os alunos de Erasmus são a principal fonte de rendimento em relação aos alunos dos Serviços de Acção Social e o que estes estão a fazer é informar os próximos alunos de Erasmus para que não venham para a residência, porque para pagar mais de 120€ por mês antes ir para um apartamento pagar um pouco mais mas com outras condições. Cada vez mais parece que a residência tem um sistema prisional com falhas de segurança”, confessam.
Note-se que o aluno bolseiro paga 75,06€ a partilhar o quarto e individualmente 165€ e o aluno Erasmus a partilhar paga cerca de 119€ e individualmente 165€. 
Questionados sobre que problemática está a decorrer na lavandaria, os alunos explicaram-nos que “as máquinas de lavar estão ligadas a um sistema de moedas em que se coloca uma moeda para secar e para lavar roupa. Os alunos descobriram como utilizar a mesma moeda para muitas lavagens, os serviços contabilizaram as lavagens e as moedas e viram que havia uma grande discrepância. Até aí compreendemos, mas eles deviam ter pensado que se calhar há alunos que não têm condições para estar todas as semanas a pagar por este serviço. O controlo deveria ter sido feito de outra maneira”, sugerem.
Além disso, há outras preocupações quanto a este serviço, uma vez que a lavandaria funciona em horários pouco adaptáveis à vida do estudante. “A solução encontrada pelos Serviços de Acção Social foi privar numa primeira fase alguns alunos do serviço de lavandaria e numa segunda fase avisar os outros. Agora o que está a ser aplicado é um sistema centralizado de lavandaria que funciona das 08h30 às 20h00 durante a semana, mas temos aulas e é ao fim-de-semana que nos dedicamos à casa e à lavagem da roupa. Além disso, durante a semana nem sempre temos roupa suficiente para lavar e as máquinas por vezes não lavam bem, o que significa que temos que lavar mais uma vez”, destacam os residentes.
Os nossos entrevistados garantem que “o que está a acontecer na residência das Laranjeiras também acontece no pólo de Angra do Heroísmo, na Terceira, só que parece que com este pólo não há um contacto tão directo tendo, talvez, em conta a distância”.
Questões de segurança são também colocadas por estes alunos que dizem que “os alarmes têm avarias constantes e disparam, mas os seguranças muitas vezes não querem ir desligar o alarme e são os alunos que têm que o fazer ou então ir à portaria pedir ao segurança que o faça! Se não for assim ele nem vai ver se está mesmo tudo bem ou se foi só uma avaria do alarme”. Além disso, o “sistema de segurança no duche em cada quarto está sempre desligado, quando deveria estar activo para o aluno accioná-lo caso se sentisse mal”. 
Para estes alunos, a vedação da residência também não é segura, até porque “qualquer um pode saltá-la e entrar na residência, e já aconteceram roubos por causa disso”. 
O interior dos quartos também apresenta falta de condições, sendo certo que “há paredes com extrema humidade e paredes com buracos através dos quais entram bichos constantemente, tais como lagartos, baratas e ratos. Mesmo assim, os Serviços de Acção Social só querem ganhar dinheiro e colocam alunos nestes quartos”, denunciam.
Por forma a particularizar a situação, os alunos contaram-nos que “houve um quarto em que a parede estava a dar de si já no ano passado, onde tinha ficado só um aluno; neste ano o mesmo quarto tem dois alunos e a parede caiu, ficando com um buraco, pois desviaram a cama e um bocado da parede caiu. Mesmo assim estes não se magoaram, porque o buraco estava ao nível da cama. Só aí decidiram arranjar a parede”, declaram os alunos.
Na cozinha também lhes parece que muitos aspectos não estão bem determinados. “Há fogões familiares de quatro bocas, com sorte estão todas a funcionar, para cozinhas de 20 a 30 pessoas, o que se torna caótico, porque uns têm que esperar pelos outros durante muito tempo”. 
Segundo disse a nossa fonte, os quatro blocos desta residência estão equipados com fogões familiares, sendo que cada bloco tem duas cozinhas e um fogão em cada uma delas. “A solução apresentada foi a de aplicar fogões industriais, mas as cozinhas não estão equipadas para isso, porque há apenas um pequeno espaço para o fogão quadrado, logo toda a cozinha tinha que ser alterada!”
Além disso, os frigoríficos também apresentam anomalias regulares. “Queixamo-nos porque os frigoríficos ora trabalham, ora não trabalham há já algum tempo e neste empasse perde-se comida e dinheiro, o que não é compensado. A verdade é que o frigorífico tem que chegar ao fim de vida para ser reposto e ainda assim isso demora algum tempo. O que acontece é que temos dois frigoríficos ditos normais para 30 pessoas!”, queixam-se os residentes.

Micro-ondas e frigoríficos 
com problemas recorrentes

Os micro-ondas também têm problemas recorrentes, “tendo mesmo um deles, no Bloco 2, começado a arder quando um aluno aqueceu a sua comida. Os serviços dizem que não vão repor o frigorífico, porque o último aluno que o usou não se identificou”, adiantam os alunos. Note-se que a nossa fonte garante que quer micro-ondas, quer os frigoríficos apresentam-se muitas vezes com ferrugem. 
A internet também se revela um problema, porque “só temos internet na sala-de-estar, além do que há blocos em que esta e a sala de estudo são o mesmo local, ou seja a pessoa que está a estudar não pode pedir silêncio a quem está com os colegas a conviver. Além disso, esta é uma net que falha muito”. 
Por outro lado, “o sistema de aquecimento de água falha constantemente e já nos lavamos com água fria, assim como em dias de chuva entra água e temos que secar o chão com toalhas, as nossas próprias”, afirmam.
Neste lar são, portanto, muitas as queixas apresentadas por estes residentes, pelo que quisemos perceber o que dizem os pais sobre esta situação. “Se os pais colocam os seus filhos na residência é porque não têm condições para mais e os alunos não querem aborrecer os pais com isso, pelo que se vão deixando estar. Por outro lado, os pais muitas vezes não estão informados, daí que seja necessário contar o que se passa!”, sentenciam.
Como conclusão, aos alunos parece que “os Serviços de Acção Social não sabem mesmo o que é viver numa residência e acabaram por privar os residentes de uma necessidade básica de higiene, que é ter a roupa lavada”.

Serviços culpam alunos
pelas avarias existentes

Confrontada com todas estas problemáticas, Ana Homem de Gouveia, Directora-executiva dos Serviços da Acção Social Escolar da UAç, confirma “que as regras na residência relativas ao acesso ao serviço de lavandaria tiveram de ser alteradas devido ao facto de muitos estudantes danificarem deliberadamente os mecanismos de controlo das máquinas de lavar, causando prejuízos de vários milhares de euros à Universidade dos Açores”.
Por outro lado, a Directora afirma que ”as inúmeras avarias que se têm registado nos micro-ondas têm sido provocadas por utilizações indevidas, designadamente pelo reiterado recurso a embalagens de alumínio, e outras similares, no aquecimento das refeições”. 
Não obstante todas as outras queixas apresentantes pelos alunos, Ana Homem de Gouveia salienta que, “relativamente às restantes questões, sempre que são reportadas anomalias os serviços procedem às necessárias intervenções, não existindo qualquer assunto pendente que não esteja a ser resolvido dentro das possibilidades financeiras da academia”. 
Mas há um ponto em que academia e alunos parecem estar em relativa sintonia. “O único problema de mais difícil resolução é o que se prende com o acesso à internet, não só porque os estudantes quanto maior largura de banda possuem mais tráfego querem fazer passar, mas também porque a Universidade dos Açores, ao contrário das suas congéneres do Continente, não tem acesso a fundos comunitários, nem nacionais, nem regionais, para resolver a situação de forma satisfatória”, concluiu a Directora-executiva.
                        
                      

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