Emanuel Santos, Presidente da Junta de Freguesia de Água d’Alto

“A freguesia não tem capacidade financeira para ter um multibanco” até porque “já existem dois postos ATM”

Emanuel Santos esteve sete anos como secretário da Junta de Freguesia e em virtude do anterior Presidente, Virgínio Santos ter falecido, foi o nosso entrevistado que terminou o mandato, onde esteve cerca de oito meses. Depois, candidatou-se ao lugar venceu as eleições, onde este durante quatro anos. Recandidatando-se ao lugar voltou a ganhar com maioria absoluta estando agora a meio do seu segundo mandato no cargo.
Olhando para trás, e como já tinha a experiência de sete anos como secretário da Junta de Freguesia, “isso ajudou imenso”, até porque o anterior Presidente já estava ali há mais de 16 anos. “Água d’Alto é uma freguesia rural que tem características urbanas, mas também tem uma componente rural muito forte, porque temos muitos caminhos de acesso a explorações agrícolas e é importante também conhecer essa parte, porque no dia-a-dia, o Presidente da Junta depara-se com inúmeras dificuldades, não só ao nível da habitação, mas normalmente os acessos às explorações agrícolas são aqueles que nos causam maiores preocupações ao longo do ano”.
Nesta nossa agradável conversa, Emanuel Santos revelou a boa relação institucional com a edilidade de Vila Franca do Campo. “Sempre tivemos uma relação muito boa com a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, quer com o anterior Presidente António Cordeiro, que também já faleceu, quer com o actual, Ricardo Rodrigues, que apesar de visões diferentes, a nossa Junta de Freguesia sempre se deu bem”.

Projecto “Habitar Melhor” já fez intervenções em seis habitações

Insistindo no tema habitação, sustenta que “todas as freguesias têm problemas a esse nível, nós também temos e é uma preocupação deste executivo, neste mandato, mas já foi no anterior. Fizemos um levantamento exaustivo de todas as casas da Freguesia que precisavam de apoios, há apoios que são directos, ou seja, as pessoas não passam pela Junta de Freguesia ou pela Câmara Municipal, mas podem-se candidatar directamente na Direcção Regional da Habitação e nos casos mais difíceis, em termos processuais, propusemos um projecto à Direcção Regional da Habitação, denominado «Habitar Melhor», que já sofreu quatro aditamentos, ou seja, são novas situações que vão surgindo, e já fizemos intervenções em cerca de seis casas, mas esse projecto abrange um total de 12 habitações. Estamos a falar em quase 60 mil Euros destinados à realização de obras, como a substituição de telhados ou melhoramentos em casas de banho, como aconteceu há pouco tempo com um casal de idosos, que necessitava de outros equipamentos de maior mobilidade e é isto, o que tem acontecido um pouco pela Freguesia”.
Em termos de mão-de-obra, a Junta de Freguesia de Água d’Alto tem um coveiro no quadro e tem uma funcionária administrativa. Para além disso, “temos três elementos colocados pela Câmara Municipal, ao abrigo dos programas do subsídio social de desemprego. Temos ainda, durante todo o ano, um outro colaborador, a recibos verdes, que faz a manutenção da rede viária, que são cerca de 30 quilómetros de caminhos”.
Em Água d’Alto, os alojamentos locais também vão surgindo e pelo que tem conhecimento “já entraram na Câmara Municipal de Vila Franca do Campo vários pedidos para licenciamento de alojamentos locais na Freguesia” existindo ainda outros quatro em Água d’Alto, um no local das Alminhas, outros dois no lugar da Praia e um no centro da Freguesia”.

Abertura de posto de turismo 
na sede da Junta de Freguesia

No âmbito da Freguesia, revela que “fazia também parte do nosso plano de actividades a abertura de um posto de turismo e é isto que vamos fazer. A sede da Junta de Freguesia tem um espaço destinado a esse posto de turismo e faz todo o sentido, porque temos um dos principais trilhos da ilha de São Miguel, que é o Trilho da Lagoa do Fogo e as pessoas procuram a Junta de Freguesia para obterem informações. Os turistas já aparecem todos os meses do ano e não é só no Verão. Vamos criar esse posto de turismo e vamos aproveitar o espaço para divulgar os nossos produtos e os nossos artesãos, que fazem coisas muito interessantes na Freguesia. Será também uma oportunidade para os nossos artesãos poderem expor os seus trabalhos e eventualmente até venderem alguma coisa aos turistas”.
A falta de um multibanco na Freguesia não incomoda o actual executivo e explica, que “não faz sentido a Freguesia ter um multibanco, porque o seu aluguer é caro e estamos a falar de valores que oscilam entre os 250 euros por mês. Para além disso, os custos da sua manutenção não são baratos e gastar-se-ia até 5 mil euros anuais e a Junta de Freguesia não tem essa capacidade financeira. Para além disso, uma caixa de multibanco só servia, quase exclusivamente para levantar dinheiro, porque na Freguesia já existem dois postos ATM para pagamento de serviços, onde as pessoas podem pagar as suas facturas da luz, água ou telefone. Por outro lado, existem multibancos a poucas centenas de metros da Freguesia, nomeadamente em Vila Franca do Campo. 

Bons indicadores em termos sociais

Em termos sociais, o Presidente da Junta de Freguesia de Água d’Alto revela que “um bom indicador é o número de alunos que temos nas escolas, que são alunos do 1.º e 2.º escalão. Os alunos do 1.º e 2.º escalão são alunos que têm os apoios sociais a 100% e é um indicador, porque, ou temos muitas necessidades, ou não temos. Quando passou a crise económica, todos sofreram com isso e Água d’Alto não fugiu à regra, ou seja, algumas empresas tiveram que fechar, tiveram que dispensar trabalhadores e a construção civil foi um dos sectores que sentiu muito essa crise, e nós ficamos aí com muitas pessoas que ficaram sem trabalho. A Câmara Municipal, na altura, conseguiu através dos programas ocupacionais colocar cerca de 200 colaboradores, ou seja, fez com que desse trabalho a muita gente de muitas freguesias, mas aquilo que nós agora verificamos é que, se quisermos recrutar alguém do centro de emprego, já praticamente não existe mão-de-obra da construção civil ou são muito poucos, o que significa que estão já a trabalhar. Isto é bom e notámos também, um pouco isto, na nossa Freguesia. Estou aqui há 20 anos e tenho a noção daquilo que estou dizer. Nem todos estão a trabalhar, mas comparativamente com há meia dúzia de anos está melhor. Uma das coisas que víamos era a presença de muitos homens nos cafés, mas hoje esses estabelecimentos estão vazios e já não os vemos lá, o que significa que estão a trabalhar e há rendimento nas famílias. Em termos de emprego, já existem bons indicadores e as perspectivas são boas”.

Novo apeadeiro e centro histórico

Em termos de obras concretizar, Emanuel Santos diz que “na Rocha dos Campos, no início do Trilho da Lagoa do Fogo, também conhecido por Caminho dos Escuteiros, o mau tempo tornou os terrenos do apeadeiro instável e nunca mais tinha sido reposto, e todas as pessoas que tinham de apanhar o autocarro, no sentido Vila Franca – Ponta Delgada tinham que se abrigar do outro lado da estrada, numa curva perigosa. Esse apeadeiro vai ser remodelado e far-se-á o reordenamento de todo aquele espaço. A curva vai ser amenizada e aquela zona vai ficar completamente remodelada.
Por outro lado, vamos ter finalmente o nosso centro histórico que tem um orçamento previsto até 220 mil Euros. Na próxima reunião da assembleia de freguesia, que se irá realizar no mês de Julho, haverá a apresentação pública do projecto, e quando terminarem as festas do Santíssimo Sacramento, que são conhecidas pelas festas de São Lázaro, que acontece na terceira semana do mês de Agosto, iniciar-se-á a obra.


 

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