José Dinis Carvalho, Presidente da Direcção da Casa do Povo da Fajã de Baixo

São muitos anos no cargo onde “só se consegue estar por gosto”

O Centro Social e Cultural da Casa do Povo da Fajã de Baixo está implementado na casa onde nasceu e viveu a escritora micaelense Natália Correia. É uma das mais antigas casas do Povo dos Açores. O primeiro espaço onde funcionou a Casa do Povo da Fajã de Baixo serviu de entreposto da laranja, escola pública e aquartelamento militar.
José Dinis Carvalho está já no cargo há 22 anos. São muitos anos no cargo, que “só se consegue estar por gosto”. Quem o conhece, sabe que esteve muitos anos à frente da Margurte – Comércio de Produtos Alimentares, Lda., negócio que agora está entregue a um dos filhos. No entanto, mesmo reformado sempre vai lá quando pode, só que está mais tempo no Centro Social e Cultural da Casa do Povo da Fajã de Baixo, que diz ser a sua luta diária. “Gosto de estar aqui com os nossos utentes e com os nossos sócios, que já cerca de 150”, revela.
Na Casa do Povo da Fajã de Baixo são realizadas diversas actividades, mediante um plano mensal, entre elas, passeios, jantares, visitas culturais, entre outras. Para além disso, o Centro Social e Cultural da Casa do Povo da Fajã de Baixo tem duas salas amplas, onde são realizadas sessões de ginástica ou Yoga.
No âmbito das suas actividades, cerca de 50 pessoas deslocaram-se recentemente a Santiago de Compostela, durante sete dias, contribuindo também para isso, o facto de serem associados do Inatel.

Espaço multiusos

Sobre o imóvel onde nasceu a escritora Natália Correia, que faleceu a 16 de Março de 1993, diz que “foi recuperado e alberga, desde 2005, a Casa do Povo, um centro de dia e centro de convívio de idosos, além de um Atelier de Tempos Livres (ATL) para crianças e jovens do Centro Paroquial da freguesia.
As instalações “estavam em ruínas” e andou-se a propor que ali se fizesse algo para a Freguesia. “Assim, a Casa do Povo, a Junta de Freguesia e o Governo Regional estabeleceram um acordo para a aquisição e recuperação da casa”.
Para além do centro de dia e centro de convívio, a Casa do Povo disponibiliza também o serviço apoio ao domicílio. No piso superior, os serviços são assegurados ainda com uma assistente social e uma administrativa.
Espaço bastante frequentado

No momento, o centro de dia tem 22 utentes, mas no centro de convívio, o espaço é frequentado por mais gente, entre 20 a 30 pessoas.
A cozinha tem capacidade para 58 almoços e funciona com 12 colaboradores, sete efectivos e cinco ao abrigo dos programas ocupacionais.
Não raras as vezes “organizam-se convívios com outras freguesias porque andar e passear estimula”.
Sobre a sua freguesia, não tem dúvidas que a Fajã de Baixo tem margem para evoluir, no entanto, “não se faz nada sem iniciativas e dinheiro”.
“A Casa do Povo está a dar o apoio a todos os movimentos e graças a Deus temos tido também o apoio da Junta de Freguesia e qualquer instituição que necessitar de algum dos nossos salões, estamos sempre disponíveis para ceder”.
A Casa do Povo tem ainda duas carrinhas, mas em breve vai poder contar com mais uma.
Ainda sobre Natália Correia, a sua obra literária é riquíssima. Passou pela poesia, pela ficção, pela dramaturgia e pelo ensaio, e tanto lhe valeu uma pena suspensa de 3 anos por abuso da liberdade de imprensa com um galardão da Ordem da Liberdade.
Destacou-se na luta contra o fascismo e viu várias das suas obras censuradas. Mesmo depois da revolução, não perdeu a sua veia política e foi eleita deputada pelo Partido Social Democrata.
A casa mantém a traça original, ostentando uma placa identificava do nascimento de Natália Correia. «Nesta casa nasceu, em 13 de Setembro de 1923, a escritora Natália Correia, figura eminente da cultura portuguesa, do século XX. Homenagem do município de Ponta Delgada e da Freguesia da Fajã de Baixo, nos 25 anos da sua morte, 2018».


 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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