12 de maio de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Como se costuma dizer, “a montanha pariu um rato”. Depois do alarido todo feito acerca da reposição de nove anos do tempo de serviço dos professores, tudo ficou na mesma, como a lesma… Não houve demissão do Governo, a “geringonça” não se desfez, e os professores recolheram a penates, e o povo continua a ser bombardeado com taxas e impostos que é um nunca mais acabar… enquanto que o maior alvo da crise, que foi Rui Rio, considera que António Costa, com a crise que engendrou coloca “primeiro a família, depois o PS e depois Portugal”…. Agora segue-se um novo acto. E desta feita pende-se com os bancos a quererem taxar os seu clientes por cada levantamento de dinheiro que fizerem nas caixas multibanco… Já não basta o que se paga anualmente para a chamada manutenção da conta e o que nos debitam pelas cartas que mandam para casa… Só falta debitar o custo do papel, e qualquer dia virá a conta que caberá pagar pelo envelopamento e etiquetagem de cada carta… O descaramento dos “mandantes dos bancos” é de tal ordem, que se dão ao luxo de dizer que é para uniformizar procedimentos que se praticam na União Europeia…, esquecendo que têm o dinheiro dos contribuintes em contas à ordem e a prazo rendendo quase zero… e que ainda por cima é comido pelas taxas e afins… E dizem-no com uma sobranceria própria de quem tem o “papo cheio” pelos muitos milhares que recebem no fim do ano… tratando os seus clientes à laia de ralé que come e cala… Já vimos o fim triste de muitos desses banqueiros que eram donos disto tudo… e convém não esquecer que cá se faz… cá se paga… Só espero que o Banco de Portugal, que é lento e sem memória quanto baste…, não deixe passar esse conluio oligopolista da banca para lixarem o Zé pagante… e depois distribuírem entre si os chorudos lucros gerados pelas múltiplas taxas a que sujeitam os forçados clientes. E digo forçados porque a trama que foi engendrada pela finança é de modo a que a vida de cada um passa por ter uma conta bancária, já que não pode fazer pagamentos nem recebimentos em dinheiro vivo para além de três mil euros…. Estamos todos sob suspeita de sermos grandes traficantes, ladrões, e lavadores de fortunas alheias… É o Estado que temos e o que deixamos alegremente que se fosse fazendo, em nome da justiça e da transparência….


Meus queridos! Em véspera de 13 de Maio e quando o Lajedo, em Ponta Delgada, está a celebrar os dez anos da inauguração da sua igreja… e que depois passou a paróquia, quero mandar um ternurento beijinho ao meu querido e sempre atento leitor dos meus recadinhos, e do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, padre João Luciano Couto Rodrigues, que hoje, e ao lado do cabouqueiro da ideia de construção daquela Igreja da Senhora de Fátima, Monsenhor Cónego José Garcia, vai ser homenageado com o nome de uma rua no Lajedo, por proposta da Junta de Freguesia de São José, materializada pela Câmara de Ponta Delgada. O meu querido padre João Luciano… pela simplicidade, pela alegria que sabe espalhar por onde passa, pela vida que dá às suas homilias, sempre adaptadas à assembleia onde se encontra, bem merece esta distinção. Não recebi nenhum convite do meu querido Presidente Bolieiro para lá estar com o meu vestido azul bandeira, mas não perco esta oportunidade de aqui deixar este ternurento beijinho, que se traduz também num abraço do meu querido Director Américo Viveiros, que eu sei que é amigo e admirador do padre que veio de Ponta Garça e hoje é tão justamente distinguido!

Ricos! A minha comadre Jusberta anda aflita porque o médico mandou-lhe comer peixe em vez de carne, porque tem lá um problema de saúde que a obriga a evitar carnes vermelhas… e as brancas só pelos dias de festa… Acontece que a mulher tem penado os olhos da cara para conseguir um peixinho de jeito…. Não há quem consiga lá chegar, porque ele está escasso e os preços estão pela hora da morte…. Desde que o Governo apregoou que era preciso valorizar o pescado… isso foi um tal subir de preço e até o peixe importado que é anunciado na televisão, como é o caso da “dourada”, nos supermercados portugueses é vendido entre os 3,5€ e os 4,00€ o kg. enquanto que cá temos de pagar 10€ e pouco o kg. Juro que não sei como se distribui o ganho do peixe… mas o que sei é quem se lixa é sempre o Zé Povinho, que se quiser comer tem de pagar o que lhe pedem em nome da valorização do pescado… e não do pescador! Quem nos acode?

Meus queridos! Contou-me a minha prima Jardelina que há dias estava numa sessão cultural que era presidida por um Presidente de Câmara de outra ilha e que, no fim do evento, acabou por pedir uma boleia para ir para o hotel onde estava hospedado. Jardelina de imediato se prontificou a dar a boleia, mas ficou menente quando o simpático autarca desabafou dizendo que, nas deslocações dos presidentes de Câmara, em actos oficiais, fora da sua ilha, a lei não permite que possam alugar um popó que custa 25 ou 30 euros por dia e que facilitaria todas as deslocações, em termos de tempo e de comodidade… Mas absurdo dos absurdos… é a mesma lei que permite que os presidentes apresentem as contas de táxi, seja de que montante for, mesmo que sejam duas ou três mais do que gastariam com o tal popó de aluguer. Isto é de bradar aos céus… e é o resultado de quem dita leis sentado numa secretária, tentando poupar no farelo aquilo que desperdiça na farinha…

Ricos! Ontem foi o dia 11 de Maio. Nunca me posso esquecer daquilo que foi o 11 de Maio de 1991, quando a Ilha Terceira e São Miguel receberam a visita daquele grande Papa João Paulo II que hoje é santo canonizado, mas que foi santo muito antes, no coração de milhares de pessoas. Ainda hoje fico comovida só de pensar na força espiritual que saía daquela presença e daquelas palavras. Uma data que nunca devia ser esquecida na história da Diocese açoriana. Ainda hoje me delicio a (re)ler os dois livros que o director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, Américo Viveiros, porfiou fazer, recheados de fotografias e dos textos das homilias do Papa e das saudações do Bispo de então, D. Aurélio Granada Escudeiro, bem como de testemunhos de várias pessoas que viveram e estiveram envolvidas no acontecimento. Fez-se história e para trás ficaram aqueles que na altura tentaram desmerecer o trabalho que estava a ser feito. Hoje é saudade, e só espero que em 2021, quando forem comemorados os 30 anos da visita, possa haver um novo livro a assinalar a data e ensinar aos mais jovens o que foi aquele dia.

Ricos! A gente sabe que em todos os serviços há momentos de desentendimento entre quem trabalha e há sempre discussões… Mas também não é preciso exagerar. Dizem-me que lá para os lados dos jornalistas assessores de um certo Gabinete de Imprensa, as coisas têm azedado, chegando até a vias de facto…. Conta quem viu que não é a primeira vez. Como diz a minha prima Jardelina, tenham tino, meninos, tenham tino. Já não são bebés…

Meus queridos! Ainda na semana passada eu falava na irreverência dos estudantes na Semana Académica e dizia que daí não vinha mal ao mundo. Mas também não precisa exagerar. Vejam só que no Porto a coisa descambou ao ponto de haver apostas de cariz sexual em plena rua, a troco de álcool e que foi necessária a intervenção dos organizadores que castigaram e fecharam as tascas onde tal se passou. E em Coimbra foi notícia que os estudantes deixaram espalhadas pelas ruas trinta toneladas de lixo… Que rico testemunho de preocupações ambientais e de civismo… E depois ainda falam dos sacos plásticos da batalha de água em Ponta Delgada. Há muita mentalidade a mudar neste mundo de Nosso Senhor

Ricos! Isto é que vai uma luta pelo ambiente e contra os plásticos. A gente sabe que até já há ilhas de plástico e rios dele que correm no mar, pondo em perigo tudo o que é sistema de vida marinha. Mas ao ler esta semana os propósitos da proposta que o PS regional apresenta, só penso é na forma como se vão desenvencilhar das consequências. Obrigar a que hotéis, restaurantes e esplanadas acabem com tudo o que é plástico, sem obrigar as fábricas a embalar os seus produtos em vidro ou outra coisa qualquer, é o mesmo que dizer que muitos produtos regionais deixarão de poder estar à mesa nesses espaços. E proibir plásticos em tudo o que for arraiais, concertos e festivais, como é que vai ser? Vamos para copos e palhinhas de papel? E quantas árvores vão ser cortadas para fazer o papel? Por isso eu digo que, primeiro é preciso medir as consequências e em vez de radicalizar, mentalizar para que o plástico não tenha como destino o chão e o mar… E vejam se se entendem, porque a minha prima Maria da Vila leu num anúncio da Câmara que nos arraiais das festas de São Miguel que se aproximam, em todas as tascas e barraquinhas é proibido vender ou servir em recipientes de vidro… Contrastes, diz ela!

Meus queridos! Como sempre, no dia de hoje vou passar a tarde em casa da minha prima Maria da Vila para ver a grandiosa procissão do Padroeiro da ilha, São Miguel Arcanjo que ali se chama a procissão do trabalho por nela se incorporarem os andores dos padroeiros de cada profissão de antigamente. Agora, naquela festa, o que pegou de moda é perguntar: viste o diabo? Sim, porque a imagem do mafarrico aos pés do arcanjo, ora vai tapada de flores ora vai à vista e andam as pessoas divididas sobre se o dito cujo deve aparecer ou não, essencialmente porque é preto e isso pode ser considerado racismo. Não desconsiderando quem luta contra o racismo, eu penso que a cor escolhida para o dito cujo mafarrico nada tem a ver com a cor de pessoas, mas sim com o fogo do Inferno em que também já ninguém acredita. Ou seja o mafarrico está negro apenas porque está queimado pelo fogo do inferno, que a gente sabe ser um fogo mítico. E quando está queimado fica negro, seja branco, vermelho ou amarelo… Portanto, nada de complexos com a cor do diabo!

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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