Simão Campos, jovem micaelense a jogar no Maia Futsal

“O Futsal nos Açores tem de crescer muito mais”

Passou para o futsal. Ingressou no Norte Crescente ainda como juvenil, jogando até ao primeiro ano de júnior. Foi campeão de ilha de São Miguel e dos Açores no escalão de juvenis com o treinador Rui Rebelo e repetiu o feito como júnior com o treinador Sérgio Roque.
E como aconteceu o ingresso em clubes continentais? Simão Campos, com um discurso fluente e criterioso, esclareceu que "ao completar o ensino secundário na escola Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, fui para o Porto tirar o curso de engenharia informática - frequenta o terceiro ano - e, como não pretendia deixar a prática do desporto e do futsal, ingressei na equipa de juniores do Freixieiro indicado pelo treinador Delfim, que esteve a treinar os seniores do Norte Crescente", conta-nos.
“Quando subi ao escalão sénior, foi-me dito que para ter mais tempo por jogo, atendendo a que o Freixieiro tem sempre objectivos de subida à 1.ª divisão, era preferível ingressar numa equipa onde tivesse mais hipóteses para poder evoluir”, recorda Simão Campos.
Assim, começou na equipa do Cem Paus, de Gaia, seguindo, na época seguinte, para o Barranha, da Senhora da Hora, de Matosinhos. Até que surgiu um projecto mais ambicioso, no Maia Futsal, que joga para subir à Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto.
"Paulo Lopes, que já tinha sido meu treinador, convidou-me a entrar no projecto de subida de divisão do Maia Futsal", aponta Simão Campos o motivo para ter ingressado no clube fundado em Junho de 2017.

“NÃO É FÁCIL VIVER DO FUTSAL”

O jovem natural da ilha de São Miguel pretende, acima de tudo, terminar o curso porque “não é fácil viver do futsal e teremos de nos agarrar a outras soluções”, mas isso não impede que treine 3 vezes por semana, mais um dia de trabalho físico individual.
“Se é complicado conjugar os estudos com os treinos e os jogos numa equipa com ambições? Há dias que estou cansado e com os treinos a terminarem pelas 22h00 o esforço é a duplicar, mas quando se gosta é mais fácil”, salientando o incentivo dos pais nesta divisão de tarefas entre os estudos e o futsal.
No entanto, há por parte de Simão Costa a intenção de “fazer tudo o que posso para não ficar com o ressentimento que não consegui vingar no futsal por falta de aplicação”.
O futsal é realmente uma paixão e Simão Costa não perde a oportunidade de assistir a jogos com equipas mais evoluídas para “aprender”. Por isso, sempre que tem disponibilidade e não prejudique os estudos, é vê-lo nos pavilhões assistindo a jogos das competições nacionais e internacionais, como sucedeu com a fase final da Taça de Portugal, realizada em Gondomar.

“OUTROS MÉTODOS”

Quando passou para o Freixieiro, o futsalista açoriano sentiu as dificuldades próprias da transferência para um nível que está mais evoluído. “Encontrei outros métodos que me ajudaram a crescer”, não esquecendo a importância dos treinadores Rui Rebelo e Sérgio Roque na “evolução que tive enquanto joguei nas equipas de formação do Norte Crescente”.
“Hoje sou melhor jogador, com mais e melhores conhecimentos porque estou numa prova, embora de âmbito associativo, que reúne muitas e boas equipas. Algumas são de clubes de bairro das cidades de Gaia e do Porto, muito organizados, com muitas pessoas a apoiarem, que dão incentivos aos atletas, surgindo equipas com atletas que já jogaram na 1.ª divisão, como acontece actualmente no Maia Futsal”, dá resumidamente a conhecer a realidade da modalidade em dois grandes centros urbanos.
Simão assiste aos jogos da série Açores da 2.ª divisão nacional quando está de passagem pela ilha e com os conhecimentos que possui refere que as equipas açorianas “são iguais ou inferiores do que a maioria das equipas que tenho defrontado nas provas da Associação de Futebol do Porto”.

“ESTAMOS FECHADOS NA ILHA”

“O futsal cresceu muito nos Açores, mas terá de crescer muito mais para poder ombrear com a maioria das equipas continentais da mesma divisão”, diz o atleta, sugerindo o “fim da série açoriana da 2.ª divisão porque da forma como está os jogadores não evoluem”, reafirmando o que os defensores do final da série têm dito: “é contra os melhores que se evolui e não contra os piores”.
O vencedor da série Açores “tem tido um comportamento negativo quando enfrenta as equipas continentais, precisamente por estarem muito desniveladas, não se podendo admitir que estando reunidas as melhores equipas da zona Sul da 2.ª divisão haja goleadas de 15-0, como sucedeu recentemente com o Posto Santo no jogo com o Portimonense”, aponta Simão Costa.
Quando questionamos o atleta micaelense do Maia Futsal se sentiu falta de compromisso e de mentalidade dos colegas nos escalões de formação enquanto jogou nos Açores, refere que “estando fechados na ilha não entendem que a realidade do futsal é diferente e como alguns até têm qualidades pensam que sendo os melhores da ilha dispensam treinarem mais e melhor. Se chegarem a uma equipa continental, o choque inicial é grande e só com muita vontade e muita aplicação se atinge o ritmo e a intensidade de jogo que encontramos”.
“Há necessidade de os nossos clubes serem mais organizados para em conjunto serem mais evoluídos como acontece na maioria das equipas do Continente envolvidas no mesmo campeonato, principalmente nos âmbitos tácticos e técnicos, sendo, por outro lado, necessário que os treinadores locais se actualizem mais e melhor”, conclui.
 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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